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Posts Tagged ‘Brasilia’

Pietà

No ultimo dia 21 de abril Brasilia completou 49 anos…

… e Roma completou 2.762 anos.

Ambas nasceram no mesmo dia. Sò agora eu entendi o porque do presente que o governo italiano deu a minha cidade: a còpia da estàtua de Romulo e Remo sendo amamentados por uma loba, simbolo da fundaçao de Roma,  que fica na frente do Palacio do Buriti. 

Sao muitos laços que unem as duas grandes cidades.

Pra iniciar o post, a foto da Pietà de Michelangelo tirada por mim, no Vaticano.

Pra encerrar, a foto da Pietà de Michelangelo, em Brasilia, a còpia que fica na Catedral. Credito da foto de Brasilia: Francisco Aragao

pieta_brasilia

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 coisasdobrasil2-1

Em minha primeira participaçao numa blogagem coletiva* tinha que ser esse o tema, claro. Porque eu falo quase todo dia do mundo novo, a Itàlia, essa terra admiràvel que me recebe com muito amor, mantenho a patota atualizada com os temas da ilha do lado de cà do oceano mas, meu coraçao, quando bate, bate mesmo é pelo meu paìs. E é com lagrimas nos olhos, taquicardia, as maos tremulas, frias e suadas, que vou abrir a caixa da emoçao pra registrar aqui o que refletem as minhas pupilas dilatadas quando se fala de Brasil: Brasilia.

A primeira coisa, entao: ordem. Pra quem quiser entender um pouquinho, aviso: tudo por là é dividido em setor. Isso mesmo, tem setor de tudo o que se tem numa cidade. Tudo. Setor de hoteis, de motéis, de hospitais, setor comercial, setor residencial, setor de autarquias, de industrias, de diversoes… Tudo. Aprendi logo cedo no hospital Santa Luzia, e logico, no setor hospitalar, que fica pertinho da avenida W3. Foi num dia de cidade esvaziada, como acontece às  vésperas de Dia da Independencia, numa sexta-feira, quinto dia de setembro, em 1969. Foi feriado em nossa casa. Como tudo na cidade, organizada, nasci Maria Luiza. 

Organizaçao, sim, é a primeira palavra que ela nos traz, e também muita luz e muito verde, como bem percebeu o marido Ernesto em sua primeira visita à capital do Brasil. Muito mais do que uma “maquete”, c0mo é sarcasticamente  citada pelos superficiais, e muito além de seu plano  horizonte,  minha cidade natal representa o meu centro. . . O eixo.

O eixo central divide as asas, numa cruz-aviao. Norte-sul, Leste-Oeste, ou West, formando os tais setores, alguns constituidos de predios residenciais: as quadras. Na infancia aprendi o que era uma quadra, e nao bairro. E quadra é pra mim sinonimo de mini-mundo, de liberdade, de alegria, espaços abertos, muitas crianças, poeira vermelha e parquinho de areia. Vivemos até os meus 3 primeiros anos num predinho de 3 andares na quadra 416 no final da asa sul. Daqueles do projeto original de JK. A nossa era uma das poucas quadras completas, mas ainda cheia de vaos livres, o que deixava minha mae apreensiva, as vezes, e a me recomendar sempre para andar em grupos. Em Brasilia teve um sequestro de criança famoso. Nem tudo sao flores.

Falando em flores, devagarzinho ao longo de seus 40 e poucos anos a poeira vermelha do cerrado foi mudando e dando lugar a arvores frondosas e sempre verdes, jà imaginadas no projeto original. Junto com arvores nativas, pequiseiros, jatobàs, jameleiros, mangueiras, estao os meus preferidos, os sazonais e alegres Ipes que enfeitam Brasilia a cada estaçao com cores fortes e vibrantes. Tem um em especial, amarelo, que simboliza pra mim a vista da janela de nosso apartamento na 210 sul.  O dia-a-dia sempre foi rico também em belezas naturais. Furia de ventos, raios, relampagos e trovoes, granizo e neblina.  Beleza rara e comum, principalmente  em dias de chuva e arco-iris. Paisagem digna de arrepios de tao linda.

A minha cidade me impulsionou desde cedo a caminhar sozinha, a fazer escolhas responsaveis, a estudar muito, a decidir com segurança, a conviver com as diferenças… Minha cidade segrega, infelizmente, mas colore muito mais suas ruas com gente de todo o paìs e do mundo, assim como os Ipes o fazem. Minha cidade tem o menor indice de acidentes no transito, é exemplo no respeito à faixa de pedestres é o segundo maior PIB do Brasil, mas tem sujeira além da beleza, tem coragem e medo, violencia e paz, tem polìticos, politica e corrupçao, tem distinçao social, racismo e miscigenaçao,  tem pobreza, tem riqueza…  Minha cidade tem liberdade de fé, tem misticismo, tem cientologia, arquitetura e engenharia ousadas, tecnologia de ponta, modernidade, tem respeito e diversidade… tem a promessa de ideais de muitos …  tem Brasil.

Minha cidade, acima de tudo, tem potencial pra crescer e virar gente grande.  Eu nasci e cresci là. Um dia, alcei voo, segura em suas asas, e vim parar bem longe em busca dos sonhos acalentados naquela infancia feliz vivida ali . Mesmo distante ouço sua voz me lembrando que somos todos unicos, originais e em constante evoluçao e que devo fazer a minha parte pra construir um mundo melhor. Mesmo distante ela nao pàra de me ensinar. A ultima coisa, enfim: progresso.

*Iniciativa de blogagem coletiva da Andréa Motta do blog Leio o mundo assim.

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