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Posts Tagged ‘Paulo Coelho’

Fluindo…

Ontem à noite adormeci com Ernesto me fazendo cafuné e lendo trechos de um de seus livros prediletos: Manuale del Guerriero della Luce de Paulo Coelho. Um livro, no minimo interessante, que fala sobre coisas que, nesse momento, acreditamos que sejam verdade, com as quais nos identificamos e que nos fazem pensar, sonhar, falar… e construir muitas coisas. O Manual do Guerreiro da Luz elenca atitudes e valores que, por mais obvios e ululantes que sejam, sao sempre atuais e dignos de alguma reflexao. Devo confessar que Paulo Coelho, com sua linguagem adolescente-generalista-comercial-internacional, me incomoda muito. Nao posso cuspir no prato que comi e devo confessar ainda que Brida foi um dos seus hits que fez parte da minha descoberta mistica na adolescencia. Sorvido com prazer, é bem verdade. Mas, hoje, muitos anos depois sinto, desiludida, que o autor se manteve raso e o acho bastante brega. Bom, meu proposito aqui nao é o de condenar nem o autor, nem sua obra, muito menos o livro que lemos ontem, como eu bem disse é interessante, agradàvel, mas sim dissertar sobre uma idéia que a cada dia me perturba mais. A idéia de GUERREIRO.

Um amigo querido, o Luizinho, tratou em seu site um tema semelhante e me ajudou ainda mais na minha reflexao pessoal. Assim como ele inicia seu texto, faço aqui também um preambulo de paz, deixando claro que nao tenho intençao de ofender, nem convencer, nem disputar nada com ninguém. Estou expondo minhas idéias, e vibrando o que acredito ser uma consciencia diferente daquela que eu tinha hà bem pouco tempo atràs.

Vamos là. O ponto é que, seja dentro de si, seja fora, na Terra, nos planetas ou na galaxia, a guerra é estranhamente aceita. Claro que tendemos a ficar do lado do bonzinho, do heroi, do mais forte, do mestre Jedi ou o que o valha, mas nao nos damos conta de que independente de quem “vença” tem sempre a tal guerra. Meu amigo enfatiza, e eu concordo plenamente, que essa cultura está tão impregnada que vemos exemplos e detalhes dessa aceitaçao banalizados no dia-a-dia, como quando se pergunta: “como anda a luta?”, para saber como está o dia ou o trabalho da pessoa. Dizemos ainda com muita frequencia, por exemplo, que estamos “lutando” por nossos direitos ou “batalhando” por nossos interesses sem nos darmos conta do quanto estamos reforçando a competiçao, e a violencia. Queremos a paz mas falamos sò de guerra. Nao damos atençao ao efeito que nossas palavras e pensamentos causam em nòs e, reflexivamente, em toda a humanidade. Porque eu acredito que aquilo que projetamos acontece afirmo que, para aquele que acredita que se deva travar algum tipo de batalha para se viver ou evoluir, para todo aquele que projeta que a vida é uma guerra, seja fora ou dentro de si, existe uma grande certeza: em todos os dias de sua vida voce terà extamente aquilo que deseja – guerra.

Essa crença febril na competitividade e na guerra, permeia o inconsciente coletivo hà tanto tempo que há uma ilusao geral de que se a pessoa não for guerreira ou combativa não irá obter sucesso, nao crescerà, nao progredirà. Dizer que uma pessoa é guerreira, é até um elogio nao é mesmo? A aceitaçao da idéia do guerreiro está tão intimamente arraigada entre nòs, hà seculos, nessa existencia que, ironicamente é adotada mesmo dentro dos círculos espirituais e na linguagem dos chamados “mestres”, pressupostamente elevados numa consciencia superior, onde se fala em Guerreiro da Luz, Guerreiro Espiritual, Guerreiro Yogue, O Bom Combatente…

Respeito quem nao compartilhe o que eu penso, mas me parece um equivoco, pois a minha experiencia e vivencia nesse mundo me ensina sempre e a todo momento, independente ou até bem mais além dos meus aparentes “esforços” para evoluir. Acredito que é imprescindivel me posicionar e fazer a minha parte, sim, como nao? Mas acredito também que quanto menos tento convencer os outros de minhas crenças, ou qual caminho seja o melhor a seguir, mais percebo que ganho energia para me dedicar ao meu proprio caminhar e mais pessoas surgem querendo seguir na mesma direçao. Nao tenho as respostas, como costumo dizer, e nao me refiro a sermos inertes, mortos, sem força, vitalidade, ou alegria de viver! Longe disso! Mas sinto que quando estamos atentos, abertos, alertas e muitas vezes silenciosos vivenciamos a harmonia tao almejada que jà habita em nòs. E definitivamente, numa proposta bem zen até mesmo para mim mesma, sugiro, com um frio na barriga pessoal, confesso, que o melhor seja nao gastarmos nossas essenciais reservas de energia nos opondo a seja lá o que for.

Nao se oporNao lutarPermitirFluir

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