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Archive for the ‘Tudo igual’ Category

La messa

Hoje teve um sepultamento de um conhecido do marido Ernesto. Um meio-tio-torto, irmao da mulher do tio de verdade dele. A familia decidiu nao acompanhar o corpo no cemiterio, mas prestar uma ultima homenagem na igreja. Fomos, entao, à missa de encomenda da alma do defunto.

Nao vou destrinchar detalhes, me desculpem os curiosos culturais, porque no fim das contas, missa é tudo igual em todo lugar do mundo. Nem a igreja era daquelas Brastemp, cheia de obras seculares, ouro, barroco e tal. Meio decepcionante, nè? Apesar daqui ser o pais numero um do Catolicismo o evento teve o mesmo tom automatico-repetitivo de toda missa que eu jà fui na minha vida. Nao sei se isso é bom ou ruim, mas talvez por causa dessa tediosa familiaridade eu me senti em casa. Detalhe: foi a primeira vez que fui a uma missa aqui na Italia. Sò teve um unico momento no qual me emocionei de verdade, de sentir os olhos rasos d’agua: foi na hora da saudaçao da paz de Cristo. Achei tao bonitinho apertar a mao de quem nao conheço, assim, de maneira natural e sincera, olhando nos olhos, com humildade, e ainda mais falando em italiano.

Acho que eu to mesmo muito carente de calor humano… Ai, ai!

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A regra manda tirar a decoraçao de Natal no Dia de Reis, ou seja, ontem, mas como eu sou uma menina rebelde, ja deve ter dado pra notar, eu nao tirei. Nao tirei e nem vou tirar agora e pronto. Tiro quando eu quiser, oras!

Nao entendo nada direito desse tema festivo de fim de ano, e assumo, mas como é que eu posso entender um evento que começa com uma menininha do oriente médio (provavelmente da Faixa de Gaza, hein?), adolescente e virgem que engravida depois da visita de um tal “anjo” (humm, sei), que quase é apedrejada pela mentira de dizer que ainda continuava virgem  apesar do barrigao e por isso é obrigada a casar com um homem décadas mais velho pra nao ser julgada uma vadia? Nao bastasse esse começo tragico e muito mal contado, ela e o marido tem que fugir às pressas de um rei maluco que os perseguia e ameaçava matar, viajando num lombo de burro, ela coitadinha, gravida de 9 meses, acabando por parir no meio de, sabe-se là onde, vacas, ovelhas e cabras.

Desde que a criança nasce eles nao tem mais privacidade com tanta gente, pastores e curiosos que vieram visitar o remelentinho. Teve até a chegada antologica de 3 reis que viajaram meio mundo no oriente pra encontra-los seguindo uma estranha estrela, um cometa, um rabo de foguete ou um alinhamento de planetas, nao se sabe ao certo, e ao invés de plano de saùde, remédios, comida e roupinhas tamanho PP, pro recem-nascido trazem de presente mirra (que ninguém sabe direito o que é), incenso e, ainda và là, ouro.

Pra història ficar logo bem bizzara, tem uma espécie de padrinho, um velhinho de barbas brancas, que deve ser tarado, pois coloca qualquer criancinha que ele ve pela frente no colo e elas ainda o chamam de “papai”. Coroando a bizzarice com chave de ouro ainda tem arvores com bolas penduradas (serà que é um simbolo fàlico do velhinho pedòfilo?) e  personagens da terra do nunca: anoes ou duendes ajudantes do velhinho sacana, mulheres vestidas com minisaias sensuais e gorrinhos vermelhos, veados que voam e, do lado de cà das Zoropa, tem também uma tal de Befana, ou Epifania, uma bruxa que, supostamente, enche uma meia de balinhas (nunca comam balinhas de estranhos, crianças!) para presentear as crianças, justamente no Dia de Reis, mas sò se elas forem boazinhas, porque do contràrio ela enche as meinhas é de carvao!

Olha sò quanta doidice! E tem gente que ainda nao entende porque é que eu sou rebelde!

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Resmungando

To com agonia do Natal. Isso mesmo, agonia. Nao sei se explico, se me justifico, ou se me desculpo, mas a verdade é que eu queria pular essa parte toda e, assim, como num transe voltar a mim somente làààà na época do verao de 2009, abrir os olhos numa praia, com sol, calorzinho gostoso, pouca roupa e nada de penduricalhos e festas no horizonte.

O marido Ernesto é que nao deixa eu ficar de fora. Ele parece um menino de tao animado, mas eu acho tudo brega. Juro. Luzes, cores, enfeites, musiquinhas…  Até porque a imagem que eu tenho para o que simboliza o Natal, o tal espirito natalino, espirito mesmo aqui, ou até no Brasil, na maioria das vezes sò vejo o comercial.

O que me consola é que eu vou ver neve!!!!! E aì, sim… ai..ai (suspiro)… Quando penso na neve, meus olhos brilham feito estrela de Belem anunciando a chegada do menino Jesus.

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A maioria do tempo eu tenho a sensaçao de que estou no Brasil. Nao sei explicar bem o porque, mas penso que ainda esteja me ambientando e, com exceçao da lingua e de outras evidencias bem obvias, o dia-a-dia é normal, como em qualquer lugar do mundo. Outro dia, por exemplo, estava no shopping com minha cunhada, ela na loja com a filha e eu esperando sentada num banquinho fora, e tive essa sensaçao. Shopping é tudo igual, mesmo, e as pessoas aqui nao tem caracteristicas particulares de uma sò raça. Tem também muita coisa igual no vestir. Mas, de vez em quando me toco que to na Europa. 

A primeira vez foi na Pàscoa. A Rai Uno, que é uma das TVs mais importantes daqui, estava transmitindo uma missa… como eu descrevi no meu Cafofo:

Sexta-feira , 21 de Março de 2008

Caiu a ficha

Ligo a TV.

Sexta-feira

Horàrio nobre.

Transmissao na Rai Uno

Diretamente de Roma.

Um espetàculo poético recitado em italiano.

Cantado em canto gregoriano.

Falado em latim, italiano, frances, ingles, espanhol, portugues, alemao, russo… e mais umas duas linguas que nao identifiquei…

Era a Missa da Sexta-feira da Paixao celebrada pelo Papa.Bento XVI!!!

 

 

Pela primeira vez me toquei que to na EUROPA…

Demorou, mas caiu a ficha.

Gary Morris

Foto: Gary Morris

Hoje foi a vez da abelha. Eu nunca tinha visto uma abelha como essa. GIGANTE! Peluda e com as cores mais vivas do que nunca! Estava fotografando o jardim e me assutei com um zumbido forte. Quando vejo, là estava ela. Uma especie, meio abelha, meio vespa, que o Ernesto identificou como Calabrone. Era mais ou menos como um dos nossos besouros, bem grande e gorda, sò que beeeeem peludona e com aquele “pijama” de listras classico, amarelo e preto.

Piolina

Foto: Piolina

Como os besouros, aliàs, descobri na internet que, na década de 30 começou a circular a fama de que seria impossivel, aerodinamicamente falando, que ela conseguisse voar com um corpo tao grande e asinhas minusculas. Adoro quando a natureza nos surpreende.

Estar aqui na Europa, muitas vezes, me dà essa sensaçao magica de que posso tudo o que eu desejar e me empenhar. Até mesmo voar.

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Tutto il mondo è paese, como dizem os italianos. Todo mundo é mundo.

Nao tem nada de especial na Italia que nao se viva em qualquer parte do Brasil. Esse é um dos mitos que caiu imediatamente por terra quando cheguei aqui. Tirando as diferentes paisagens e a historia de cada povo, que o torna unico, todo lugar no mundo tem problemas e soluçoes. Toda cidade tem bandidos, corruptos e pessoas de bem. Todo lugar tem greve, lixo, beleza, poluiçao, crise, promoçao de liquidaçao, aquecimento global, burrice, boas idéias, pobreza, estupidez, falta de educaçao, generosidade…

As burocracias e as incompetencias nossas sao iguais as dos outros. Vivi isso na pele essa semana, tirando meus novos documentos. O que se tornou a saga dos documentos, começou ha meses atras quando fomos pessoalmente nos informar sobre o que precisava e um funcionario nos falou um monte, mas nao falou que precisava pagar um selo importantissimo. Por causa disso, essa semana, tivemos que voltar duas vezes no mesmo lugar até resolver. Terminado o processo na questura, uma funcionària nos encaminhou para outro departamento para registrar -me oficialmente e colher as digitais. Por insistencia minha, e pela experiencia anterior, repassamos juntos os documentos necessarios muitas vezes, anotei tudinho, claro e, mesmo assim, chegando là, faltou uma fotocòpia do passaporte. Tivemos que sair da fila pra fazer a tal xerox, duas esquinas depois do lugar, e ao voltar, no final da fila, esperar mais uma eternidade pra sermos atendidos novamente. Detalhe: o atendimento, que normalmente inicia-se às 09h da manha, começou com mais de uma hora de atraso devido a um blecaute que colocou fora do ar todos os computadores.

Se identificou? Jà passou alguma raiva parecida? Jà pensou em contratar um despachante? Pois é.

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Calorias totais de ontem: 1.442 kcal

Café da manha (292kcal): 1 enroladinho de queijo e presunto (180kcal) + chà com pessego (112kcal)

Almoço (672kcal): espinafre refogado (50kcal) + vagem refogada (50kcal) + 200g filé de de frango empanado (400kcal) + batatas assadas (60kcal) + chà com pessego (112kcal)

Jantar (478kcal): penne com molho de tomate e queijo pecorino (300kcal) + 1 tomate seco (50kcal) + 2 azeitonas pretas (8kcal) + 1/2 paozinho frances (70kcal) + 1 col sopa de berinjela ao forno com azeite (50kcal)

NOTAS MENTAIS:

Tomamos o café da manha num bar perto do departamento onde fomos. Foi bem gostoso. 🙂

Chà é uma otima opçao pra acompanhar as refeiçoes, mas vou tentar tomar sò àgua também.

Temos passado os dias fora de casa resolvendo coisas, mas preciso comer mais frutas. Vou levar uma pera na bolsa quando sair de casa e for ficar fora toda a manha.

Nao tenho sentido ansiedade nem fome.

Tenho me sentido mais leve, mas estou resistindo em me pesar. Vou fazer isso semanalmente.

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Palavra nova, velha conhecida:

CIAO

(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)
A palavra ciao  – pronunciada /tʃao/, muitas vezes aportuguesada para TCHAU ou CHAU – é uma saudação informal italiana, podendo significar tanto “olá” como “até logo”.
Originalmente da língua vêneta (com o significado de “escravo”, pela corruptela da palavra “schiavo” como “s’ciào“), foi adotada em italiano para posteriormente ser emprestada ao vocabulário de muitas línguas, como o português, o castelhano e o inglês, significando, todavia, apenas “até logo”.
É largamente usada em todo o Brasil, devido a influência da imigração italiana.

O que entendi é que se usava dizer: sou seu escravo (schiavo, s’ciào), como uma forma gentil e humilde de saudaçao para colocar a pessoa à vontade. Como dizer, ainda , estou ao seu dispor, estou às ordens. A palavra foi mudando de schiavo para s’ciào (em Veneza, inicialmente) e depois virou CIAO, quando se incorporou ao vocabulario de todas as regioes. Na Italia se usa o ciao quando se chega , mas também quando se despede. Bruna, minha sobrinha nos seus adoràveis 5 aninhos, achava sempre estranho quando Ernesto a cumprimentava assim, dizendo ciao… ela logo perguntava: – Mae, porque ele tà dizendo tchau se ele acabou de chegar?.. hehehehe..

Aprendi ainda aqui que nao se diz ciao quando nao se conhece a pessoa, ou quando se trata de um cumprimento formal, chefe-empregado, ou pessoa mais velha. O tratamento passa a ser mais impessoal, entao se diz: buon giorno/buona sera  (bom dia, boa noite) quando se chega e arrivederci (até logo) quando se despede.

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