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Archive for the ‘Notas Mentais’ Category

A ursa.

No inverno, onde os dias sao mais curtos, sempre sinto uma coisa estranha com o anoitecer tao cedo. A sensaçao é meio angustiante, como se eu ficasse acordada mais tempo do que devia, com noites que nao acabam nunca,  e dias com um tipo de insonia-zumbi, enfim, uma agonia.

De um lado, minha mente me diz que meu corpo deve se movimentar ao invés de seguir o que, do outro lado, meu animo me sugere que é passar a maior parte do tempo enfiada debaixo das cobertas. Vivo, assim, arrastando os dias nessa luta interna e… nem sempre é facil reagir.

Por mais que eu tente me ocupar o tempo escorre lentamente, numa letargia gélida e os tres meses de frio, chuva e neve parecem muito, muito longos. As vezes chego a pensar que talvez eu tenha uma especie de metabolismo de ursa e que o natural seria hibernar no inìcio de dezembro e acordar sò em março na primavera.

Notas mentais:

Sàbado o curso de grafologia reiniciou e hoje foi o curso de tricot. Vou me obrigando a sair mais de casa e quem sabe o inverno irà passar mais ràpido este ano.

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Quem sou eu para falar de amizade? Minhas amizades ao longo da vida já passaram por todos os tipos de fases. Pouquíssimos amigos sobreviveram ao período em que passei por um tratamento para depressão. Essa doença tão terrível arrancou de mim por quase dois anos a alegria de viver, transformando-me numa pessoa tristonha, mórbida, apática e completamente  diferente daquela que todos estavam acostumados a ver. Durante essa fase, que foi uma das mais difíceis da minha vida, entendi verdadeiramente o significado da expressão: “separar o joio do trigo”. Uma horda de pessoas, que antes borboleteava a minha volta atraída somente pela minha luz sem querer dar nada em troca, voou para longe rapidamente, em poucos dias depois que a doença se instalou. Várias pessoas magicamente se revelaram. A primeira máscara a cair foi a dos “amigos-só-de-farra” uma definição para aqueles muito imaturos, muito rasos e superficiais que não seguram nenhuma peteca de jogo algum que não seja relativo a boteco, festa, sexo e roquenrol.

Entremeada por altos e baixos, alguns péssimos e outros momentos melhorzinhos  fiquei impávida só assistindo àquela seleção natural, inerte, mas angustiada. Deixei quase todos irem embora. Naquele período não tive força pra quase nada além de sobreviver. Fiz o que pude. Ficaram aqueles que souberam, acima de tudo, respeitar o que eu estava passando. Restaram as pérolas. Uma grande amiga remanescente até mencionou, outro dia, o quanto a minha relação com ela foi suscetível aos “meus momentos”. Enfim, baseada em outra frase muito conhecida que diz que o que importa é a qualidade, depois de tudo tornei-me muito mais seletiva. Estou a cada dia mais consciente não só do valor dos pequenos gestos de carinho inesperados e descompromissados, mas também do sutil e gradativo abandono ao qual as relações mais débeis se expõem. Continua a diminuir o número de pseudo-amigos que eu acreditei um dia possuir. Apesar do que possa parecer aqui, mesmo com alguma perda, não carrego comigo nenhum arrependimento. Talvez por isso eu acredito que me qualifique um pouco para tentar sugerir a alguém alguma coisa útil sobre amizade.

Outro dos temas mais presentes como causa de afastamentos, pela minha experiencia, é o da tirania na amizade. Percebi que muitas amizades, até de grande afeto e intimidade, insistiam em se manter tiranizando-me. E eu passei a não permitir mais esse tipo de vínculo e busco estar atenta e evidenciar nas pessoas essas atitudes que pra mim já não são nada atraentes, nem tampouco saudáveis. Por amizade tirânica eu defino aquela onde cumprir um protocolo de regras e compromissos passa a ser mais importante que muitos valores como o amor, o crescimento, o respeito e a compreensão mútua. Algumas pessoas parecem acreditar que por ser meu amigo lhes dá o direito de cobrar coisas e serem agressivas como se eu realmente tivesse que cumprir algum código de honra, ou um passo-a-passo para satisfação da carência alheia ou um calendário anual de eventos obrigatórios aos amigos tiranizáveis. 😀 Hehehehehe. Isso existe e me incomodou muito, mas hoje em dia lido com as tiranias ainda presentes nas relações de amizade de um modo muito melhor e me permito até brincar. Brinco, sim, na medida do possível. Costumo dar minhas conhecidas gargalhadas hiper-sonoras em resposta a alguns amigos que se excedem e esperneiam cobrando uma justificável ausência minha no dia-a-dia. Atençao, não que a ocasião criada pelo amigo não seja importante pra mim, mas é a atitude de cobrança que não deve ser excessiva nem carregada e o peso, carência e agressividade jamais podem se sobrepor à leveza, a alegria e o prazer de conviver.
Várias são as razões para o afastamento das pessoas, não necessariamente a falta de um sentimento profundo ou de amizade verdadeira, às vezes é apenas a própria efemeridade natural de alguns tipos de relações. Aprendi que muitas pessoas que passam por nossa existência, quando menos se espera, se afastam, ora por concluir uma etapa misteriosa de evolução e aprendizado, ora pela seleção natural de afinidades, como um ciclo que se fecha.

A vida deve seguir sempre fluindo. Cada um tem, ainda, os seus bons e maus momentos. O maior aprendizado foi o de entender melhor as razões para o afastamento de todos nós. Costumo comparar a dinâmica das relações como uma dança aos pares e a mudança de alguns passos na dança do afeto e da amizade pode deixar de ser conveniente para alguma das partes e se deixa simplesmente de dançar.

A exemplo do que eu já lutei (e ainda luto) contra atitudes inconvenientes ou contra pisões nos pés ao longo da dança poderia citar várias situações. Algumas soariam tristes, outras leves, cômicas ou até infantilmente ridículas. Talvez seja um estilo meu, mas busco verdadeiramente a leveza e o bom humor sem deixar de dizer claramente quando um tipo de comportamento não me interessa mais. Continuo, é claro, muito atenta principalmente ao “modo” para impor limites difíceis, afinal estou lidando com pessoas amigas. Tento sempre falar com o devido carinho, para quem ainda me interessa manter e transformar, mas aprendi a duras penas que dificilmente se extingue um comportamento ambíguo muito arraigado ou inadequado sem algum tipo de dor de crescimento. Se existir amor a amizade permanece com outras bases mais seguras, mas se não, extingue-se. Melhor assim. Mesmo sendo muito difícil abrir mão de certos apegos.

Longe de mim parecer que não creio na amizade ou que amigos não são muito importantes. Ao contrario, são e MUITO. Nem cometo o engano de achar que não possa eu também melhorar nas minhas relações. A cada momento de revelação de alguma dificuldade em relacionar-me ou aparente discórdia procuro voltar a mim e buscar refazer o caminho percorrido todo de novo. Acredito que devo primeiro me rever pra depois tentar levantar a cerca dos limites para o outro. Buscando de antemão os meus propósitos de harmonia e do bem. Nem sempre acerto, mas o meu objetivo tem sido o de continuamente experimentar para continuar a aprender. A realidade muda o tempo todo. Fato inevitável. A cada encontro alguns amigos antigos ou distantes podem parecer inadequados perante a nova LuLu que ressurge. É preciso estar atenta para identificar o sentimento puro e verdadeiro. Replantar é muito importante sem jamais deixar de cultivar e cuidar o que já existe. Pela minha natureza, para o bem da minha evolução, nesse solo fértil que é a minha vida, quero prosseguir alimentando, regando e oxigenando as antigas amizades e permanecer aberta à criação de muitos mais novos e frutíferos laços.

Algumas lições que aprendi:

– Ninguém está totalmente certo, nem totalmente errado.

– Amigos surgem de onde menos se espera.

– Amigos desaparecem, às vezes quando mais os esperamos.

– Amigos ressurgem.

– Todos merecem respeito.

Escrito por LuLu no Cafofo da LuLu, 16 de Fevereiro de 2007.

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Vencer os outros não chega a ser uma grande vitória.

Vitorioso é aquele que consegue vencer a si mesmo, o que é muito mais difícil.

Ela requer mais coragem, mais disciplina e mais decisão.

O simples fato de tentar de novo já será sua primeira vitória.

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Entao,

Foto By LuLu na Italia ©

Ser feliz nao é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza.

Nao é apenas comemorar o sucesso, mas aprender liçoes nos fracassos.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oàsis no recondito da alma.

Ou no meu caso especìfico…

É atravessar a neve fora de mim, mas ser capaz de encontrar uma fogueirinha num canto da alma.

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10… 9…

Atualizar correspondência, organizar favoritos do laptop, fazer backups, separar cd’s, dvd’s, Levar maquina fotográfica na manutenção, separar fotos, imprimir, arrumar na mala.

Abrir caixas, rever presentes de casamento guardados, rever livros, separar, definir quais levar, limpar, doar, embalar, arrumar na mala.

Esvaziar gavetas e armários, experimentar roupas, separar, doar as que não servem mais, comprar tecido, botão, zíper, aviamentos, levar na costureira, definir modelos, desenhar, consertar, trocar botões, fazer bainhas, soltar costuras, lavar, passar, dobrar, arrumar na mala.

Rever sapatos, lavar, definir quais levar, doar, reformar, ajustar, arrumar na mala.

Buscar documentos novos já com o nome de casada, separar  históricos escolares, certificados, diplomas, levar no tradutor juramentado e traduzir pro Italiano.

Comprar polvilho, farinha de mandioca, fubá,  fermento em pó Royal, gelatina solúvel, Nesquik de morango, sucos em pó, goiabada, castanha de cajú, castanha do pará, feijão preto, lembrancinhas, Naridrin e Maracugina.

Comprar mala nova.

Pesar malas.

Notas Mentais:

Vai dar, eu sei que vai.

É incrível a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer.

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Tudo ou Nada

De repente eu me toquei que já ia virar um mês sem dar as caras aqui no blogue. Quanto mais o tempo ia passando maior ficava o bloqueio, então resolvi vir logo tentar colocar as idéias em dia.

Pra quem não sabe, eu ainda estou no Brasil e ainda vou ficar até o fim do ano pra dar conta de resolver o tanto de coisas que tenho que providenciar antes de voltar pra Itália. Desde que eu cheguei já comemorei o aniversário da mamãe e os meus 40 anos, já trabalhei num evento para um grande shopping de Brasília, o marido Ernesto veio e viajamos numa segunda lua-de-mel para o Rio de Janeiro (que foi MA-RA-VILHOSA!), organizei algumas coisas pendentes, já comecei a providenciar meus documentos novos… enfim, são tantas emoções que nem sei por onde começar direito… e…  por isso eu sumi daqui. Toda vez que vivo intensamente um momento, me perco e acabo não me exprimindo bem nesse mundo virtual que criei pra manter os amigos atualizados.  Tenho uma bobagem de achar que se não fizer tudo perfeito é melhor não fazer nada.

Nota mental: No fundo, eu criei essa mania de justificar algumas atitudes de fuga pela intensidade mas, não sei se gosto de viver essa montanha russa de emoções.

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Desde que cheguei nao paro de pensar na Italia. Aliás, desde que saí de lá. Quando fui, foi a mesma coisa. Nao parava de pensar no Brasil. Será que algum dia esse pendulo se estabiliza? To me sentindo meio tonta com isso.

Amigo é coisa.. viu? Mas.. Que coisa! Que coisa boa!

Se abraço valesse dinheiro, eu tava rica.

O teclado tem TILLL!!!! Mas eu vivo esquecendo de usar.. hahahaha… 

Namorar o marido Ernesto virtualmente é uma mer**!

Sao 3 horas da manha e eu to aqui acordadona! Hoje já é dia 19 e só agora me toquei! Feliz Aniversário piminha!!!

Tô deslumbrada do quanto as pessoas sao simpáticas! Voce tem noção disso?! Todo mundo ri, aqui! Da caixa da padaria ao cara da bomba do posto de gasolina (como é que se chama essa profissão, hein? Esqueci…)

Tava colocando gasolina no carro da mamãe pra gente sair pra fazer umas comprinhas e na hora de ir embora eu agradeço ao atendente: buon lavoro! Hehehehehe.. To assim, misturando tudo com todo mundo.

Que estranho que foi o primeiro dia quando todo mundo só falava português à minha volta. Rádio, TV, placas.. TUDO! Pirei!

Já vou melhorando, mas ainda estranho cama, travesseiro, erro ruas, perco o sono, nao sinto fome… Ai,ai. Ainda to doidinha, doidinha… Ou pior… Como diz um amigo querido: mulher nao endoida… piora.

Adaptação ao fuso horário… Redaptação ao portugues… Readaptaçao ao teclado com TIL! Ops..esqueci de novo.. hehehehehe..

🙂

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