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Archive for the ‘Mundo novo’ Category

Catania e Sant’Agata

Hoje, 05 de fevereiro, é dia de Santa Agata, a padroeira de Catania.
O ritual tradicional, uma procissao que recorda a dor do martìrio sofrido pela santa, é um dos maiores em toda a Italia e foi declarado pela UNESCO, Patrimonio Antropologico da Humanidade.
O documentàrio http://vimeo.com/36189168  mostra o clima que toma conta da cidade por 3 dias consecutivos, todos os anos, sem exceçao, desde o ano de 252 d.C.
 
 

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Abalo geral

Hoje a terra tremeu no norte da Italia.
O terremoto foi de magnitude 4.9
De onde estou, na ilha fora da bota, nao sentimos o tremor, mas o que me abalou hoje (me perdoem o trocadilho) foi ir ao supermercado e encontrar dezenas de prateleiras completamente vazias, nenhuma verdura, nenhuma fruta, quase nada de pao devido aos 10 dias de greve dos transportadores. Uma sensaçao que trouxe o medo de passar fome.
Pode ser exagero, mas nao consigo parar de pensar em como seria viver num paìs em guerra.

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Incomplexidade

Uma pessoa imatura pensa que todas as suas escolhas geram ganhos.

Uma pessoa madura sabe que todas as escolhas tem perdas.

– Augusto Cury –

Com essa frase martelando na minha cabeça é que comecei essa semana. Ando meio azeda, talvez pela velha conhecida TPM que se reaproxima, mas enfim, mais reflexiva também.

O mundo novo, jà nao tao novo, começa a dar seus sinais de cansaço. A velha fòrmula de auto-motivaçao pra dar conta das obrigaçoes do dia-a-dia nao funciona tao bem aqui quanto no Brasil e me reinventar a esta altura da vida parece bem mais difìcil.

Falar voltou a ser uma canseira à parte. Voltei a ter que pensar muitas vezes antes de pronunciar o que quero. Tomo cuidado com as palavras, seja em italiano, ou em portugues, até porque acredito piamente que elas tem uma força descomunal sobre nòs, nossos desejos, realizaçoes e até sobre o universo que nos rodeia mas, pra mim, particularmente loquaz na minha lingua madre, é como voltar a ser criança ou adolescente… limitada, com um vocabulàrio muito restrito e aquém da minha identidade interior, sentindo-me incomprendida e frustrada por ter muito mais a expressar do que a capacidade de comunicaçao me permite.

Hoje, estou particularmente angustiada e me sinto incompleta como se nesse mundo nada se encaixe perfeitamente em mim, ou me pertença realmente. Tenho a sensaçao de que falta (e faltarà) sempre alguma coisa, nao importa quais sejam os meus esforços pra me adaptar, me integrar, me inserir… serei sempre uma estrangeira numa terra estranha.

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Foto By Marido Ernesto

Recomeça…
Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

– Miguel Torga –

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O bicho pegou aqui pra quem nao tem identidade vàlida, ou visto de permanencia. Dizem que qualquer fronteira da Italia, seja terrestre, naval ou aérea està parecendo set de filme de segunda guerra mundial. Nao passa ninguém sem mostrar documento e levar pente-fino da polìcia.

Primeiro pensei que era mais uma do primeiro-ministro-fascista-racista-tarado… mas nao, a razao é o G8 que vai acontecer na cidade de Aquila onde teve o terremoto em abril, lembra?

Itália suspende tratado de Schengen antes da cimeira do G8

A Itália suspendeu, até dia 15 de Julho, o tratado de Schengen, que assegura a livre circulação de pessoas na União Europeia. Uma medida que faz parte da vasta operação de segurança que rodeia a cimeira do G8, de dia 8 a 10 de Julho, na cidade de Áquila, devastada pelo terremoto em Abril.

A verificação de documentos à entrada e saída do país foi restaurada à meia noite do dia 28/06, apanhando desprevenidos turistas e cidadãos italianos. O chefe do Serviço de Fronteiras no aeroporto de Fiumicino, em Roma, Giovanni Sigillino, afirma que nas primeiras horas do dia houve alguns problemas, houve pessoas que não tinham passaporte ou estavam na posse de documentos falsos.

Os sindicatos de polícia denunciam a grande confusão provocada pela medida. A primeira consequência foram as longas filas juntos os postos fronteiriços, como, por exemplo, em Farnetti, na passagem para a Eslovénia.

Alguns automobilistas esperaram horas para passar. Um deles afirmou, ironicamente, que parece que a cimeira tinha sido transferida para Lubljiana, pois não havia outra explicação para controlar documentos à saída de um país. Garante que os anarquistas não vão sair de Itália, pelo contrário, vão entrar.

Ao suspender o tratado de Schengen, Roma pretende evitar a chegada de manifestantes violentos para a cimeira dos líderes do G8. Já o tinha feito quando da reunião de 2001, em Génova, mas, na altura, apenas por uma semana e sem grandes resultados.

Fonte: euronews.net

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Hoje, enquanto eu estava aqui me abanando, feliiiiiz, com o calor da primavera/verao que se instalou definitivamente do lado de cà do Equador, estava lembrando de uma definiçao matemàtica:

Duas grandezas são diretamente proporcionais quando, aumentando uma delas, a outra também aumenta na mesma proporção, ou, diminuindo uma delas, a outra também diminui na mesma proporção.

Ou seja, na mesma medida que a temperatura ao meu redor aumenta, cresce igualmente o bom humor e a felicidade dentro do meu ser.

Nada como aprender, assim, na pele. Literalmente.

Bendito seja o saudoso professor Amorim, que deve estar sorrindo, todo orgulhoso de sua aluna aplicada, esteja ele onde estiver.

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Vira e mexe surge a curiosidade de como é a minha vida aqui no Mundo Novo e pra quem pergunta eu respondo: rotina normal de quem mora numa cidade pequena, fora da regiao dos grandes centros urbanos, num bairro tranquilo, numa casa com jardim, casada, sem filhos, estudando uma nova lingua, estudando culinaria, sem trabalho fixo. Simples assim. Mas, sei là porque parece que isso nao satisfaz, o povo quer saber detalhes emocionantes, como se pelo fato de morar na Itàlia (òòòò :-D) e na Europa (òòòòòòò… :-o)  as coisas necessariamente tenham que ter “glamur” … hehehehehe… Mas nao tem!!!  Ou melhor, até pode ter, depende de cada um, do que faz, o que estuda, no que trabalha, onde mora e com quem, né nao? 

Entao, tà, atendendo a pedidos:

A rotina da LuLu – uma dona de casa na Italia.  

Manha:

Acordo em torno de 7h nessa época de primavera/verao, mas como nao uso despertador pode variar em meia hora pra menos ou pra mais, dependendo do dia ou da hora em que fui dormir na noite anterior. Sò acordo muito mais cedo do que isso, tipo 4h, 5h da matina, quando me ataca a insonia. Muito mais tarde do que isso, sò se estiver doente, ou se estiver muuuito frio.

A primeira coisa que eu faço em absoluto é beber um copo dàgua. Isso é sagrado. Vou ao banheiro. Escovo os dentes, lavo o rosto, prendo o cabelo da frente ou todo num coque alto. Inverno ou verao nao importa, nao aguento cabelo caindo no rosto!

Vou pro escritorio/consultòrio do marido Ernesto e ligo o computador. Abro e respondo e-mails, leio o Reader, navego em alguns blogs, jornais e sites.

Abro as persianas e cortinas das janelas da sala pra entrar luz pras plantas de dentro de casa.  Idem na cozinha, sala de TV e lavanderia. Abro a porta do balcao da cozinha que dà pro jardim. Dou uma sacada no ar e uma geral nas plantinhas de dentro e do balcao, algumas eu rego, outras podo as folhas velhas ou arranco alguma erva daninha.

Preparo o café da manha pra mim, e pro marido Ernesto quando ele nao està de plantao. Se ele estiver em casa dorme até umas 9h e aì tomamos café juntos. Tem dia que é fruta picadinha com granola e Yogurt. Tem dia que é pao integral com queijo fresco. Eu sei, eu sei… eu exagero falando que nao como coisa light, mas faço esse sacrificio, sim, de veeeeeeeeizzzz em quando. No minimo uma vez por semana eu preparo um bolo, rosca, biscoitinhos caseiros, pao caseiro, muffins ou  qualquer coisa do genero pra deixar pronto pra semana toda. O marido Ernesto adoooora muffins com cappuccino gelado, eu adoro biscoitinhos molhados no leite com achocolatado (gelado no verao, pelando no inverno).

Na primavera/verao, em geral na parte da manha nos dedicamos à jardinagem. Quem tem jardim e horta em casa (e nao tem jardineiro) sabe: tem sempre alguma coisa pra fazer. SEMPRE. Entao é podar, adubar, regar, plantar, mexer na terra, limpar, endireitar, arrancar, dedetizar…

Numa manha qualquer também podemos ir ao supermercado, shopping ou a alguma feirinha de bairro pra comprarmos verduras, frutas ou o que estiver faltando. Aos sàbados tem uma feirinha a dois passos daqui de casa e eu deixo o marido dormindo e vou sozinha sapear por là. Pesquiso, pechincho, fotografo… Amo!

Se estivermos em dia com os deveres de casa  e nao tiver por exemplo nada pra costurar, consertar ou lavar podemos também sair pra passear, aì vamos pra algum parque, praça, castelo, cidade històrica ou praia pra curtir, caminhar de maos dadas, tomar sorvete (jà te disse que o sorvete da Sicilia é o melhor da Italia e um dos melhores do mundo? Poisé)… ou fotografar.

De quinze em quinze dias vem uma senhora dar faxina mais pesada na casa  e vira um mutirao pra terminar tudo das 8h até as 13h. Barba, cabelo e bigode.

A manha termina com o almoço, mas nunca antes de 13h.  Gosto muito de cozinhar e experimentar receitas novas e em geral prefiro almoçar bem, tranquila e em casa. Claro que rolam eventualmente almoços em restaurantes, almoços na casa dos sogros, almoços em self-service, lanches em pé numa pracinha, piqueniques em parques, salgadinho de padaria e até McDonalds.

Tarde:

Depois do almoço o marido Ernesto dorme. Sem exceçao. Eu posso até tirar um cochilinho de meia hora em um dia preguiçoso, mas nao gosto de dormir de tarde e em geral venho pro computador. E’ a hora em que a casa fica silenciosa e eu me sinto à vontade pra pesquisar, descarregar e trabalhar fotos, escrever no blog e colocar as idéias do dia em ordem. Essa é a também a hora de estudar, o que quer que seja, a liçao de italiano, de jardinagem ou de culinària.  Se encontro algum amigo ou alguém da familia essa é a hora do chat também. Pra tudo isso dedico no minimo tres horas.

Nao costumo ficar sentada na frente do computador quieta o tempo todo. No meio de algum download aproveito e coloco alguma roupa na maquina pra lavar, ou estendo alguma que jà secou, e ainda leio revista, costuro, desenho e assisto TV ao mesmo tempo. Sempre fui assim… multiatarefada.

Minha rotina varia com a do marido Ernesto, claro. Como jà mencionei, se ele tem plantao (10h, 12h ou 24h), por exemplo, eu me adapto pra ter sua companhia por um tempinho a mais, ou preparo a “marmita” que ele leva pro trabalho ou saio do computador pra ele receber os pacientes no consultòrio. As vezes ele precisa dormir um dia inteiro seguido depois de 24 horas de plantao, e eu procuro respeitar a necessidade dele e saio. Saio pra uma caminhada, dou uma volta no bairro, ou vou ao salao, ou vou ao mercado, ou fico jardinando, costurando ou lendo em silencio pra nao acordà-lo.

Fim de tarde tem a ducha refrescante depois de um dia cheio,  e tem o momento beleza: manicure, sombrancelhas, pele, cabelos, creminhos e o que mais houver… me dedico sò a mim… porque ninguem é de ferro, nao?

Noite:

Uma vez por semana tem as aulas de culinària a partir de 19h e nao tem hora fixa pra terminar, nunca antes de 23h. O jantar é incluso, entao o marido Ernesto se ajeita em casa, esquenta alguma coisa que eu jà deixei pronto, pede uma pizza ou aproveita pra ir jantar na casa dos meus sogros. Se o marido estiver livre ele me leva e me busca, às vezes vou e volto dirigindo e até prefiro. Gosto de ficar fofocando com os colegas depois da aula.

Quando nao tem aula vamos ao cinema, vamos tomar sorvete em alguma praça, ou jantamos fora, ou jantamos na casa dos sogros, ou vemos um DVD em casa até o sono chegar, ou eu fico sozinha em casa e, nesse caso, venho pro computador fofocar no messenger.

Meu fim de noite é, via de regra, assistindo TV. Eu sou viciada em dormir assim desde mocinha.  O marido jà prefere ler pra provocar o sono. Fecho a casa inteira. Baixo todas as persianas. Apago todas as luzes, menos uma luzinha guia que deixamos acesa. Coloco um copo d’àgua na beira da cama e fico zapeando os canais de televisao, deitada até o sono chegar. Quando vem o sono, coloco o timer sleep para quinze minutinhos, coloco uma mascara de tapa-olhos (daquelas de aviao, igual ao gato do cartoon, o Manda-chuva), coloco o aparelho dos dentes, viro de lado e… beijo,ciao. Adormeço rapididinho.

E…. Buona notte.

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Quem achou que hoje ia ter post requentado vai ter uma surpresa, porque resolvi começar a semana assim: quebrando paradigmas… ou seja, mudando.

Pra começar, segunda feira nao vai ser chamada assim jà que vem carregada por mim de um passado de rejeiçao e preguiça. A partir de agora pretendo fazer como na tradiçao pagã e tratar esse dia como DIA DA LUA (em italiano lunedì).

A Lua, na Astrologia, é o regente de Cancer. Ela representa nossas necessidades  emocionais mais profundas, nossas reaçoes e hàbitos instintivos e o inconsciente. Entao o DIA DA LUA serà … alma, lembrança, memória, passado, emoçao, um olhar para mim mesma.

Dia de olhar pra dentro. Nem sempre serà fàcil, mas vou evitar fugir jà que a fuga parece ter sido o caminho mais fàcil até agora.

Entao…

Nos ultimos dias a reflexao forte foi (e tem sido desde muito tempo) sobre o meu corpo. Explico: engordei muito nos ultimos tempos e por mais que me esforce, caminhe, observe a minha alimentaçao, nao volto pro meu peso històrico de tantos anos. E’ verdade, fui quase sempre magrela  até os meus trinta e poucos anos. Nao tenho todas as respostas sobre como cheguei até o ponto de hoje, fora as coisas obvias: sedentarismo, inverno longo e rigoroso, idade, mudanças de habitos alimentares… O que eu sei: nao gosto de padronizar quase nada e nem a mim mesma. Sei também que tem gente bem mais gordinha e feliz da vida e menos gordinha do que eu cheia de complexos. A imagem que tenho de mim ANTES de olhar no espelho nao corresponde àquela que vejo. Nem sei se é assim pra outras pessoas, mas o que vejo é pior do que eu imagino.

O fato é que andei olhando bastante pra mim nos ultimos dias no espelho, coisa que nao faço sempre, pode acreditar. Eu olho pra escovar os dentes, pra pentear o cabelo, e pra me vestir rapidamente, mas olho de relance, sem querer me ver, essa que é a verdade.

Até que chegou a primavera/verao na Italia, os termometros começam a subir e à parte que eu jà nao aguentava mais tanto frio e ausencia de luz de sol, sinto um frio na barriga sò de pensar em ir à praia. Nao me entenda mal eu adoro praia!! Vivendo a maior parte da vida numa cidade da regiao central do Brasil, onde o mar mais proximo ficava a mais de 1500km de distancia, verao é sinonimo imediato de praia. Nao gosto muito de me bronzear, mas adoro o calorzinho do sol, adoro nadar no mar com minha bòia e curtir a leseira debaixo de um guarda-sol, lendo, fazendo palavras cruzadas, ou mesmo sem fazer nada. ADORO! Hoje eu vivo numa ilha, olha que maravilha! Numa cidade do litoral da Sicilia, entao… praia é quase um programa obrigatòrio nessa época.

O problema é a parte do maiô. Os que eu trouxe nao me servem mais e fui procurar algum pra mim essa semana. A busca foi um sofrimento! Um drama, mas também uma comédia, viu? Experimentei uns cinquenta, sem exagero! E olha, é a mais pura verdade que existe mais tecido num sò biquini vendido na Europa do que a soma de todos os biquinis que jà usei na minha vida! Nos meus tempos aureos de magrela, claro. E no fim da saga encontrei um que me… serviu. Ai..ai…  

😦  O balanço foi uma equaçao bem dolorosa: gordura + celulite + flacidez = autoestima abaixo do joelho.

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A maneira como vemos as coisas muda a perspectiva de tudo, nao é mesmo? Tem sido esse o tema dos ultimos dias, foi esse o tema de um conversa que tive com minha irma Aninha, ontem, no messenger… Entao, resolvi publicar aqui um texto que me ajuda sempre que o releio.

Esse texto é da Denise Arcoverde do blog Sindrome de Estocolmo

Dicas pra sobreviver fora do Brasil!

Esse post, eu escrevi ha’ varios alguns meses la’ no blog e as reacoes foram super interessantes. Muita gente me escreveu dizendo que tem tido uma postura muito negativa e que esse post ajudou a ver as coisas de outra forma. Por isso, resolvi reproduzir (e adaptar um pouquinho) aqui:

(…)

Viver fora do seu pais nao e tao facil. Mas eu acho que é muito importante ter não somente uma visão positiva, mas mesmo uma postura positiva, pra ser feliz.

Fiquei pensando no que eu diria pra alguém que mudou pra outro país, ou está pretendendo mudar, para que possa ser mais feliz. Acabou ficando uma lista muito grande, mas você pode ir lendo aos poucos, uma coisinha por dia… ah, e acrescente outras nos repliess, OK? lembrando sempre que essa é a minha perspectiva e não quer dizer que todo mundo deve seguir ou concordar comigo!

1. Não esqueça nunca de onde você veio, sua pátria fez de você o que você é, mas deixe isso guardadinho em algum lugar no seu coração, não fique falando ou pensando nisso o tempo todo e comparando os dois países. Agora você está começando vida nova e deve isso a você e à(s) pessoa(s) que está(ão) lhe acompanhando nessa jornada.

2. Em ambos países você vai encontrar coisas boas e ruins, a diferença é que estamos sempre mais acostumadas com as coisas ruins de onde viemos. Existe coisa pior que ver crianças nas ruas passando fome, pedindo dinheiro, cheirando cola? quem diria que alguém pode se acostumar com isso? mas nos acostumamos, não é?

3. Tente esquecer os estereótipos. Esses são apenas caricaturas, e estamos convivendo com pessoas reais. Nem sempre brasileiros são tão amigáveis e nem sempre os “gringos” são tão “frios”. Gosto de lembrar uma festa que eu fui na Suécia há vários anos atrás. Aniversário de 70 anos (imagine), achei que ia ser um tédio mortal, mas nunca fui tão bem tratada e me diverti muito. Literalmente TODAS as pessoas da festa vieram falar comigo, se apresentaram, perguntaram sobre mim, foram extremamente gentis, pessoas de todas as idades. Cerca de um mês depois fui a uma festa, em São Paulo, na casa do meu irmão. Uma turma descolada, do “mangue beat” pernambucano em Sampa. Praticamente ninguém falou comigo. Não conhecia ninguém e ninguém fez questäo de se apresentar. Portanto, tudo é relativo.

4. Outro estereótipo que eu detesto é que só brasileiro sabe se divertir, que a vida aqui é monótona, que os shows não tem emoção. Já comentei aqui no blog um show que fui do Blur, banda pop britânica, que eu adoro. O show foi o melhor da minha vida. Todo mundo se divertiu muito, dançou horrores, gritou, se emocionou. Com uma diferença, não tinha bebida. Acabou o show, todos sairam ordeiros pras suas festas pós-show ou pra casa. Ninguém quebrou os pontos de ônibus ou fez bagunça nas ruas. Adoro isso! Talvez você não esteja tendo oportunidade, ainda, pra se divertir mas isso não significa que os “locais” estão tendo uma vidinha tão insípida assim!

5. Quando se quer falar que as pessoas da Europa são frias, se diz que eles entram no metrô e enfiam o livro na cara, não olham, nem falam com ninguém. Bem, pelo menos em Recife, não vejo ninguém puxando conversa em ônibus e quando fazem isso as pessoas já ficam com medo, pensando que é um assalto. Não vamos ter expectativas exageradas do povo daqui, né?

6. Que tal porcurar o lado positivo das pessoas do local? aqui eles são honestos, ordeiros, organizados… isso tudo pode ser bom… são “sovinas”, “neutros ao extremo”, “arrogantes”… então vamos tentar achar isso engraçado?? enfim, aprender a conviver com o que a gente tem, pode ser a regra de ouro da felicidade!

7. Não adianta reclamar do clima. Tá frio? tem que se agasalhar. Aqui, na Suécia, se diz que “não existe frio, mas gente mal agasalhada”, Ok, é um certo exagero, aqui tem frio e muito. Mas, não há nada que se possa fazer em relação a isso, é o que digo sempre à Bia. Entäo, vamos tentar ver o lado positivo… você não vai ficar toda suada, pode usar uma linda maquiagem que não derrete e dura a noite toda, as roupas são lindas, a gente fica mais elegante. E o que eu adoro… diminui a ditadura do corpo perfeiro, ninguém tá vendo tudo mesmo, fica todo mundo mais ou menos na mesma “posição”. Ah e eu adoro abusar de luvas e cachecóis lindinhos (e baratos!).

8. Quando sair de casa, olhe a cidade com olhos de turista, pense “gente, quantas pessoas não adorariam estar vendo essa cena, hoje, e eu estou aqui?” estou sempre descobrindo novas facetas da cidade, novas caras. Pego o metrô e me delicio vendo Gamla Stan, TODAS as vezes que passo por ela… estar num lugar lindo é um privilégio que, às vezes, a gente esquece. Eu já fazia isso em Olinda,
quando ia entrando na cidade eu pensava “e os gringos pagam uma nota pra ver minha cidade, que é tão linda e eu tenho de graça, todo dia!”.

9. Valorizar essas pequenas coisas do lugar em que você vive é fundamental. Você não gosta da comida? sempre tem UMA coisinha pelo menos que você vai gostar. Ai, se delicie com ela, ao invés de ficar procurando feijão e goiabada nas lojas especiais. Não tenho quase nenhuma saudade da comida do Brasil. Esqueço que ela existe, por que não é mais uma opção pra mim e não dá pra se viver de ar, nem de nostalgia. Adoro kokosbola, adoro as verdurinhas congeladas, adoro cuscuz marroquino, amo iogurte de blueberry… queijo de coalho?? o que é isso?

10. Não deixe a saudade acabar com você. Mais uma vez, lembre-se que foi sua OPÇÃO… essa é a palavra chave. As pessoas que ficaram no Brasil e lhe amam querem ver você bem. Seja feliz e deixa a saudade, também, guardadinha lá no fundo do coração.

11. Evite viver em guetos. É muito legal encontrar brasileiros, trocar idéias (mas evite ficar só falando mal do país e das suas saudades do Brasil!), ouvir nossa música juntos, mas não se restrinja a isso. Tente estabelecer contatos com pessoas nativas do país e outros migrantes. Absorva novas culturas, isso é refrescante, revitalizante. Saber que existem culturas diferentes da sua e respeitá-las é o primeiro passo para a tolerância.

12. Aprenda o idioma local. Mas “take your time”, faça-o quando você se decidir (também não vale esperar mais de um ano pra começar!), se puder se virar em outro idioma. É fundamental aprender o idioma, mas é melhor se você estiver com a mente aberta, e às vezes é necessário um tempo para adaptação.

13. Pense que, pelo menos no começo, você é um(a) turista com mais tempo pra conhecer a cidade… vá visitando todos os museus, mas agora com muito mais tempo, um por dia, vá conhecendo todos os pontos turísticos, a cidade tem muito a oferecer e você tem tempo… e lembre que, muitas vezes isso pode custar pouco ou quase nada.

14. Não se deixe contaminar pelo mal humor de outras pessoas. Evite as longas conversas do tipo “eu odeio esse país por que…”. Desmonte seu parceiro de papo mostrando tudo de bom que você encontrou aqui.

15. Lembre que você não está sozinha e seu mau humor vai contaminar os outros. A maioria de nós, pelo que percebi nos blogs, veio parar aqui por AMOR. Viemos por que quisemos, eles (ou elas) podiam ter mudado pro Brasil, mas, nesse momento, decidimos que a melhor opção é viver fora do Brasil. Então, respeite a pessoa que você ama, respeite sua cultura, suas tradições, seu país. Evite conflitos do tipo “se eu estivesse no Brasil seria diferente”. Pode ser um atalho pro amor ir embora. Ah, e exija respeito com o Brasil também!

16. Use e abuse da Internet. Não apenas para matar as saudades do Brasil, saber notícias de lá, se comunicar com sua família… mas também para ir descobrindo sua nova pátria, visitando os sites de turismo da sua nova cidade, descobrindo o que tem para oferecer. Visite o site do Governo local, veja quais os direitos e deveres que você tem, como imigrante, conheça mais da cultura local.

17. Faça seu blog. Eles são uma delícia, você encontra grandes amigos e compartilha com outras pessoas as suas experiências.

18. Nossa música é a melhor do mundo, certo? sem dúvida, mas não custa experimentar novos tons. A palavra mágica para um imigrante é EXPERIMENTAR. De tudo, música, dança, comida, bebidas, tudo que estiver ao seu alcance.

19. Imigrante não é um palavrão. Entre 1800 e 1930, não menos que 1.5 milhão de suecos tornaram-se imigrantes na America do Norte. É tudo uma questão conjuntural. Quantos portugueses, italianos, espanhóis, ingleses, não acolhemos no Brasil? Ainda mais num mundo globalizado como esse, somos todos, cidadãos do mundo!

20. O mais importante de tudo… NUNCA, mas NUNCA mesmo se sinta inferior aos nativos do país. Você está lá por uma contingência da vida, não está lá pra se aproveitar do país deles. Está se sentindo discriminado, procure um órgão que defende o imigrante, que existe em quase todo luga… denuncie… a discriminação é velada? ignore, despreze… quando eu acho que alguém (geralmente os mais velhos) pode estar olhando pra mim com alguma discriminação sempre penso “coitado, nem imagina tudo de bom que eu tenho no meu país”… e lembre sempre que você tem um enorme valor e pode trazer grandes contribuições para o seu novo país. Lembre sempre que a França nunca teria sido campeão do mundo, se não fosse Zidane, que tem origem na Argélia.

E viva as diferenças!!!!

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Participo do mundo virtual com publicaçoes desde nem-sei-mais-quando.  Comecei là pelo ano 2000 acho, quando iniciei a fazer fotos digitais pra valer e a publica-las no MSN com alguns comentarios simples e, naquela época, jà com uns poucos feed backs que recebia, achava o maximo a exposiçao que aquilo tinha. 

Em maio de 2005 comecei a escrever (e ainda escrevo) o meu primeiro blog o CaFôFo da LuLu quase como uma terapia, pra dar voz as vàrias pessoas que habitam dentro de mim. Uma especie de catarse pessoal, no sentido de purgaçao. Tem até uma aba de menu là em cima do blog (memorias) onde eu cato e re-publico umas palavras antigas que ainda insistem em falar. Naquela época o UOL era uma das melhores opçoes pra hospedar minhas idéias, e assim continuou por mais de 3 anos, mas depois comecei a acha-lo limitado, pesado até que, com a mudança pra Italia, decidi começar um outro blog num outro host, mas ainda amador. Testei, entao o Blogspot… Comecei a escrever receitas praticas do dia-a-dia num blog criado por uma amiga, o Dez Minutos, e Pronto! Uma experiencia que continua e é otima. Acabei trazendo para uma aba do menu là em cima (receitas)  algumas  delicias de là… Testei, por fim o WordPress, gostei muito mais e decidi criar um novo espaço pessoal aqui. Assim nasceu O Admirável Mundo Novo da LuLu. O porque do nome? Isso eu conto qualquer dia num outro post.

Entao, esse negocio de blogar até hoje sò me deu prazer, viu?  O que me dà mais prazer nisso tudo é a publicidade da coisa. Esse meu lado aparecido-de-ser se sente bem em ver e ser visto. No começo pesou muito a responsabilidade  em clicar na palavra “publicar” depois de escrever um texto. Nao demorou a cair a ficha da importancia de tornar as minhas idéias maluquinhas que até entao chegavam somente até um grupo seleto de amigos, de uma hora pra  outra  acessiveis a pessoas que nao conheço. Naturalmente reforçei o cuidado com as palavras e ao mesmo tempo o contrastante desafio de manter-me integra, inteira e verdadeira. Me sinto “eu” mas ao mesmo tempo uma personagem. E’ um fenomeno interessante e ainda penso em fazer uma tese de mestrado sobre isso.

Junto com o prazer o dever, assim eu aprendi. Ou era o dever primeiro e o prazer depois. E com o dever, as regras. Leis e regras existem para o bem comum e precisam ser respeitadas. Educaçao, honestidade e lisura sao tao importantes quanto o conteùdo ( às vezes até mais). Noçoes de espaço e forma criam harmonia. Limites sò sao limites se sao bem estabelecidos… A casa aqui é minha, verdade. O mundo aqui é meu, tà certo. E a vizinhança é de todos nòs. Ponto final. Bàsico. Faço o que eu quiser no meu mundinho e nao incomodo ninguem, assim como nao gosto de ser incomodada. Uma coisa muito importante: eu nao roubo. Se tomo emprestado peço antes ou aviso que tomei. Creditos sao pra serem creditados, senao seriam débitos.. e eu exijo os meus… por vaidade, picuinha…? Pode até ser, mas prefiro assim: Gostou? Pede que eu empresto. Juro… na boua.. empresto e fico feliz em compartilhar, mas se nao pedir… Ai,ai,ai…   pode até pegar uma vez sem eu ver, mas vai ser sò uma e a briga vai ser feia. Isso eu garanto. Pergunta pras minhas irmas. Brava a menina!! Ui!!

Cada um dos meus blogs pessoais referem-se a mesma LuLu, mas sao bem diferentes. O CaFôFo é fofo, é cantinho magico, é café-com-leite, é adolescente, é poético, é inconstante, é instàvel e é essencialmente um monòlogo. O Mundo Novo  jà comecou com uma proposta diferente do CaFôFo. O Mundo Novo é quase um diàrio da LuLu, é auto-biografico, é adulto, é livrinho de cabeceira, é bula de remedio, é bolsa de àgua quente, é ombro amigo, é pedido de socorro, é mural de avisos, é caderno de anotaçoes, é album de retratos… e é no mìnimo diàlogo ou quem sabe, roda de bate-papo.

Depois de escrever blogs e soltar as doidices pelo mundao afora, e sem freio, o que eu mais gosto é de receber comentario. Pode ser aqui mesmo ou por e-mail, ou ainda via messenger, mas é sempre um imenso prazer trocar idéias. Lugar comum de todo blogueiro, eu sei. Nao ligo de nao ser original. Eu gosto mesmo é de gente e de me comunicar e deve ser por isso que eu gosto tanto de falar e de escrever. Algumas novidades vieram com o Mundo Novo como a tal “Blogagem Coletiva”, os “Memes” e os “Selos”. Nunca tinha participado de nada desse tipo na época do CaFôFo. E com essas atividades de rede da blogosfera veio gente nova visitar o meu humilde mundinho e eu fiquei feliz à beça! Que sensaçao estranha e ao mesmo tempo otima de conhecer gente nova virtualmente! Nunca tive (nem tenho) pretensoes de ter um Mundo superpovoado (é assim sem hifen?) por isso nao faço publicidade, sò participo do que me dà vontade, se o tema coletivo for sobre algo que eu realmente goste de falar (da minha pessoa e do meu mundo, basicamente) e sò participo de jogos, correntes, memes e selos se tiver alguma coisa que me acrescente. 

Aliàs, paragrafo especial sò pra falar sobre os SELOS… Com todo o cuidado e respeito aos queridos que pensaram em mim e aos selos que me foram dedicados: Alguém mais além de mim acha que a coisa jà ta  perdendo  a graça, o rumo, o jeito e o sentido verdadeiro? Serà que sou sò eu que vejo banalizaçao em mandar o mesmo selo pra todo mundo e repetir duzentas-e-cinquenta-e-dez vezes a mesma coisa? Nao tà parecendo mais aquelas correntes chatééééérrrimas que existem desde a época das cartas de papel que chegavam na nossa casa ameaçando: se voce nao passar pra mais oitocentas pessoas a casa vai cair… seu emprego vai cair, seus cabelos vao cair, seus peitos vao cair, o seu nariz vai cair…? Tirando a parte da ameaça.. Nao tà nao? Olha, pra deixar bem explicado: eu reconheço todo o carinho implicito (e explicito) nos selos que eu recebi, viu? Reconheço, agradeço e nem sei se mereço.. sò pra rimar. O que eu questiono é a quantidade de selinhos que surgiu de uma hora pra outra na blogosfera e a quantidade de pessoas para as quais “temos” obrigatoriamente que repassar os benditos selos. Eu nao faço essas coisas por obrigaçao de fazer. Se é obrigaçao acaba por perder o sentido de mérito, nao acha? Sei là, eu comecei a achar chato, sabe?

Pra encerrar (finalmente affff!.. esse post tà parecendo a Carta de Pero Vaz de Caminha de tao longa!) eu quero agradecer às pessoas que me acompanham nessa aventura blogosférica (existe isso?)desde sempre. Quero agradecer também aos que me seguiram nessa nova fase da nova vida que iniciei na Italia, aos queridos e queridas que me visitaram desde a minha ultima blogagem coletiva e deixaram recadinho e aos que vem chegando de mansinho sem dizer nada. Quero especialmente saudar esses novos amigos e dizer: Sejam bemvindos ao meu Mundo Novo.

Beijo.Ciao.

LuLu.

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Na Sicilia, onde eu moro, cada festa importante tem alguma correspondencia  culinària. Nao acho que seja à toa a fama de “bons garfos” dos italianos, em geral. Na verdade, seja Natal, dia dos pais, ou cada uma das milhares de festas religiosas (levadas, em geral, muito a sério) em quase toda regiao da  Italia  existe  algum prato representativo, tradicional, com razoes historicas e repetido desde os tempos do onça.

Ovelha de pasta de amendoaEntao, na grande ilha, tem  uma  pitoresca tradiçao pascal de nos deliciarmos, depois de um rico almoço festivo, elaboradissimos doces que além de deliciosos, ficam lindos de se ver nas vitrines das docerias e confeitarias em toda a cidade. Um tipo muito  caracteristico se chama  “picureddi di pasta reale“.  Sao ovelhas moldadas com “pasta reale” (a famosa pasta de amendoa – produto tipico da Sicilia), que representam o cordeiro do sacrificio de tradiçao religiosa e paga muito antiga, e se diferenciam na forma, complementos e na decoraçao de acordo com a àrea de origem. As mais comuns estao deitadas sobre um prado verde, dentro de um recinto cercado, decorado de confetinhos multicoloridos e possuem uma bandeirinha no lombo. A que eu ganhei da minha sogra no ano passado é assim.

Ovo pintado à maoO ovo é simbolo de vida e de ressureiçao. E’ do ovulo feminino que se origina a vida, assim como sao ovais as glandulas sexuais masculinas; e é também do ovo que se gera a vida dos oviparos. Jesus Cristo, com a ressureiçao, transformou a sua morte em uma nova vida e muitas vezes o nascer é representado com um pintinho saindo do ovo. O ovo figura também em muitas e variadas delicias tradicionais da Pascoa e sempre foi seu maior simbolo porque representava o renascimento da natureza nas tradiçoes pagas, coincidindo com a chegada da primavera. Esse da foto foi pintado por mim e presenteado aos meus sogros.

biscoitos_de_pascoa_2009Outro famoso doce siciliano é conhecido em Palermo, a capital da Sicilia como: “pupo cu’ l’ova“, ou como sao conhecidos na cidade que moro – Catania – “aceddo cu’l’ova“, em dialeto siciliano que quer dizer ave com ovo, recordam exatamente essa tradiçao e sao de uma época em que nem se imaginavam os ovos de chocolate de hoje em dia. Estes, sao paezinhos ou biscoitos pascais, muito difundidos em toda a Sicilia, assumindo varios nomes de acordo com a tradiçao local, moldados nas mais varias formas, antropomorfas, zoomorfas, mas sempre com um ovo cozido, inteiro, às vezes com casca e tudo, que é inserido na pasta.

biscoitos_de_pascoa_2009_04_11-017Dizem que os tais “aceddi cu’l’ova“, aves com ovos – até uns cinquenta anos atràs, eram (sempre a mesma massa de pao/biscoito) moldados preferencialmente na forma de pomba (por isso o nome) tendo no centro do corpo um ovo cozido (com casca) recoberto com duas listinhas de massa, formando uma cruz. Hoje quase desapareceu a forma antiga de molde, de pomba, mas a criatividade é infinita e cada um libera sua fantasia, e faz a forma que lhe dà na telha, remodelando a tradiçao.

biscoitos_de_pascoa_2009_2As mammas e nonnas, em casa, no sàbado da vigilia da Pascoa, preparam tantos “aceddi” quantos saos os membros da familia, além de outros muitos biscoitinhos (feitos com sobras da massa) em formas mais simples, sem ovo, e todos decorados com confeitos coloridos, tornando-os ainda mais alegres e gostosos.

Entao, nesse ultimo sàbado, passei uma agradàvel manha “impastando” com as mulheres da familia do marido Ernesto, me sentindo parte de algo muito grande e muito bonito, tradicional, ritualistico e aprendendo algo mais além do que fazer biscoitos.

A receita voce encontra na aba de receitas là em cima do blog ou clicando aqui.

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Qui si mangia bene!

A gastronomia italiana original é caracterizada por sua diversidade de influências, aromas e pratos pouco conhecidos no Brasil. pesquisamos o que é que esta culinária tem de especial para conquistar paladares por todo o mundo

TEXTO Júlia Zillig

Pizzas e pastas. Ao falar em cozinha italiana no Brasil logo se pensa nesses dois pratos, servidos nas velhas conhecidas cantinas e pizzarias. Isso acontece por conta das referências históricas trazidas pelos imigrantes italianos. A massa era colocada à mesa, aos domingos, quando a família se reunia, e também em dias de festa, para celebrar. E o mesmo acontecia com a velha redonda. O pão e o salame também não faltavam. No entanto, quando se pensa em gastronomia italiana, o céu é o limite. O universo de referências é extremamente vasto e diferente em cada região da Itália, também influenciado pelas várias colonizações, mudanças sociais e políticas ao longo das décadas. O resultado disso: uma gastronomia com grande riqueza de sabores e aromas.

Antes de abordar a culinária das principais regiões da Itália, vale contar um pouquinho sobre aspectos históricos que são determinantes na definição da gastronomia multifacetada do país. As raízes da cozinha italiana encontram-se no século IV, na Idade Média, vindas das influências árabes, principalmente na região da Sicília, que expandiu sua culinária regional com o amplo uso de produtos vindos do Oriente Médio, como é o caso das especiarias. Do oriente, veio também uma invenção chinesa trazida pelo viajante Marco Polo: o macarrão.

Já no século XVII, foram os espanhóis que deixaram sua marca na cozinha da Itália, adicionando produtos vindos da América, como tomate, batata, feijão, milho, cacau, rum e café. A França também colocou sua marca. Na época de Napoleão Bonaparte, os franceses agregaram outros itens, como produtos derivados do leite (manteiga e creme de leite).

O intenso comércio de alimentos durante o Império Romano, que movimentava a cidade de Roma, trouxe caravanas com alimentos vindos de vários países da Europa, África e Ocidente. Cereais, pães, vinho, azeitona, legumes, frutas frescas, amêndoas, nozes, avelãs, queijo, ovo, porco, carneiro, galinha, faisão, avestruz, javali, etc. Já com o Renascimento, os banquetes exagerados deram lugar a uma gastronomia mais refinada, com requinte e sobriedade nos pratos. Menos especiarias, mais leveza e apresentação.

Os italianos valorizam os ingredientes de sua região. Abusam de molhos e temperos e de pastas, peixes, frutos do mar, carnes com cortes diferenciados como ossobuco, escalope de vitela, entre outros. O azeite de oliva é praticamente a base da gastronomia italiana, juntamente com temperos de ervas frescas como alecrim, salsa, sálvia, tomilho, manjericão, manjerona, entre outros. Bottarga, funghi porcini, anchova, mussarela de búfala completam o pacote na confecção dos pratos.

RÚSTICO ORIGINAL – Na região central da Itália, onde fica Roma, a gastronomia local é considerada uma cozinha mais “simples”. É conhecida pelo melhor nhoque do país. “É uma região sem grandes influências da culinária européia, não tinha aristocracia e era devotada ao papa”, conta o chef italiano Marco Renzetti, proprietário do restaurante Osteria del Pettirosso, em São Paulo (SP), que tem a proposta de oferecer a culinária romanesca original. Marco conta que o lado religioso influenciou fortemente a cozinha de Roma. Por conta da propagação dos ideais cristãos, ligados à pobreza, a cultura gastronômica da região evoluiu nas mãos dos camponeses, feita à base de ingredientes fortes, com a presença de gorduras animais, carne de carneiro e porco.Já a comunidade que não era ligada à igreja católica – os hebreus, por exemplo – desenvolveram uma culinária mais refinada. “Eles usavam muito peixes e frutos do mar, além de verduras”, diz Marco. Um dos pratos célebres é o Carciofala Gildea, feito com alcachofras. “As folhas de alcachofra na Itália são comestíveis, fritadas no azeite.”

Um dos queijos mais utilizados na culinária romana é o pecorino. Por conta de seu desenvolvimento local e preço mais acessível do que o conhecido parmesão (ou parmiggiano), ganhou espaço nos pratos. O Spaghetti alla Carbonara é outro prato vindo de Roma. No entanto, no Brasil é feito com creme de leite, sendo que o original é feito com ovos, pecorino e panceta. “Roma nunca foi referência em relação à sofisticação, mas tem pratos deliciosos.” Molhos como matriciana, putanesca, por exemplo, hoje também conhecidos no Brasil, saíram desta região.

No restaurante Pettirosso, Marco conta que faz alguns pratos que seguem a escola gastronômica La Macellara, que abusa de miúdos de animais. Um dos pratos é um rigatone com tripa de vitela de leite cozida com tomate, pimenta e toucinho de porco. “Aqui no Brasil esse tipo de prato é desconhecido.” Ao contrário do que se pensa, na gastronomia romanesca o vinho branco é bastante utilizado para marinar carnes. “São carnes mais novas.” Leitão e carneiro são algumas das mais servidas.

RIQUEZA VERSÁTIL – Na região norte da Itália – Piemonte, Vêneto, Ligúria -, a influência francesa é fortemente notada. Risotos feitos à base de muita manteiga, massas frescas e polenta fazem parte do cardápio. “O risoto é um prato versátil”, diz o chef e banqueteiro italiano Carlos Bertolazzi. Queijos grana padano, fontina, parmesão e as famosas trufas brancas são destaques nessas cidades.O risoto mais conhecido é o alla parmiggiana, feito com queijo parmesão. Logo depois, o alla millanesa, com tutano de boi e açafrão. O de funghi porcini também se tornou um clássico, inclusive no Brasil. “Os brasileiros ainda conhecem pouco da gastronomia de cada região da Itália”, opina Carlos.

As carnes são cozidas no vinho, mas com menor quantidade da bebida, dando suavidade e leveza ao prato. “Na Lombardia, se come muito a Costoletta alla Milanese. Usam a parte da carne da costela do boi”, diz Carlos. Por ser uma região montanhosa, há uma forte tradição pelos assados e cozidos, incluindo a utilização de especiarias como cravo, anis estrelado e canela. “Nos restaurantes do norte, é raro encontrar pratos à base de molho de tomate, algo freqüente no sul.”

Frutas secas e avelãs compõem grande parte das sobremesas. É do norte que sai o tradicional Tiramissu e a Panna Cotta. “Naquela região, por conta da pecuária bovina nas montanhas, o acesso ao creme de leite e à manteiga é maior”, diz Carlos. Uma das iguarias mais importantes da gastronomia italiana está exatamente na região de Piemonte. A trufa de Alba, menina- dos-olhos de chefs do mundo todo, sai dos bosques do Piemonte. Com uma descrição peculiar, algo único, a trufa é um produto caro, mas adequadamente harmonizada com massas frescas e principalmente com ovos com gema mole.

As massas no norte são frescas – diferentemente da região central, onde são mais secas. A polenta, outro grande prato da região, é feita com sêmola mais grossa. “A polenta era um prato feito pelos italianos mais pobres. Os camponeses comiam-na de manhã, como se fosse um mingau. Depois de endurecida, cortavam em pedaços e fritavam, para molhar no molho de peixe.” Hoje, a polenta é um tradicional acompanhamento de ossobuco de vitela e servida com muito charme.

TRADICIONAIS E ROBUSTOS – Na região sul da Itália, a influência da dominação espanhola é marcante, além das referências gregas e turcas. “É uma cozinha forte, com muitos contrastes entre o doce e o salgado”, diz Marco. Frutos do mar, peixes, pasta feita de grão duro e sem ovo, pães robustos, muito molho de tomate e pizzas. “Existe uma predominância para sobremesas fritas, como é o caso do canole”, conta Carlos.

Com uma enorme diversidade de aromas, sabores e influências, a gastronomia italiana é referência ao redor do mundo. E com certeza deve continuar deixando suas marcas ao longo dos anos.

Fonte: Portal espresso: www.revistaespresso.uol.com.br

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cucina_del_sole_2009_04_08-Diploma

Cucina del Sole invadiu a minha vida.

‘A partir de hoje, tenho oficialmente curso de culinària na Italia, mas além do fato de que o mundo dà muitas voltas (nao sei como nao ficamos tontos) eu nao sei ainda, exatamente, o que mais um curso significa na minha vida. Sei também que estou bem  orgulhosa desse meu primeiro passo no novo mundo, dessa primeira sementinha plantada na minha nova història.

Missao cumprida.

Os frutos virao… Assim como outras sementes… Me aguarde.

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… Mas nao foi nem perto daqui.

Foi numa regiao chamada Abruzzo. O epicentro foi sob a cidade de Aquila e seus municipios.
Clicando aqui voce ve o ponto vermelho que é Aquila, e Catania, onde eu moro, fica na Sicilia que é a grande Ilha que se ve abaixo, fora da “bota”.

sat_italia

No dia 22 de março desse ano, ou seja, alguns dias atràs, essa mesma cidade sentiu uns leves tremores de terra (magnitude 2.3).  Entao… todo mundo se apavorou, pirou, pediu ajuda dos universitarios e tudo, pra saber o que fazer: sair de casa por precauçao? Ou ficar? Bom, os (i)responsàveis do governo mandaram todos ficarem belos, tranquilos e em casa, com todas as explicaçoes cientificas possiveis, afirmando categoricamente que nao era nada perigoso. Os registros mostravam tremores desde janeiro, e cada vez mais fortes, mas ninguem disse nada à populaçao. Na verdade, dizem, sim. Dizem que nao se pode prever um terremoto e qualquer pessoa que disser o contrario é processada por alarmismo.

Deu no que deu.

Nesse ultimo domingo – 05 de abril – por volta de meia noite, a populaçao de Aquila sentiu o primeiro grande tremor de terra e por volta de 3:30 da madrugada o golpe que destruiu tudo (magnitude 5.8). Ainda agora se sentem dezenas de tremores, em toda a regiao, que destruiram completamente  a pequena cidade de Onna, e hoje ainda, por volta de 19:45, um novo forte tremor (magnitude 5.3) que foi sentido também na regiao vizinha, de Lazio, em Roma, provocando alguns desabamentos.

Somente em L’Aquila até esse momento:

Jà sao 235 vitimas oficiais.

17 dessas ainda nao identificadas.

15 pessoas ainda desaparecidas.

1500 pessoas feridas dos escombros.

Mais de SETENTA MIL pessoas desabrigadas.

Os danos ao patrimonio històrico sao incalculàveis.

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A B. do blog Brasil Na Italia publicou uma notinha de uma polemica que eu resolvi reproduzir aqui:

Polêmica italiana: laranjada sem suco de laranja!
A notícia foi divulgada em todos os jornais italianos e trata-se da mais nova polêmica do momento: o senado acaba de aprovar uma lei européia que elimina a obrigação de um conteúdo mínimo de 12% de suco de laraja nas laranjadas. Os agricultores estão furiosos e dizem que é um dano para a saúde e para os negócios.

A primeira impressão é que se trata de mais uma reclamação de quem não tem o que fazer. Mas parando para refletir, podemos imaginar o prejuízo para os agricultores que vivem da produção de laranja, e passarão por uma redução consistente de venda em uma época dita de crise. Ainda por cima, a prejuízo do consumidor, que perde em qualidade do produto.

Para quem quiser saber mais, confira algumas das manifestações: artigo no jornal La Nazione e discussão em outro blog (os dois em italiano).

 

A notinha me atinge diretamente. Primeiro porque a unica bebida, digamos assim, nao-natural ou fabricada, que eu tomo é a tal da laranjada, gasosa ou nao. Sem contar o vinho, claro, que nao falta nunca. Segundo porque  essa medida é um grande contra-mao no movimento natural de busca de bem estar, de garantir um minimo de qualidade nos alimentos que venho vivendo. Eu sò nao, o mundo inteiro!  Mas por outro lado, refletindo bem, se os caras nao garantem que a laranjada tenha no minimo os 12% de suco natural e vitamina C garantidos até entao, eu vou acabar tomando SOMENTE suco natural (o que é òòòtmo!) e no fim das contas quem sai ganhando sou eu. Hehehehehe.

Eu e a minha eterna sindrome de Pollyana. Voce conhece esse livro? Poisé, ando numa fase total de “jogo do contente”, viu?

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Saudade de prosear por aqui, de contar os causos, as cronicas diàrias. Pra matar essa saudade de tantos dias de ausencia e pra entender mais um pouco do meu mundinho siciliano resolvi fazer uma especie de manual cultural para marinheiros de primeira viagem e selecionei algumas curiosidades:

 O pessoal daqui é louco por futebol tanto quanto os brasileiros, e como tem tantos craques que jogam na Italia, sempre sabem o nome de algum jogador: Kakà, Cafu, Dida, Ronaldo, Ronaldinho..
 A primeira observaçao que fazem quando eu digo que sou brasileira é: Nossa, como voce é solar! Eu nao sei exatamente o que significa, mas  desconfio  que é porque eu sou bem branquela (branca, luz, sol, solar… sei là!) e eles achavam que toda brasileira era escura.
 A primeira pergunta cretina que me fizeram: Voce dança? Ta certo que foi dito por uma pessoa que parece que nao pensa, mas pra maioria dos italianos todo brasileiro sabe sambar e toda brasileira ou é passista de escola de samba ou é mulata do Sargenteli. 
Na Sicilia onde eu moro, no verao é um calor do cao! Em 2007 eu peguei  47 graus!! No inverno é um frio desesperador, ao menos pra mim que nao to acostumada, mas o maximo que peguei aqui foi 2,3 graus abaixo de zero. A coisa mais linda do inverno é a neve!
Aqui chove muito no outono e no inverno, sao verdadeiras tempestades.
 Em compensaçao na primavera, que começa agora, o calor vem chegando devagarinho e o mundo se enche de flores! E’ lindo demais! Os dias sao muito bonitos, sem chuva, e esse periodo maravilhoso continua até o final do verao.
No auge do inverno amanhece as 08h da manha e anoitece as 16h e no auge do verão, amanhece as 06h e anoitece as 20h.
Uma amiga do curso de culinaria me disse que dà para sacar quando uma pessoa é brasileira porque nòs usamos pouca maquiagem e muitos colares (mesmo no inverno). Hehehehe me deu vontade de rir do generalismo, mas eu sou assim mesmo! 
Os banheiros e as cozinhas nao tem ralo no chao!!! Isso mesmo, nao dà pra lavar  jogando  àgua e sabao! Eles usam àgua com detergente e um tal esfregao que chamam de “mocho”. Cada um tem seu jeito, né? Eu jà fui logo subvertendo as coisas, girei a cidade inteira, achei um rodo e dei um jeito de lavar com àgua e sabao e nao apenas com detergente! Onde jà se viu nao enxaguar com àgua até o pano sair limpinho como a minha mae me ensinou!!
Faxineira aqui é artigo de luxo e cobra de 6 a 10 euros por hora!! Sao quase 30 reais por hora!!
 Manicure que no Brasil eu tinha, em casa, toda semana aqui passou a ser artigo de ultima necessidade. Cariiiissssimmo! Pra falar a verdade qualquer tipo de serviço de beleza é um absurdo e desde que estou aqui fui ao salao somente umas 5 ou 6 vezes.
 O lençol de cama nao tem o “virol”, ou seja os lençois nao tem aquela emenda que nos permite colocar o desenho da roupa de cama virada pra cima, o avesso pra baixo e ainda assim virar a pontinha do lençol e continuar com o mesmo desenho.
Algumas contas da casa vem bimestralmente ou trimestralmente ou ainda semestralmente. Isso me faz tomar cada susto com as contas de àgua, gàs e luz por exemplo.
 Cheque depositado demora DEZ dias uteis pra compensar!
 No cinema todos os filmes sao dublados em italiano. Todos. Nao existe filme legendado com som original.
 No cinema, bem no meio do filme tem um intervalo de uns 15 minutos e aparece escrito numa tela branca “INTERVALLO”. Hahahahaha. Eu morri de rir a primeira vez que eu vi isso. De nervoso. Sei là pra que é isso. Acho que é pra sair pra fumar, pra comer ou pra ir ao banheiro, mas eu acho um absurdo interromper o clima do filme bem no meio.
Come-se pao TODOS os dias em todas as refeiçoes e massas quase todos os dias. Habitualmente as refeiçoes sao divididas assim: um primeiro prato – massa, risotto, salada de arroz, batatas ou polenta.. segundo prato: carnes, peixes, aves, salames, frios, queijos, verduras acompanhadas de pao… salada depois ou junto com o segundo… e pra finalizar: fruta fresca ou seca depois da refeiçao.

E aì? Gostou?

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Ontem foi meu onomástico, ou seja o dia de uma santa que tem o mesmo nome que eu.

Santa Luísa de Marillac (1591-1660)

 SantaLuisadiMarillac

A Santa que lembramos no dia 15 de março nasceu em Paris em 1591 com o nome de Luísa. Recebeu ótima formação humana e cristã e casou-se com Antônio, tendo na vida uma só criança. Depois de um certo tempo Antônio morreu, mas em Luísa em Deus conseguiu superar. Santa Luísa muito religiosa começou a fazer direção espiritual com São Vicente de Paulo, que percebendo o coração de Luísa envolveu nas confrarias de caridade. A Santa se identificou e assumiu com tanto amor a obra de caridade para com os doentes e pobres que não demorou em tomar a frente e mais tarde ser a escolhido do Espírito Santo para fundar em 1634 a Congregação das Irmãs da Caridade. O lema desta Congregação era o clamor de S. Paulo: A caridade de Cristo me impele”. Mesmo nos tempos mais difíceis Santa Luísa viveu o carisma com suas irmãs que iam crescendo em número e santidade. Durante uma peste que arruinou com Paris Santa Luísa chegou a atender todas as classes sociais já que na sua espiritualidade encarnada via e servia Cristo no pobre. Entrou no céu com 70 anos, depois de se consumir pela caridade.

Confesso que ninguém se lembrou. Nem eu.

Voce pode procurar o santo com o seu nome no site:

http://www.paginaoriente.com/santosdaigreja/santosdata.htm

Ou ainda aqui: http://www.nomix.it/onomresult.php

Dia 07/11 é o onomàstico do marido Ernesto: Sant’ Ernesto di Zwiefalten.

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Protesto Terceiromundista!!

To que to. Acabei de voltar do dentista.

Nao vou nem me estender falando da minha teoria da conspiraçao envolvendo  profissionais pseudo-dominantes tais como: medicos, advogados, mecanicos e dentistas  – as quais somos constreitos. Vou apenas manifestar minha indignaçao com a qualidade da maioria das prestaçoes de serviço aqui na Italia.  Pelamordedeus! Sofri hoje, viu? E nao era nada tao complicado assim, nao. Fui trocar a coroa de um dente! To com a boca bem machucada e ainda estou sob efeito da anestesia. Imagine quando passar! Ai!  Bem que tinham me avisado. E eu acostumada com as maozinhas de fada da minha MA-RA-VI-LHOSA dentista no Brasil!

Sò sei de uma coisa, viu? Primeiro mundo é a p#$%&*§£… !!!!!

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Meu vizinho é um vulcão

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Etna – março/2009

Fotos By LuLu na Italia ©

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Continuando a retrospectiva do ultimo ano…

Mamae_ErnestoOGNINA – No finzinho de agosto minha mae veio do Brasil me visitar. Nem preciso dizer que foram tantas emoçoes, nè? Ela pirou o cabeçao de tanto que curtiu o velho mundo. Mal peguei mamae no aeroporto e jà fomos dar um passeio pela orla, na cidadezinha de Ognina. De cara ela ficou impressionada com a linda e maravilhosa cor azul do mar Mediterraneo.  E’ mesmo de babar, viu? Pra quem no Brasil morava a mais de 1.500 Km de distancia do mar, morar numa ilha e pertinho do litoral jà é um deslumbre. E sabemos bem aproveitar esse privilégio.

Familia_EtnaETNA – Minha mae é uma senhora, jà beeeem senhora que apesar dos cabelos brancos, que ela insiste em nao pintar, é bastante enxuta e fortona para os seus 75 anos maravilhosamente vividos. A véia (como eu carinhosamente a chamo) além de vir conferir o mundo novo da filhinha e abençoar o nosso lar, tinha um grande sonho para realizar aqui: conhecer o vulcao Etna – meu vizinho. No telefone antes de vir ela sò falava nisso. Jà tinha virado até piada que na verdade ela nao tava nem aì pra mim, que o que queria mesmo era ver o tal vulcao! Hehehehe! E tinha que ver lava! O passeio de subida é sempre maravilhoso, mesmo que jà tenha feito varias vezes. Meus sogros foram junto pra prestigiar o momento e depois almoçamos no restaurante tradicional que fica bem na base do vulcao. Minha mae adorou, mas jà soltou esses dias ao telefone que da proxima vez que vier tem que ver o Etna de novo, sò que com neve! 🙂

AcicastelloCASTELOS– Como boa rainha que é mamae teve todos os seus sonhos e desejos devidamente   satisfeitos  e ainda de Castello di Lombardiaquebra conheceu mais ruinas historicas e alguns castelos pra depois poder contar pra sua netinha (minha sobrinha Brunequinha) que é uma princesa. Visitamos Acicastelo e seu Castello Normanno, depois fomos visitar o Castello Ursino que fica no centrinho de Catania e por ultimo viajamos pra conhecer o Castello di Lombardia em Enna.

Fontana di TreviROMA – No meu aniversario, em setembro, minha mae me presenteou com uma viagem à Roma e, entao, fomos nos tres passar uma semana na internacionalmente  conhecida como “A Cidade Eterna”. Foi delicioso rever alguns dos pontos turisticos mais famosos do mundo junto com ela. Até porque nao cansa nunca (re)visitar  a Fontana di Trevi, a Piazza di Spagna, o Pantheon, Coliseuo rio Tevere, o Colosseu, o Forum Romano, o Arco di Constantino, o museu do Vaticano, a Piazza San Pietro, a Capela Sistina, a Bocca della Verità, a Piazza Navona, a Via Condotti, a Piazza Italia, a Ilha Tiberina, os aquedutos, o Castello di Sant’Angelo, a Via Appia, as termas, a Santa Scala, o Palacio Imperial, as igrejas, as fontes, as praças, os obeliscos …

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Eu acredito em renascimento. Acredito em muitas vidas. Acredito que nesse ultimo ano comecei a trilhar uma nova estrada, de uma maneira tao distinta que posso dizer que estou recomeçando uma nova vida. Mas apesar de tanta coisa diferente, tem uma que é sempre igual: o imenso amor que sinto pelas palavras.

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O livro da minha vida

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No dia de nosso matrimonio a irma do marido Ernesto, Milena, nos presenteou com um livro que simboliza tudo o que vivi e tenho vivido. O livro, de Brian Weiss, Molte Vite, Un Solo Amore (Muitas Vidas, Um sò amor) é a historia de um medico psiquiatra que afirma ter provas de que exista  a reencarnaçao, através dos relatos de varios de seus pacientes em transe hipnotico.

O livro tem como personagens principais Elisabeth, uma norte americana que depois de uma historia de amor inadequada é lançada na estrada da depressao, e Pedro, um bem sucedido jovem mexicano marcado pela morte de um ente querido e depois por uma indecisa relaçao com uma mulher casada. Os dois sao pacientes do doutor Weiss e nao se conhecem, mas o doutor, que por haver escutado historias de suas vidas passadas, percebe que eles se amaram em uma vida anterior e que parecem destinados a se reunirem novamente nessa vida atual.

O livro conta a historia de um casal de nacionalidades, trajetorias e mundos completamente diversos mas que, como almas gemeas, se encontram e se unem de uma maneira muito especial.

Quando lhe consentimos de fluir livremente,

o amor supera qualquer obstaculo.

– Brian Weiss –

 

Nada é por acaso.

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Essa semana estou completando um ano de Italia! Resolvi contar um pouco do que foi esse primeiro periodo aqui. Quero mostrar alguma coisa do que vi, do que ouvi, do que li… do que vivi.

Começo, entao, com a retrospectiva das cidades que visitei. Um pedacinho de cada lugar, mais ou menos uma por mes, sò pra dar um gostinho. Se quiser saber mais sobre alguma delas me pergunta que eu conto mais depois, ok?

Torre de BelémLISBOA – Nos casamos no comecinho de fevereiro e viajamos em seguida de lua-de-mel para Lisboa.  Tava um frio desgraçado e eu sofri, viu? Mas passamos momentos deliciosos e foi tao gostoso passear pela cidade e conhecer um pouco dos antepassados do meu paìs. O mais engraçado era estar na Europa e falar portugues! Hehehehe… Nossa lingua é realmente uma boa mae. Graças a ela me sentia confortavel e segura no primeiro contato com o mundo novo.

Catedral de Catania

Catedral de Catania

CATANIA – A cidade que me acolheu. A terra do marido Ernesto, na ilha, na Sicilia. Um lugar especial que tem sua vida marcada por terremotos e erupçoes do vulcao Etna… E’, eu tenho um vulcao como vizinho… Mas nao é ele que me mete medo, e sim o frio. Tà, sou muito friorenta  e ainda peguei, de cara, uma sinusite e uma conjuntivite, duas chatices que me obrigaram a ficar mais quietinha e ir me adaptando aos poucos. O primeiro dia de sol e consequentemente de liberdade foi em março e aproveitamos para um passeio no centro historico.

Paisagem de Agira

Paisagem de Agira

AGIRA – Em abril o marido Ernesto começa a trabalhar numa cidade da regiao central da Sicilia. Fizemos, entao nossa primeira viagenzinha com o objetivo de mapear as estradas de acesso e conhecer o posto onde ele trabalharia de guardia médica. A cidadezinha, tipica de regiao de montanha,  pequenininha, acolhedora e simpatica nos brindou jà desde a estrada com uma paisagem de inicio de primavera, prados verdes e muitas flores. Parecia uma pintura! Uma beleza!

Castelo de Sperlinga

Castelo de Sperlinga

SPERLINGA – Em junho fomos conhecer Sperlinga que é uma comuna italiana da regiao central da Sicília, província de Enna, com cerca de 963 habitantes. Pequeninissima estende-se por uma área de 58 km2. (Fonte: Wikipedia). Sua maior atraçao è um raro exemplo de castelo rupestre, em parte escavado na rocha, provavelmente no periodo anterior aos Siculos (povos originarios da Sicilia, pre-greos – XII-VIII seculo a.C.), em parte costruido sobre a mesma rocha, entorno ao ano 1000. E’ um castelo muitissimo bem conservado, dentre os que eu jà vi, um dos mais  preservados e ainda foi totalmente restaurado hà uns 20 anos atràs. De cima do castelo temos a visao panoramica de 360° do centro da ilha. De tirar o folego!

Mosaicos em Villa del Casale

Mosaicos em Villa del Casale

ENNA  – Em julho, jà em pleno verao, fizemos muitas viagens. A maior parte dos passeios foi na Sicilia central,  com seus castelos,  torres e sitios arqueologicos diversos. Num fim de semana aproveitamos e visitamos, no centro da cidade de Enna a Torre de Federico, o Castelo di Lombardia e depois pegamos a estrada e fomos conhecer ainda o internacionalmente famoso sitio arqueologico de Piazza Armerina , a Villa del Casale, com os mais bem preservados exemplares de mosaicos romanos (do IV seculo d.C.), distribuidos numa àrea de mais de 3.500 m2., reconhecidos como patrimonio historico da humanidade pela Unesco.

Roccalumera e a bòia rosa

Roccalumera e a bòia rosa

PRAIAS – Em julho, ainda, o calor pega! Mas dessa vez, ao contrario do frio, nao tive nada do que reclamar, foi sò alegria! A bola da vez foram as praias. Como estamos numa ilha, voces podem imaginar, o que nao falta é litoral pra conhecer. Teve Marina di Cottone, Letojanni, Santa Maria La Scala, Giardini Naxos, Roccalumera, Brucoli… Sò pra citar a parte oriental da ilha. Teve passeio de uma manha, de um dia inteiro, de fim de semana, de alguns dias, com amigos, com a familia e ao meu lado o marido Ernesto….  além da minha bòia rosa. E’, eu me aventuro em qualquer aguinha, pocinho, lago, rio, mar ou até poça de chuva… mas sempre com minha fiel companheira.  Se eu sei nadar? Sei, mas me apeguei a essa amiga inflavel num periodo dificil da minha vida e hoje, mesmo nao precisando mais dela, nao abro mao do conforto e da alegria que ela me proporciona. Ah! Jà aviso logo: nao dou, nao vendo e nao empresto!

Bom, por hoje paro por aqui. Amanha mudo o tema e continuo com a retrospectiva  falando das coisas que eu li nesse ultimo ano. Lembrando que amanha é dia da blogagem coletiva proposta pelo blog Fio de Ariadne e o tema é O livro da minha vida, ao invés de contar sobre o livro que marcou a minha “antiga” vida, resolvi falar dos livros representativos desse periodo da minha “nova” vida… desse admiravel mundo novo da LuLu.

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Festa de Sant’Agata

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Nao sou catolica. Nao sou “carola”, nao sou devota de nada, nem religiao definida eu tenho. Tenho, isso sim, uma fé inabalavel na humanidade, um amor incondicional pelos seres humanos no caminho da luz, do bem, da evoluçao e sou muito sensivel a manifestaçoes publicas de afeto.

Dito isso, confesso que eu me envolvi nos ultimos dias com a festa de Sant’Agata, a padroeira daqui da cidade onde moro, Catania na Sicilia e fiquei, como hà muito tempo nao ficava, completamente emocionada com a coisa toda.  Como toda grande festa tem coisa boa e coisa òtima e coisa ruim. Eu nao gosto, por exemplo, dos exagerados, dos maniacos por religiao, dos exibicionistas de plantao em nome da fe e o que me atinge realmente, como um golpe em cheio no peito, sao as manifestaçoes mais simples, os gestos mais singelos…. E tem também tanta coisa que gira em torno da historia da santa que me fez refletir muito sobre a fé.

Agata tinha quatorze anos de idade e jà tinha uma fe extraordinaria em Cristo e na grande novidade da época de que existia um sò deus. A historia toda da menina aconteceu aqui em Catania, no ano 251 d.C numa época em que a religiao oficial , imposta severamente pelo imperador romano Trajano Decio (249-251d.C), era aquela que adorava varios deuses, venere, mercurio, marte, giove, apollo… Ser “cristao” naqueles tempos de grande perseguiçao e implicancia romana nao somente era considerado um absurdo, quanto era perigoso e contra a lei do imperio. Imagine que nao tinha televisao, nem jornal, nem revista, nem livro direito e a tal historia do Judeu que veio pra salvar a humanidade, toda era repetida de boca em boca. Os ritos que falavam de corpo e sangue de cristo mostravam, pra quem nao entendia direito, a cristantade confundida com uma seita macabra. Imagine! Pois entao, a menininha, filha de pais abastados, vinda de boa familia, que podia ter tudo o que quisesse, inclusive o marido que escolhesse, cheia desse sentimento que nao se explica direito la fede, ou seja a famosa , na época de sua maioridade consagrou-se, ou melhor, decidiu dedicar a sua pureza, sua virgindade, e sua inteira vida a um tal de Cristo que, os boatos na época diziam ser um filho de Deus, ter vivido entre os homens, morrido na cruz a maneira romana usual para eliminar os piores criminosos e que pra completar a loucura avisara ainda que todos deveriam começar a despertar a sua consciencia para a nova realidade: Deus é um, assim como todos nòs.

A jovem, segundo dizem, era linda além do normal do que sao lindas as mocinhas dessa idade. Nos seus vinte e um anos, à época da consagraçao,  foi ardentemente cobiçada pelo governador da cidade – Quinziano que tentou corrompe-la de todas as maneiras. Ela nao deu a menor bola, e continuou no seu caminho, com certa liderança  junto com algumas dezenas de outros jovens e cristaos que se reuniam fora dos muros da cidade, às escondidas, para contar e recontar as lendas de cristo, para meditar, para orar, para catequizar… Ja imagina no que deu, nè? Tirania, orgulho ferido, frustraçao, abuso de poder, cobiça pelos bens da familia da jovenzinha e tanta maldade dentro do tal governadorzinho de merda o fizeram instaurar um processo para encarcerar a jovem lìder em nome da antiga lei dos romanos. Ai! A parte que se segue me faz chorar sempre. O seu martirio, que durou varios dias, Agata passou dentro de uma gelada cela subterranea  sem um quadradinho sequer de ar e luz externos, sem comer, sendo violentamente torturada fisica e moralmente…  Continuamente  foi chamada a depor diante dos juizes, foi interrogada pelo proprio Quinziano que a provocava tentando convence-la a repudiar publicamente seus ideais e a adorar os deuses pagaos no que ela respondia com muita segurança, tranquilidade, e aquela certeza que ninguem consegue explicar senao pela fé. Depois de ter apanhado muito, de ter uma mama arrancada, o corpo queimado com ferro quente e de ser “assada” nua em brasas, morreu na noite do dia 05 de fevereiro de 251.

… 😦

Tem muitas historias assim dos primeiros cristaos. Tem até piores. Tirando o romantismo das historias narradas, e alguns equivocos, a meu ver, meio masoquistas, todos tem um ponto em comum: o de nao haverem renegado aquilo que acreditavam até a morte.

Serà por isso que sao inspiraçao pra tanta gente? 

Serà por isso que sao chamados santos?

Quantos de nòs seriamos capazes de morrer por um ideal… de fé?

* Pra esclarecer: FEDE (italiano) = (portugues)

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Viva Sant’Agata

Cittadini, siamo tutti devoti tutti!!!

Sant'Agata

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Se-los

SELOS, se nao te-los como sabe-los?

blogagem-coletiva O primeiro selo é para divulgar que esse mes volto a participar de uma blogagem espontanea e coletiva que acontecera no dia 17 de fevereiro. A proposta partiu da Vanessa do blog Fio de Ariadne e se chama: O livro da minha vida.

Todo mundo pode participar e para isso as regras sao:

1. Deixe seu nome e blog là na caixa de comentários do post do blog  Fio de Ariadne (clique aqui);
2. Pegue là o selo da coletiva ;
3. Faça um post sobre o evento no seu blog, contendo este passo-a-passo e divulgue o selo;
4. Prepare na data marcada um post falando sobre o livro, sobre a experiência de lê-lo, o que marcou, o que quiser falar sobre ele. Trata-se do livro da sua vida, você é quem manda.

 

Agora… atençao! Rufem os tambores!!!!!  Toquem as trombetas!!!!! Cortem-lhe a cabeça!!… Ops, nao, essa foi em outro mundo… hehehehe 🙂

Tambores, plis!

selo_premiodardos1 Bom, respeitavel publico, o segundo selo é um delicioso presente, uma especie de homenagem, que eu recebi da B. do site Brasil na Italia (que eu sou fan de carteirinha). E eu fiquei tao emocionada, mas tao emocionada, que esse selo entrou pra minha listinha daquelas coisas que quando acontecem a primeira vez a gente nunca esquece. Primeiro pela honra de ser indicada por um site que eu considero o melhor site da blogosfera para quem quer dicas sobre qualquer assunto relativo a Italia e segundo pelo selo em si, o Prêmio Dardos que, como a propria descriçao que ela coloca no site diz,  visa “reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento  vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras“.

Chique, nè? 😉

Bom, o premiado deve seguir as seguintes instruções:
1. Exibir a imagem do selo em seu blog
2. Linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação
3. Escolher outros blogs a quem entregar o Selo Prêmio  Dardos
4. Avisar aos escolhidos

Os meus “selados” são:

Eu na Austria

Olha que eu achei

Olhem pr’ò que me deu

Pra gente ser feliz

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Neve

 mosaico_neve_21

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Comemoram-se hoje 64 anos da libertaçao do campo de concentraçao de Auschwitz-Birkenau e para que as vítimas nao sejam esquecidas, a Organizaçao das Naçoes Unidas determinou que este, passaria a ser o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Hoje, entao, em toda a Italia foi um dia dedicado à memoria dos milhoes de judeus exterminados durante a Segunda Guerra Mundial. Manifestaçoes publicas, filmes, documentarios e uma profusao de debates nao deixaram passar em branco esse periodo verdadeiramente memoràvel. A idéia principal é nao esquecer o horror que foi aquilo tudo e nao permitir, com o possivel esquecimento, que qualquer coisa semelhante possa acontecer novamente na historia da humanidade.

A mim, no fundo, muito além das imagens de seres humanos em agonia extrema e dos numeros que conhecemos, mais de 6 milhoes assassinados, o que mais marcou foram os numeros estatisticos que mostram que, atualmente, 12 em cada 100 italianos se declaram abertamente antissemitas e 25 em cada 100 italianos sao antipatizantes de judeus. 😦

Nao sei os numeros de outros paìses, mas a questao nao é essa. Ainda que fosse UMA unica pessoa no mundo a declarar essa sandice, e olha que digo isso observando piamente o exercicio de respeito pela divergencia de idéias que tento praticar na minha vida, me sinto muito mal, quase doente com essa història, como se esse sentimento que nasce na alma de um ser e que o faz julgar-se tao diferente ou melhor do que outros seres a ponto de desejar eliminà-los, fosse como um virus a contaminar a saude da unidade a qual fazemos parte.

Somos um.

Nesse dia da memoria… e todos os outros também… nao se esqueça disso.

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Protesto a Napolis

Riccardo Siano

Foto: Riccardo Siano

Em Napolis, as fontes dos jardins da piazza Municipio, a fonte da alcachofra na Piazza Trieste e Trento e a fonte TAtafiore na rua Scarlatti, no Vomero, foram coloridas de vermelho. Dentro delas boiam dezenas de folhetinhos assinados Cuib Napoli, uma sigla que se refere a alguns circulos de extrema direita. Nos folhetos da fonte da piazza Municipio aparece ainda uma cruz celta e o texto:

27 dicembre 2008-18 gennaio 2009, Palestina Operazione “Piombo fuso“. 1203 morti, 5300 feriti. Il mondo è rimasto a guardare sull’orlo della fossa seduto.

 

27 dezembro 2008 – 18 janeiro 2009, Palestina Operaçao  “Chumbo Fundido”. 1203 mortos, 5.300 feridos. O mundo  permaneceu  a olhar na borda da vala,  sentado.

Fonte: La Repubblica.it

A Operaçao “Chumbo Fundido” (em lingua hebraica: מבצע עופרת יצוקה; também chamada, incorretamente, de Operaçao “Chumbo Grosso”) é uma grande operação militar das Forças de Defesa de Israel, realizada na Faixa de Gaza, à partir do dia 27 de dezembro de 2008, sexto dia da festa judaica de Hanucá. Em lugar destes nomes, a maioria do mundo árabe utiliza o termo Massacre de Gaza (em língua árabe: مجزرة غزة) para descrever os acontecimentos.

A ação militar israelense ocorreu dias após o fim de um acordo de cessar-fogo, que vigorou por seis meses, firmado entre o governo de Israel e representantes do Hamas, partido majoritário no Conselho Legislativo da Palestina e que controla a Faixa de Gaza. Como Israel não suspendeu o bloqueio à Faixa de Gaza e não cessou os ataques ao território palestino, militantes do Hamas anunciaram o encerramento oficial da trégua de hostilidades com Israel e passaram a lançar foguetes e morteiros em direção ao sul do território israelense. Dias depois do anúncio que resultou no fim da trégua, o grupo palestino ofereceu uma proposta para renová-la. Em 27 de dezembro de 2008, as Forças de Defesa de Israel iniciaram as operações militares, com o objetivo oficial de interromper os ataques de foguetes contra o território israelense.

Foi a ação militar mais intensa contra um território palestino desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. No primeiro dia da ofensiva militar, a força aérea israelense lançou mais de cem bombas em um intervalo de quatro minutos, incluindo bases, escritórios e campos de treinamento do Hamas nas principais cidades da Faixa de Gaza, entre as quais Cidade de Gaza, Beit Hanoun, Khan Younis e Rafah. Também foram alvos de ataques a infraestrutura  civil, incluindo casas, escolas e mesquitas; Israel disse que destes locais são disparados muitos dos foguetes palestinos ou servem para esconder munição, e portanto não seria alvos civis.

A marinha israelense também bombardeou alvos e reforçou seu bloqueio naval à Faixa de Gaza, resultando em um incidente com uma embarcação civil. Militantes do Hamas intensificaram os ataques de foguetes e morteiros em direção ao sul de Israel, atingindo cidades como Beersheba e Ashdod.

Na noite do dia 3 de janeiro, começou a ofensiva por terra, com tropas e tanques israelenses entrando no território palestino.

No dia 17 de janeiro, o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert anunciou uma trégua unilateral a partir da madrugada do dia seguinte. O movimento Hamas também anunciou um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza de seus militantes e grupos aliados. O representante do grupo, Ayman Taha, afirmou que a trégua valerá por uma semana para que os israelenses possam retirar suas tropas da região. O Exército de Israel declarou que retiraria suas tropas da Faixa de Gaza até a posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos da América, no dia 20 de janeiro.

Fonte: Wikipedia

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pacote_Brasil

Demorou (MUITO!) mas chegou o pacote que a mamae mandou com roupinhas de frio, presentinhos, bombom Sonho de Valsa, geleia de goiaba, doce de leite, fubà mimoso, polvilho azedo… hummmmm. Jà me empolguei e logo logo vou fazer pao-de-queijo.

GuaranàPra completar a felicidade, descobrimos, no centro da cidade, uma especie de empòrio de produtos internacionais e “etnicos” que vende de tudo um pouco do mundo inteiro, e là encontramos, leite de coco, àgua de coco, suco de maracujà e  GUARANA ANTARTICA!!!!!

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Lingua madrastria

Se tem uma coisa que eu nunca aprendi direito, quando eu estudava lingua portuguesa, foi a usar proclises e mesoclises e agora, estudando italiano,  elas aparecem obrigatoriamente, mesmo na maneira mais coloquial de falar, e entao, vou ter que aprender na marra e sem reclamar.

E eu vou pegar firme nesse troço e vou aprender essas benditas até o talo, sem resmungar, ou eu nao me chamo mais LuLu.

Ou melhor.

Esforçar-me-ei de maneira determinada e aprende-las-ei… ah,se nao.. sim que aprende-las-ei completamente e nao queixar-me-ei, ou nunca mais permiti-vos-ei chamar-me LuLu.

Hehehehe  🙂

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Inverno

LuLu na Italia ©

Foto: LuLu na Italia ©

A nova estaçao começou oficialmente no dia 21 de dezembro, com o solsticio de inverno, que é o dia em que o sol està mais longe da Terra e também é o dia mais frio e mais curto do ano para quem està no hemisfério Norte.

O sol nasce, nesse dia, aproximadamente às 7:30 e se poe às 16:30. Isso mesmo, nessa época do ano, às cinco horas da tarde aqui jà é noite. Dà pra imaginar um dia com apenas 8 horas de sol? Poisé e ainda por cima nao é aquela Brastemp de sol, nao, aqui, por exemplo, tem chovido.. e chovido… e chovido.. por dias e dias à fio, sem tregua, sem balsamo, sem direito a choro e ranger de dentes.

No norte da Italia em algumas cidades a temperatura chegou a 30 graus negativos e, na maioria da regiao, a constante sao tempestades de chuva, nevascas de matar cristao, neblina, estradas interditadas e cidades inteiras isoladas.  Nao sei se voce sabe que a neve se forma nas camadas mais altas das nuvens, quando a temperatura la em cima esta muito abaixo de zero. Isso é comum em grandes altitudes, mas nem sempre a neve chega ao chao, pois à medida que os flocos se aproximam do solo e a temperatura aumenta eles derretem. Um tipo de neve, chamada umida, surge entre os zero e 5 graus negativos,  e outro tipo, a neve molhada, cai entre o zero e 1 grau negativo. Aqui onde moro, uma das regioes mais quentes da Italia, que seria como o nordeste brasileiro em relaçao ao Brasil, a minima tem girado em torno de 6 graus positivos, imagine. Bom pra mim, que sofro demais com o frio, ainda estou me adaptando, e por isso nem consigo me imaginar vivendo no norte, abaixo de zero. Cruiz credo! Mas… consequentemente, nao tem neve. Merda.

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Intrépida

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

– Fernando Pessoa –

 

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A regra manda tirar a decoraçao de Natal no Dia de Reis, ou seja, ontem, mas como eu sou uma menina rebelde, ja deve ter dado pra notar, eu nao tirei. Nao tirei e nem vou tirar agora e pronto. Tiro quando eu quiser, oras!

Nao entendo nada direito desse tema festivo de fim de ano, e assumo, mas como é que eu posso entender um evento que começa com uma menininha do oriente médio (provavelmente da Faixa de Gaza, hein?), adolescente e virgem que engravida depois da visita de um tal “anjo” (humm, sei), que quase é apedrejada pela mentira de dizer que ainda continuava virgem  apesar do barrigao e por isso é obrigada a casar com um homem décadas mais velho pra nao ser julgada uma vadia? Nao bastasse esse começo tragico e muito mal contado, ela e o marido tem que fugir às pressas de um rei maluco que os perseguia e ameaçava matar, viajando num lombo de burro, ela coitadinha, gravida de 9 meses, acabando por parir no meio de, sabe-se là onde, vacas, ovelhas e cabras.

Desde que a criança nasce eles nao tem mais privacidade com tanta gente, pastores e curiosos que vieram visitar o remelentinho. Teve até a chegada antologica de 3 reis que viajaram meio mundo no oriente pra encontra-los seguindo uma estranha estrela, um cometa, um rabo de foguete ou um alinhamento de planetas, nao se sabe ao certo, e ao invés de plano de saùde, remédios, comida e roupinhas tamanho PP, pro recem-nascido trazem de presente mirra (que ninguém sabe direito o que é), incenso e, ainda và là, ouro.

Pra història ficar logo bem bizzara, tem uma espécie de padrinho, um velhinho de barbas brancas, que deve ser tarado, pois coloca qualquer criancinha que ele ve pela frente no colo e elas ainda o chamam de “papai”. Coroando a bizzarice com chave de ouro ainda tem arvores com bolas penduradas (serà que é um simbolo fàlico do velhinho pedòfilo?) e  personagens da terra do nunca: anoes ou duendes ajudantes do velhinho sacana, mulheres vestidas com minisaias sensuais e gorrinhos vermelhos, veados que voam e, do lado de cà das Zoropa, tem também uma tal de Befana, ou Epifania, uma bruxa que, supostamente, enche uma meia de balinhas (nunca comam balinhas de estranhos, crianças!) para presentear as crianças, justamente no Dia de Reis, mas sò se elas forem boazinhas, porque do contràrio ela enche as meinhas é de carvao!

Olha sò quanta doidice! E tem gente que ainda nao entende porque é que eu sou rebelde!

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Tem coisa que a gente nao aprende por pura preguiça ou porque nao prestou atençao direito. Tem coisa que jà começa a fazer parte do DNA e nao precisa mais nem pensar pra fazer. Tem coisas que enriquecem, aprimoram, tem outras que ferem, marcam feio, entristecem, mas aprender ainda é o mais importante.

Aprendi, por exemplo, que começar é apenas o primeiro passo e nao nos garante nada durante a caminhada. Devemos nos manter atentos, muito atentos, aos minimos detalhes, a nòs mesmos, aos outros e além. E, seja com frio, sol à pino, chuva, granizo, vento, neve, sombra e agua fresca caminhar em boa compania é muito mais prazeiroso.

Jà aprendi a me comunicar muito bem na lingua italiana, leio perfeitamente,  falo bem, ainda que com um sotaque inconfundivel, começo a me atrever a escrever algumas coisinhas e tenho me saìdo razoavelmente bem. Com a nova reforma ortografica brasileira parece que estou desaprendendo é o portugues.

Aprendi que a primeira vez a gente nunca esquece… se for muito boa ou se for muito ruim, porque se for mais ou menos a gente esquece sim.

O mundo inteiro tem problemas sociais, problemas economicos, preconceito,  ignorancia, gente doida e todo tipo de dificuldades. Somente  distante do meu paìs é que aprendi o significado das palavras naturalidade, nacionalidade  e cidadania.

Concordo plenamente que “escrava-remunerada”, ou empregada-doméstica, seja uma profissao que deva ser, no minimo, muito valorizada e revista com muito cuidado, pois aprendi que o serviço de casa é indigno, como bem definiu uma amiga-amada. Considero limpar, lavar e arrumar chato, banal, cruel, cansativo, nojento, repetitivo e  nada recompensante. O pior é passar roupa.. affff-maria… que sacooo!!! Cozinhar, é a unica coisa que compensa.

Aprendi a comer pasta ou pao todo dia, a comer queijo todo dia e a tomar vinho quase todo dia. Na hora de falar o meu peso depois das festas de final de ano eu olho pro lado, assovio e mudo de assunto, ok?

Aprendi que o prazer de comer depende muito do meu estado de espirito. O gosto que tem um sorvete de pistacchio que eu tomei sentada na Piazza de Spagna em Roma, no dia do meu aniversàrio, em companhia de minha mae-D.Conceiçona e do marido-Ernesto, por exemplo, nao é o mesmo do  sorvete de pistacchio que eu tomo aqui na pracinha em  Trecastagni  na Sicilia, em frente ao cinema, numa terça-feira qualquer depois de assistir o filme da semana com o marido-Ernesto, ainda que sorvete de pistacchio  seja  bom de todo jeito e o sorvete italiano seja o melhor do mundo!

Saudade era uma coisa que eu jà sabia, mas aprendi a conviver diariamente com ela, tal e qual um calo, daqueles beeeemmm antigos, que incomodam e apertam, mas a gente dà uma lixadinha pra ajeitar, ou muda de sapato pra afrouxar e sai pra rua assim mesmo.

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Foto By LuLu na Italia ©

Foto By LuLu na Italia ©

 

No fim

tudo dá certo,

se não deu certo

é porque ainda não chegou ao fim.

– Fernando Sabino –

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FELIZ MUNDO NOVO!

Eu nao sou muito de balanço pessoal de fim de ano, sabe? Essa famosa avaliaçao do ano que passou, o que se realiza e o que se deixa de realizar, me acomete à época do meu aniversàrio, quando, aì sim, eu repenso os meus projetos pessoais e guardo o horizonte dos meus planos privados com os olhos da experiencia que vivi, tomo um folego e continuo a tocar o barco.

Esse tal “fim de ano”, fabricado forçadamente pelo calendario Gregoriano tem pouco efeito sobre mim. Tirando os fogos de artificio, que eu adoooro!! Hehehehe. Falando sério, nao vejo muito sentido em contar o ano, assim como determinaram, sem um referencial forte ligado a qualquer transformaçao, entende? Sem, por exemplo, um solsticio, sem um alinhamento planetario, sem alguma representatividade energetica, sem uma conexao com algo maior. Essas festas simbolicas, repetidas mecanicamente e comercialmente  me soam falsas, incompletas e vazias. Tenho a sensaçao de que algo se perdeu das antigas tradiçoes, e era algo da qual eu fazia parte.

Bom, na pratica eu repenso meu papel nesse mundo quase todos os dias. Sério, sem exagero. Tenho permanentemente uma sensaçao intima, latente, de fazer parte de algo muito além do pequeno nucleo onde estou vivendo fisicamente e reflito muito mais sobre o que eu possa melhorar no grande universo do que sobre coisas paupaveis.

Hà alguns anos venho seguindo algo que posso chamar de minha luz interior e é essa luz que me inspira, me impulsiona e guia o meu caminho. Mesmo tendo que comer, dormir e viver como uma mortal da face da terra eu sinto que preciso também manter essa luzinha acesa, viva, forte e pra isso procuro meditar, refletir, estudar, acentuar os meus valores e ainda manter a conexao dessa luz com a luz das outras pessoas. As luzinhas todas juntas, caminhando juntas, conscientes, evoluindo, crescendo, aprendendo, com os mesmo propositos do amor, da generosidade, da coletividade, do respeito, formam uma unidade. Essa unidade que jà é, ou seja, jà existe, somos nòs, todos os seres conscientes do universo. Essa unidade é agregadora, motivadora por si sò. Essa unidade é tranquilizadora,  protetora e definitiva. Fazendo parte dessa rede de luz sò nos cabe guardar a direçao e caminhar sempre avante. E é nisso que eu tenho pensado durante o ano todo, todos os dias, serena, segura e determinada. Unidade, entao.

Feliz mundo novo pra todos nòs!

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Ofensa ou elogio?

Eu evito comentar alguns aspectos, digamos assim, nao muito produtivos, sobre a imagem que o Brasil tem na Italia, mais precisamente a imagem das brasileiras. Tem coisa triste, generalismos grosseiros que acontecem em todo o mundo, falta de informaçao… Tem cada coisa absurda que chega a ser ironico.

Por exemplo, aqui passa quase todo dia uma propaganda de uma calcinha que promete levantar os gluteos deixando-os mais encorpados e sensuais. A propaganda é bem séria, nada de esculhambaçao, tem até um tom meio cientifico, com imagens de computaçao grafica mostrando como seria o efeito da tal calcinha, sabe como é? Até aqui tudo bem, né? Poisé, sò que tem um detalhe, a apresentadora, tipo shop time, com voz sensual, promete, e repete até dizer chega, que as telespectadoras que usarem o produto ficarao com um sedere brasiliano, ou seja um “bumbum brasileiro”.

 Ai..ai… eu posso com um negòcio desses?

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 coisasdobrasil2-1

Em minha primeira participaçao numa blogagem coletiva* tinha que ser esse o tema, claro. Porque eu falo quase todo dia do mundo novo, a Itàlia, essa terra admiràvel que me recebe com muito amor, mantenho a patota atualizada com os temas da ilha do lado de cà do oceano mas, meu coraçao, quando bate, bate mesmo é pelo meu paìs. E é com lagrimas nos olhos, taquicardia, as maos tremulas, frias e suadas, que vou abrir a caixa da emoçao pra registrar aqui o que refletem as minhas pupilas dilatadas quando se fala de Brasil: Brasilia.

A primeira coisa, entao: ordem. Pra quem quiser entender um pouquinho, aviso: tudo por là é dividido em setor. Isso mesmo, tem setor de tudo o que se tem numa cidade. Tudo. Setor de hoteis, de motéis, de hospitais, setor comercial, setor residencial, setor de autarquias, de industrias, de diversoes… Tudo. Aprendi logo cedo no hospital Santa Luzia, e logico, no setor hospitalar, que fica pertinho da avenida W3. Foi num dia de cidade esvaziada, como acontece às  vésperas de Dia da Independencia, numa sexta-feira, quinto dia de setembro, em 1969. Foi feriado em nossa casa. Como tudo na cidade, organizada, nasci Maria Luiza. 

Organizaçao, sim, é a primeira palavra que ela nos traz, e também muita luz e muito verde, como bem percebeu o marido Ernesto em sua primeira visita à capital do Brasil. Muito mais do que uma “maquete”, c0mo é sarcasticamente  citada pelos superficiais, e muito além de seu plano  horizonte,  minha cidade natal representa o meu centro. . . O eixo.

O eixo central divide as asas, numa cruz-aviao. Norte-sul, Leste-Oeste, ou West, formando os tais setores, alguns constituidos de predios residenciais: as quadras. Na infancia aprendi o que era uma quadra, e nao bairro. E quadra é pra mim sinonimo de mini-mundo, de liberdade, de alegria, espaços abertos, muitas crianças, poeira vermelha e parquinho de areia. Vivemos até os meus 3 primeiros anos num predinho de 3 andares na quadra 416 no final da asa sul. Daqueles do projeto original de JK. A nossa era uma das poucas quadras completas, mas ainda cheia de vaos livres, o que deixava minha mae apreensiva, as vezes, e a me recomendar sempre para andar em grupos. Em Brasilia teve um sequestro de criança famoso. Nem tudo sao flores.

Falando em flores, devagarzinho ao longo de seus 40 e poucos anos a poeira vermelha do cerrado foi mudando e dando lugar a arvores frondosas e sempre verdes, jà imaginadas no projeto original. Junto com arvores nativas, pequiseiros, jatobàs, jameleiros, mangueiras, estao os meus preferidos, os sazonais e alegres Ipes que enfeitam Brasilia a cada estaçao com cores fortes e vibrantes. Tem um em especial, amarelo, que simboliza pra mim a vista da janela de nosso apartamento na 210 sul.  O dia-a-dia sempre foi rico também em belezas naturais. Furia de ventos, raios, relampagos e trovoes, granizo e neblina.  Beleza rara e comum, principalmente  em dias de chuva e arco-iris. Paisagem digna de arrepios de tao linda.

A minha cidade me impulsionou desde cedo a caminhar sozinha, a fazer escolhas responsaveis, a estudar muito, a decidir com segurança, a conviver com as diferenças… Minha cidade segrega, infelizmente, mas colore muito mais suas ruas com gente de todo o paìs e do mundo, assim como os Ipes o fazem. Minha cidade tem o menor indice de acidentes no transito, é exemplo no respeito à faixa de pedestres é o segundo maior PIB do Brasil, mas tem sujeira além da beleza, tem coragem e medo, violencia e paz, tem polìticos, politica e corrupçao, tem distinçao social, racismo e miscigenaçao,  tem pobreza, tem riqueza…  Minha cidade tem liberdade de fé, tem misticismo, tem cientologia, arquitetura e engenharia ousadas, tecnologia de ponta, modernidade, tem respeito e diversidade… tem a promessa de ideais de muitos …  tem Brasil.

Minha cidade, acima de tudo, tem potencial pra crescer e virar gente grande.  Eu nasci e cresci là. Um dia, alcei voo, segura em suas asas, e vim parar bem longe em busca dos sonhos acalentados naquela infancia feliz vivida ali . Mesmo distante ouço sua voz me lembrando que somos todos unicos, originais e em constante evoluçao e que devo fazer a minha parte pra construir um mundo melhor. Mesmo distante ela nao pàra de me ensinar. A ultima coisa, enfim: progresso.

*Iniciativa de blogagem coletiva da Andréa Motta do blog Leio o mundo assim.

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Ar-vores

BouganvilleAcirealePzza. Sta. Maria di GesùAbete

Em casa

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cucina_del_sole

Sole, sol, propriamente nao tinha, primeiro porque nessa época do ano aqui chove muito e segundo porque chegamos là sempre pouco antes das 19h, mas à primeira vista a casa nos recebe com uma porta imponente, uma entrada e um pàtio interno amplos que, seguramente, no verao devam ser plenos de luz e dignos de Apollo – o deus do sol e da luz da mitologia greco-romana. A luz se faz certamente presente em todos os ambientes, plenos de mimos e memorias, nos esboçando antecipadamente um pouco da padrona da casa, a senhora Eleonora Consoli. Esperamos numa sala de pé direito bastante alto, com uma lareira finamente decorada com gatos de porcelana trabalhada e grandes livros de arte, enquanto todos os participantes terminam de chegar. Somos 17 ao todo. A anfitria chega depois de alguns minutos e nos recebe com seu andar ralentado pelos muitos anos vividos e um sorriso tenro mostrando-se aos poucos  exatamente o que eu havia imaginado de uma matriarca siciliana, segura de si, forte, lucida e muito rica de estòrias pra dividir, além de deliciosas receitas culinàrias. Muito inteligente, e culta. Segundo ela mesma afirma, cultura e culinaria andam juntas. Eu concordo. A riqueza da cultura e a tradiçao sao transmitidas com tal naturalidade que imagino quantos tesouros de muitas partes do mundo aquela nobre senhora deva ter visto.

A cozinha, muito grande e ricamente equipada passa a ser quase como uma sala de audiencia de uma representante da nobreza antiga cercada de suditos. Dignidade, sim, mas com simplicidade, entende? Percebe-se alì ainda a diversidade, a modernidade e como nao poderia faltar numa verdadeira cozinha, muito amor. Antes de mais nada a senhora nos ensina a primeira grande liçao: cozinhar é doaçao, cozinha-se essencialmente para os outros. Outras liçoes vao sendo passadas com sua suavidade e força: a importancia do amor, de compartilhar, a generosidade, enfim, valores primordiais para a humanidade, e claro, muuuuita comida gostosa!!!!!

De concreto, deixo aqui uma foto-simbolo dessas primeiras liçoes.

Tortellini

Em minhas maos o meu triunfo: pasta di casa – feita por mim.

E pra fechar com uma frase-chavao, porque eu hoje to terrivelmente brega, sensivel e emocionada, confirmo que: o primeiro tortellini a gente nunca esquece. 🙂

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Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo.

– Renato Russo – 

Dias agitados, amici.

Por isso dei uma pequena sumida.

Ontem foi aniversàrio da minha sogra, Dona Liana.

Hoje teve curso de culinaria Siciliana La Cucina del Sole.

To bem cansada, mas to felizona. 🙂

Depois eu conto tudinho, tà?

Beijo, ciao.

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INVERNO

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PRIMAVERA

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VERAO

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OUTONO

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Voce sabia que na Italia, como na maior parte da Europa, o açucar é extraido da beterraba? Isso mesmo, o açucar que eles chamam somente zucchero aqui é branquinho, normal, mas é da beterraba roxa que conhecemos, fazemos salada crua, comemos cozidinha… O açucar de cana-de-açucar também é vendido, em menor escala, e eles o chamam de zucchero de cana. A Europa cultiva 120 milhoes de tonelada de beterraba e produz 16 milhoes de toneladas de zucchero bianco; a França e a Alemanha sao as maiores produtoras mas, com exceçao de Luxemburgo, cada paìs da Uniao Europeia extrai açucar da beterraba em quantidade suficiente para atender 90% de seu consumo interno.

Bem, com numeros assim, eu, que adoro beterraba, rica em ferro, docinha, saborosa, temperada com um fio de azeite e uma pitadinha de sal, imaginei: me dei bem, pois aqui deve ter uma fartura dessa raiz à minha disposiçao. Né, nao? Saio a caça logo nas primeiras compras e nao via a dita cuja, barbabietola, como eles a chamam. Procurei feito doida e nao achava nunca no supermercado. Estranho, nè? Isso me intrigava e passava pela minha cabeça: serà que eles usam toda a beterraba na produçao do açucar e nao sobra pro consumo interno?  Jà estou aqui hà mais de 8 meses e nada de encontrar. Essa semana, finalmente achei a tal barbabietola num supermercado que abriu a pouco tempo. Estavam là na geladeirinha do setor horti-fruti, embaladas à vacuo, jà cozidas, beeem roxinhas, lindas. Meio caro mas, a vontade foi mais forte e comprei, pronto. Fiquei tao feliz! Fiz no almoço do mesmo dia, do jeitinho que eu gosto, ainda  acompanhada  de carne de panela e um arroz branquinho. Toda animada com o cardàpio “brasileirinho”  ofereço pro marido minha iguaria, e ele olha, assim, meio desconfiado… E sò aì é que eu descubro: Ernesto nunca tinha comido uma beterraba em toda a sua vida.

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Sicilia casa mia

Me toquei que nunca falei do lugar onde vivo. Essa terra quente e àrida de um povo fascinante, alegre e acolhedor, onde fui muito bem recebida e sou muito amada. Essa ilha onde devagarzinho e com muito cuidado estou construindo o ninho da minha nova famìlia.

Sicilia

Da Wikipedia, l’enciclopedia libera.

A Sicília é a principal ilha do Mar Mediterrâneo com 25 710 km² e 5,1 milhões de habitantes. De forma triangular, a Sicília tinha na antiguidade o nome de Trinacria. E’ uma região autônoma com estatuto especial da Itália meridional, cuja capital é Palermo. Esta região é composta das seguintes províncias: Agrigento, Caltanissetta, Catania (onde eu moro), Enna, Messina, Palermo, Ragusa, Siracusa e Trapani.

A ilha é separada do continente na altura da Calábria, na península itálica, pelo estreito de Messina, que possui apenas três quilômetros de largura. Devido à sua posição geográfica, a Sicília sempre teve um papel de importância nos eventos históricos que tiveram como protagonistas os povos do Mediterrâneo.

A vizinhança de múltiplas civilizações enriqueceu a Sicília de assentamentos urbanos, de monumentos e de vestígios do passado que fazem da região um dos lugares privilegidos onde a história pode ser revista através das imagens dos sinais que o tempo não apagou. Trata-se de uma região riquíssima em monumentos antigos e sítios de interesse arqueológico, como por exemplo: Agrigento, Selinunte, Siracusa, Segesta e Taormina.

E’ uma regiao antiquissima. Foram encontrados vestigios humanos que datam de 10.000 anos a.C. Entre o XIII e  o VIII seculo a.C., o periodo precedente à chegada dos Gregos na Sicilia, a ilha era subdividida entre quatro povos: os Siculos, os Sicanos, os Elimos e os Fenicios.

A língua oficial falada na Sicília é o italiano, mas praticamente todos os sicilianos são bilíngües, pois também falam o siciliano, (u sicilianu), considerada língua e não dialeto, falado também na Calábria meridional e na zona do Salento (Puglia).

A própria região e também as ilhas circundantes têm intensa atividade vulcânica. Os vulcões principais são: Etna, Stromboli e Vulcano.

O texto que posto acima tem trechos que foram traduzidos por mim da Wikipédia em Italiano, trechos que copiei do portugués e mais alguns dados que peguei com Ernesto. Meu marido, aliàs, é muito orgulhoso da terra onde nasceu. Temos muita coisa em comum.

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Onomástico

Onomástico
(o.no.más.ti.co)

1. Lista de nomes próprios;

2. Relação dos nomes próprios de uma língua;

3. Explicação dos nomes próprios, ou estudo ou obra sobre os nomes próprios;

O onomastico, como tradiçao italiana, é o dia de um santo, e todas as pessoas que tem o mesmo nome do santo, nesse dia, fazem uma celebraçao. Por exemplo: quem se chama Ana comemora no dia 26 de julho, dia de Santa Anna, as Lucilas e as Conceiçao comemoram dia 8 de dezembro.
Quando comecei a namorar com Ernesto descobri que esse tal onomastico é levado a sério na Italia.  Nao poderia ser diferente num paìs taaao catolico quanto aqui. Antigamente, era considerado tao ou mais importante do que o dia do aniversário! No dia do onomastico de alguém tem festa e presente igual a dia de aniversàrio. As pessoas telefonam para dizer Auguri ! que significa Parabéns!

Quando é o seu Onomastico?
Você pode procurar o santo com seu nome aqui.

Ou ainda aqui: http://www.nomix.it/onomresult.php

Dia 15/03 é o meu onomàstico: Santa Luisa De Marillac

Hoje é o onomàstico de Ernesto 🙂 07/11: Sant’ Ernesto di Zwiefalten

AUGURI amore mio!!!!! 🙂

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A feira

 

 

A història da humanidade està repleta de referencias a feiras. Nao se sabe ao certo onde e quando apareceu a primeira feira, no entanto hà dados que mostram que em 500 a.C. jà havia feiras no Médio Oriente.

Os primeiros relatos de feiras aparecem misturados com referencias ao comércio, às festividades religiosas e aos dias santos. Feiras sempre revelaram um aspecto comercial, onde mercadores de terras distantes juntavam-se, trazendo os seus produtos para trocar por outros.

 Apòs a decadencia do Império Romano, as feiras medievais representaram o momento no qual ressurge o comércio na Europa, no final do século XI. A Europa saía do feudalismo, no qual as pessoas viviam em territórios limitados, no qual produziam tudo o que precisavam, sendo que quando algo faltava, conseguiam-no através de trocas.

Começaram a surgir as feiras medievais, que de tao importantes interrompiam guerras e a paz era garantida para que os vendedores, dispostos lado-a-lado, pudessem trabalhar com segurança. Os mercadores medievais realizavam as transições comerciais e intermediavam trocas numa atividade eminentemente itinerante. As feiras medievais eram instaladas em locais estratégicos, como o cruzamento de rotas comerciais, e algumas chegaram a ter abrangencia internacional. Enquanto o povo que se movia de barraca em barraca, prosseguindo nas compras dezenas de saltimbancos, fazendo malabarismos, procuravam divertir quem ali passava.

Até os dias de hoje a feira tem um ar de alegria, uma bagunça organizada, um misto de cheiros, pessoas, cores… Adoro!!! Aqui na minha cidade tem feira quase todos os dias. Espalhadas por varios cantos. Algumas fixas outras itinerantes. Essa feira das fotos fica no centro històrico de Catania é permanente e é enoooorme. Meus sogros vao no minimo duas vezes por semana em feiras diversas e compram sempre frutas, verduras, queijos, salames e peixes fresquinhos. Jà sao conhecidos dos feirantes e tem uma manha pra escolher e negociar que impressiona! Hehehehe.. Adoro ir com eles pra aprender e conhecer mais coisas desse mundo novo.

Fotos By LuLu na Italia © ……………………………………………………………………………………………….

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Distancia

Hà alguns dias atràs mudou o horàrio no Brasil. O relògio avançou 1 hora.

A diferença de fuso entre Brasil e Italia passou para +4 horas.

Aì…

Nesse sàbado ùltimo mudou o horàrio na Italia. O relògio retrocedeu 1 hora.

A diferença de fuso entre Brasil e Italia passou para +3 horas!

 

Eu sei que a distancia continua a mesma. Mas tenho a sensaçao de que estou mais perto agora.

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Comecei a falar de Roma, ontem, e deu vontade de falar mais.

Roma é a cidade capital da Italia, localizada na parte central da bota, na regiao do Lazio. Segundo o mito romano, a cidade foi fundada em 753 a.C. (data convencionada) por Romulo e Remo, dois irmaos criados por uma loba, que sao atualmente símbolos da cidade. Outro dia conto essa història dos irmaos. Entao, desde o sec VIII a.C. tornou-se no centro da Roma Antiga – depois do Reino de Roma, da República Romana e do Império Romano – e, mais tarde, dos Estados Pontifícios, do Reino de Itália e, por fim, da República Italiana. Seu “apelido”, ou seja, como é chamada internacionalmente é: A Cidade Eterna, imagino que seja por toda a sua história milenar. Me lembrei hoje das aulas de història do Pio XII, com a professora Aparecida (que Deus a tenha) citando repetidamente, quase que cantando, as famosas sete colinas que compoe o seu centro histórico: Palatino, Aventino, Esquilino, Quirinale, Viminale, Campidoglio e Celio. Os nomes sao os originais italianos, mas tem adaptaçoes de cada lingua. Custei a lembrar todos, sempre faltava um, aì, fui conferir na Wikipédia. Acabei achando uma espetacular imagem de Roma, vista de um satélite.

Wikipedia

Foto: Wikipedia

Roma espalha-se pelas margens rio Tibre, ou Tevere em Italiano. Esse grande e central traço azul que se ve na foto. O Tibre é o terceiro rio mais longo da Itália, depois do rio Pò e do Adige. Nasce na Toscana, atravessa a Umbria, depois o Lazio e desagua no Mar Tirreno. Nao é por acaso que a cidade abraça o rio, desde a fundaçao de Roma, segundo o que li, o Tibre sempre foi a alma da cidade. fazia parte do dia-a-dia, do comercio, do transporte, da vida como um todo. Todas as colonias pré-romanas que convergiram à Roma històrica estavam nas proximidades do Tibre, com um interessante detalhe: porque o rio sempre foi sujeito a inundaçoes fortìssimas e imprevistas, os cidadaos nunca puderam estabelecer-se muito proximos de suas margens. A parte mais segura corresponde a regiao proxima a Ilha Tiberina, e de fato é onde foi construìda a primeira ponte de Roma (Ponte Sublicio) e o Forum Romano, o centro nervoso da grande cidade.

Durante séculos a cidade sujeitou-se aos caprichos do Tibre, até que em 29 de dezembro de 1870 uma catastròfica inundaçao, que chegou a atingir mais de 17 metros além do nivel normal do rio (as aguas chegaram até a Piazza di Spagna!!), foi literalmente a “gota dàgua” para a construçao de um sistema de defesa da cidade contra a furia de seu rio. Depois de muita polemica e muitos anos pra escolher um projeto que fosse considerado definitivo, pois envolveria, desvios de se curso, elevaçao de margens, demoliçao de prédios e soterramento de vias històricas. Depois ainda de 50 anos de obras, assim, nasceram as famosas muralhas do Tevere. Muita coisa se perdeu durante e depois da construçao concluìda. Dizem que a cidade perdeu, literalmente, o contato com seu rio.

Talvez por isso hoje exista um projeto, lindo, que acontece no verao ao longo do Tibre, ao nivel da àgua e nao sobre a murada, com mais de um quilometro de barraquinhas com artesanato, restaurantes, bares, espaços de bem estar, exposiçoes de fotografia e arte, festivais de musica e de cinema, vindos de toda a Italia e de outros paises da Europa também. Foi là que passei meu aniversàrio desse ano. Minha mae veio do Brasil e passamos, ela, Ernesto e eu uma semana em Roma. Curtimos a programaçao do Tibre no entardecer e à noite jantamos num restaurante delicioso, à beirinha do rio, na Ilha Tiberina, là mesmo, onde toda essa estòria começou. Caminhando pelas margens fiz uma foto. O sol tinha acabado de se por, tinha pouca luz e a minha digitalzinha tà longe de ser uma Brastemp, mas eu queria registrar a lua sobre o Tevere pra guardar de presente aquele rio grandioso que contribuiu para um dia muito especial.

Foto By LuLu na Italia ©

Foto By LuLu na Italia ©

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Tudo dominado

Hoje um programa muito interessante chamado Atlantide exibiu um documentàrio mostrando as construçoes que existem sob a cidade de Londres e no meio da matéria abordou a origem Romana da grande metropole. Pois é, nem eu sabia mas a cidade que iniciou a grande capital inglesa de hoje, foi fundada, sim, pelos Romanos às margens do rio Tâmisa, em 43 d.C. e se chamava Londinium. Pensei cà comigo: Esses Romanos estao em todas! Comecei, entao, a pesquisar sobre o império Romano e encontrei essa animaçao que mostra a evoluçao da dominaçao por todas as terras que margeiam o Mar Mediterraneo. E’ absolutamente impressionante. Imagine que naçoes inteiras como Espanha, Portugal, Inglaterra, Egito… eram TUDO Roma! Se lembrarmos ainda que o mundo ocidental mercantilista, produtivo, quase todo se resumia nessa parte do Mediterraneo, os caras dominaram o mundo por doze séculos inteiros. 

Roma é uma cidade extraordinària. Sua riqueza do ponto de vista històrico é incomparàvel, e isso nem se discute, mas é encantadora e deliciosa também do ponto de vista moderno, no aspecto gastronomico, arquitetonico, no aspecto da moda… Quando estive em Roma pela primeira vez me encantei com uma série de painéis, no meio da avenida que leva ao Coliseu, na àrea que, na Roma Antiga, seria o Forum Romano. Os tais painéis ilustram a evoluçao do Imperio Romano em quatro etapas. Coloco aqui a foto do fim no periodo liderado pelo  Imperador Traiano em 117 d.C., no apogeu do Império.

 

Foto By LuLu na Italia

Foto By LuLu na Italia ©

 

Eu nunca fui muito apaixonada por Història nos meus tempos de escola, mas era boa estudante e ainda me lembro o que representou para o mundo um dos Impérios mais importantes da humanidade. Milhares de cidades foram fundadas por eles. As maiores invençoes, as mais belas obras de arte, arquitetonicas e de engenharia foram criadas por eles. Também as maiores destruiçoes, milhares de pessoas mortas, povos e especies animais eximados, rios e  florestas  descobertos  mas também destruidos por eles.
Algumas vezes, quando reflito sobre tanta coisa que jà se passou pelas bandas de cà, me sinto meio estranha. Acho que foi mais uma ficha que caiu.  A energia desse mundo é muito forte.

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Quando cheguei aqui nao conseguia entender nada na TV, nos telejornais, e nem no radio. Sò via filmes em DVD que tivessem legenda em italiano pra eu poder acompanhar e ainda assim entendia muito pouco. Meu ouvido parecia estar habituado apenas a voz e a dicçao do marido Ernesto e todo o resto soava embolado. Devagarzinho a mente foi se abrindo e fui me acostumando com outras maneiras de falar, além da do marido. Aos pouquinhos fui entendo mais e mais e hoje entendo uns 95%, com pouquissimas exceçoes onde eu entendo a dicçao, mas nao sei o que significam algumas palavras. Mas até o vocabulario tem crescido bastante. De tudo o que ainda apanho, o mais dificil pra mim é exprimir alguns sentimentos em italiano. A emoçao que construimos durante anos de nossa vida parece que cria uma simbiose natural com algumas palavras e significantes e significados se enraizam na alma. Eu até que tento traduzir algumas emoçoes em palavras, mas dize-las em italiano nao tem gosto, entende?. Além de nao ter traduçao exata pra muita coisa que quero falar e, na hora que o bicho pega, principalmente quando fico brava, tenho que falar minha lingua madre senao acabo gerando mal entendidos. A minha impressao é que na hora da emoçao forte, falar em outra lingua é igual a catar milho do teclado. Perde. Nao dà. Nao consigo sentir, parar, pensar, formular, traduzir, escolher, falar e ainda permitir fluir a emoçao naturalmente.

Apesar de ainda sentir um pouco de canseira na cabeça, ao fim desses 8 primeiros meses jà estou me virando bem com a nova lingua. Claro que sempre imagino que tudo seria bem mais facil se eu tivesse começado a estudar quando era mais nova, com uns 20 aninhos. A cabeça hoje em dia jà demora um pouco pra pegar no tranco! 😉 Sério! Nem adianta dizer que eu exagero que eu nao sou velha, porque é verdade que nao tenho mais a mesma flexibilidade mental de 20 anos atràs. Mas sou determinada, em qualquer idade, e vou chegar là logo, logo. Minha meta é falar e escrever fluentemente e jà alcancei ao menos a metade disso, e olha que ainda nem comecei a estudar em um curso formal, sò estudo em casa. Eu chego, sei que chego.

Segunda é dia de dar aula de ingles. Como se jà nao bastasse a confusao que fica a minha cabeça  assimilando o Italiano eu ainda me meto a ensinar ingles pra sobrinha do Ernesto. Claudia està no que seria a oitava série nos meus tempos de escola. Aqui, corresponde ao ultimo ano da escola media. Esse ano é um ano decisivo para ela de preparaçao pra escola superior. Ela tem italiano, frances e ingles na escola e nao tà dando conta de tudo sozinha, entao, me ofereci pra ajudar. Sempre tive muita facilidade para o ingles,  estava meio enferrujada mas jà estou reaprendendo muita coisa com ela. Desde o inicio do ano ela vem fazendo o reforço de ingles comigo e, modéstia à parte até que estou me saindo uma boa professora. Nos divertimos muito trocando figurinhas, pois é um tal de corrigir uma palavra em ingles que ela escreveu errado e ao mesmo tempo perguntar: Claudia, como se escreve essa palavra em italiano, mesmo? 🙂 Hehehehehe..

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A felicidade é como uma borboleta. Quanto mais você a persegue, mais ela se esquiva. Mas se você voltar sua atenção para outras coisas ela virá pousar calmamente nos seus ombros.
Thoreau

Foto By LuLu na Italia

Foto By LuLu na Italia ©

Quando eu finalmente parei de reclamar pude senti-la começar a entrar devagarzinho, sorrateiramente, com muito cuidado na minha alma. Nao sei explicar porque resisti tanto. Me apeguei ao medo. Talvez, “apego”, seja a palavra justa pra definir a dificuldade em deixar de ser esse alguém que jà fui, por tantos e tantos anos e que agora, assim, de repente, nao sou mais. Me apeguei ao passado e nao quis perceber sua presença, foi isso. Me apeguei ao que nao sou mais, nao vivencio mais, nao possuo mais, nao preciso mais e nao prestei atençao ao que vem surgindo à minha volta. Lamentei o caminho percorrido, esperneei  pela falta, choraminguei a ausencia ao invés de gozar o que é o presente: um presente. Isso mesmo, minha vida é um presente, embrulhado com papel dourado de muito valor agregado e amarrado com uma fita laranja da mais pura alegria.

Enfim, que bom que ela chegou. Posso senti-la encostando-se em mim com seu calorzinho bom. Posso ouvir sua risadinha terna e sapeca, como voz de criança, brincando de esconder detràs do sofà. E eu chamo: U-uuu… voce tà aì?? Como se eu nao soubesse. Hihihihi. Mas, posso senti-la.

Que bom que ela està aqui comigo. Me envolve o coraçao com suas maos macias como o mais tenro  algodao egipcio, me conforta e me enxuga as lagrimas de saudade. Porque essa, a saudade, também està aqui comigo e nem sei se vai embora algum dia, me faz companhia, às vezes brigo com ela mas, no fundo, ela nao incomoda ninguém.

Bom, hoje nao importa a saudade nem o apego ou o medo, nem tudo o que jà fui. Hoje o que eu mais quero é saudar essa minha amiga, que hà bem pouco tempo começou a fazer parte da minha nova vida e que me ajuda a construir o que eu sou e o que serei daqui pra frente. Quero me desculpar e dizer a ela que a busquei tanto, mas nos lugares errados. Quero confessar que tive medo e quase desespero de nao encontra-la nessa existencia e que minha sombra quase me fez acreditar que ela nao viria, veja sò que bobagem. Quero agradecer sua constancia, sua persistencia e sua paciencia, em esperar o meu momento. Quero pedir que ela fique pois, agora que a conheço, sei que aqui dentro de mim é o seu lugar.

Bem-vinda, felicidade.

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Camminare sulle uova,  como dizem os italianos, é uma expressao muito sàbia pra explicar a situaçao mundial com as quedas vertiginosas de todas as bolsas, e a situaçao do meu marido nos dias de TPM. Hehehehe.

Falando em ovos, vou contar uma peculiaridade: aqui na Italia os ovos de galinha possuem um carimbo na casca. Acho que em toda a Europa. Um codigo de controle. Voce jà viu isso por aì no Brasil? Eu nunca tinha visto antes.  Chique, nè?

No exemplo da foto voce pode acompanhar os detalhes… O primeiro numero estampado no codigo indica qual o tipo de criaçao que foi produzido o ovo.

0 – Produzione Biologica – produçao biologica, uma galinha pra cada 10 m² em terreno aberto com vegetaçao. E’ o que eu uso aqui em casa.

1 – All’aperto – ao aberto, 1 galinha para cada 2,5 metros quadrados em terreno aberto com vegetaçao.

2 – A terra – à terra, 7 galinhas por m² em terreto coberto de palha ou areia, numa galinheiro sem janela e com luz sempre acesa.

3 -In gabbia – em gaiola, como o proprio nome sugere, criaçao feita em gaiolas com 25 galinhas por m². O mais comum nos supermercados é o 3.

A segunda parte do codigo, duas letras maisculas, indicando em qual pais foi produzido o ovo. No caso aqui, encontramos, IT para ITALIA, em Portugal seria PT, por exemplo.

A terceira parte contém tres numeros, no ovo do exemplo da foto sao 043, indicando a comune, ou seja a cidade onde o ovo foi produzido.

A quarta parte contém duas letras e no exemplo BS indicando a provincia onde foi produzido o ovo.

E a quinta e ultima parte, tres ultimos numeros finais, que no exemplo sao 504 indicam o codigo da empresa que produziu o ovo.

Logo abaixo desse complicado codigo de controle tem sempre a data de validade do ovo. Melhor ser consumido até aquela data.

Continuando a falar desse novo mundo e seu vocabulario admiravel, apresento as partes do ovo:

  uovo = ovo

   uova = ovos

  guscio = casca

  tuorlo = gema

  albume = clara

 O resto do desenho é sò fru-fru, porque achei essa imagem num site de biologia.. hehehehe.

 

Tenho certeza que o assunto iria longe, pois os ovos tem muito mais a nos ensinar do que codigos e estrutura biologica, nao acham?… Assim, como quando lidamos com ovos, quando se trata do ser humano, temos que estar sempre atentos, temos que ter delicadeza. Alguem deve pensar: Imagine sò, a LuLu falando isso! Aquela que se auto-descreve como: grossa que nem porta de cofre de banco… 😀 Pra voce ver. Sao os tempos de crise. Todo mundo se adapta, muda, se reinventa… Como diz o provérbio: em rio que tem piranha, jacaré nada de costas.

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A maioria do tempo eu tenho a sensaçao de que estou no Brasil. Nao sei explicar bem o porque, mas penso que ainda esteja me ambientando e, com exceçao da lingua e de outras evidencias bem obvias, o dia-a-dia é normal, como em qualquer lugar do mundo. Outro dia, por exemplo, estava no shopping com minha cunhada, ela na loja com a filha e eu esperando sentada num banquinho fora, e tive essa sensaçao. Shopping é tudo igual, mesmo, e as pessoas aqui nao tem caracteristicas particulares de uma sò raça. Tem também muita coisa igual no vestir. Mas, de vez em quando me toco que to na Europa. 

A primeira vez foi na Pàscoa. A Rai Uno, que é uma das TVs mais importantes daqui, estava transmitindo uma missa… como eu descrevi no meu Cafofo:

Sexta-feira , 21 de Março de 2008

Caiu a ficha

Ligo a TV.

Sexta-feira

Horàrio nobre.

Transmissao na Rai Uno

Diretamente de Roma.

Um espetàculo poético recitado em italiano.

Cantado em canto gregoriano.

Falado em latim, italiano, frances, ingles, espanhol, portugues, alemao, russo… e mais umas duas linguas que nao identifiquei…

Era a Missa da Sexta-feira da Paixao celebrada pelo Papa.Bento XVI!!!

 

 

Pela primeira vez me toquei que to na EUROPA…

Demorou, mas caiu a ficha.

Gary Morris

Foto: Gary Morris

Hoje foi a vez da abelha. Eu nunca tinha visto uma abelha como essa. GIGANTE! Peluda e com as cores mais vivas do que nunca! Estava fotografando o jardim e me assutei com um zumbido forte. Quando vejo, là estava ela. Uma especie, meio abelha, meio vespa, que o Ernesto identificou como Calabrone. Era mais ou menos como um dos nossos besouros, bem grande e gorda, sò que beeeeem peludona e com aquele “pijama” de listras classico, amarelo e preto.

Piolina

Foto: Piolina

Como os besouros, aliàs, descobri na internet que, na década de 30 começou a circular a fama de que seria impossivel, aerodinamicamente falando, que ela conseguisse voar com um corpo tao grande e asinhas minusculas. Adoro quando a natureza nos surpreende.

Estar aqui na Europa, muitas vezes, me dà essa sensaçao magica de que posso tudo o que eu desejar e me empenhar. Até mesmo voar.

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Ernesto jà està hà um mes cumprindo os plantoes de guardia medica numa cidadezinha chamada Villarosa, que dista pouco mais de uma hora de Catania, onde moramos. Meio canseira pra se chegar là, pois ele pega uma auto-estrada por uns 50 minutos e depois, na cidade principal que é Enna, segue ainda por mais uns 20 min por estradinhas estreitinhas e tortuosas, porém lindas, como aquelas dos quadros de grandes pintores famosos. Dependendo do tempo dao um pouco de medo, sabe? Com a chegada do frio, no inverno ele terà que colocar correntes pra nao deslizar na neve.  A cidadezinha é muito pequena, tem cerca de 5.600 habitantes, como indica a Wikipedia. Pequena, com ruazinhas estreitas, encrustrada nas montanhas numa regiao muito àrida. Num versinho de uma “trova siciliana” conhecemos a mais pura descriçao da cidade:

“Dentro una conca sotto una montagna
tra due fiumi, uno amaro e l’altro dolce,
c’è un paesino con le strade in croce
e poco verde nelle campagne;
nella terra arida attorno
cento rarità di frutti produce,
di giorno fumiga, di notte luccica
e nelle sue viscere si piange e si suda.”

Villarosa - Sicilia - Italia

Villarosa - Sicilia - Italia

 

“Dentro de uma bacia sob uma montanha entre dois rios, um amargo e o outro doce, existe uma vila com as ruas em cruz e pouco verde no campo; na terra árida em torno de cem raridades de frutos produz, de dia fumega, à noite reluz e nas suas entranhas se chora e se sua.”

 

 

Ernesto chegou ontem, do plantao da madrugada dessa cidadezinha, com uma novidade especial: tinha feito o seu primeiro parto! Chegou contando, todo emocionado ainda, que, na verdade, o pequeno Samuele nasceu sozinho. Quando ele chegou là sò teve que cortar o cordao umbilical. Acompanhou a mae e o bebezinho, junto com a ambulancia, até o hospital, o tempo todo com o Samuelzinho no colo. Molto bello, segundo ele mesmo disse, tranquilo e sereno.

Ficamos um dia inteiro curtindo juntos essa emoçao. Pro Ernesto e pra mim também foi mais um sinal de buon augurio, e de que estamos cercados de muita vida, amor e justiça.

E viva o Samuele!!!!!

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Tutto il mondo è paese, como dizem os italianos. Todo mundo é mundo.

Nao tem nada de especial na Italia que nao se viva em qualquer parte do Brasil. Esse é um dos mitos que caiu imediatamente por terra quando cheguei aqui. Tirando as diferentes paisagens e a historia de cada povo, que o torna unico, todo lugar no mundo tem problemas e soluçoes. Toda cidade tem bandidos, corruptos e pessoas de bem. Todo lugar tem greve, lixo, beleza, poluiçao, crise, promoçao de liquidaçao, aquecimento global, burrice, boas idéias, pobreza, estupidez, falta de educaçao, generosidade…

As burocracias e as incompetencias nossas sao iguais as dos outros. Vivi isso na pele essa semana, tirando meus novos documentos. O que se tornou a saga dos documentos, começou ha meses atras quando fomos pessoalmente nos informar sobre o que precisava e um funcionario nos falou um monte, mas nao falou que precisava pagar um selo importantissimo. Por causa disso, essa semana, tivemos que voltar duas vezes no mesmo lugar até resolver. Terminado o processo na questura, uma funcionària nos encaminhou para outro departamento para registrar -me oficialmente e colher as digitais. Por insistencia minha, e pela experiencia anterior, repassamos juntos os documentos necessarios muitas vezes, anotei tudinho, claro e, mesmo assim, chegando là, faltou uma fotocòpia do passaporte. Tivemos que sair da fila pra fazer a tal xerox, duas esquinas depois do lugar, e ao voltar, no final da fila, esperar mais uma eternidade pra sermos atendidos novamente. Detalhe: o atendimento, que normalmente inicia-se às 09h da manha, começou com mais de uma hora de atraso devido a um blecaute que colocou fora do ar todos os computadores.

Se identificou? Jà passou alguma raiva parecida? Jà pensou em contratar um despachante? Pois é.

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Calorias totais de ontem: 1.442 kcal

Café da manha (292kcal): 1 enroladinho de queijo e presunto (180kcal) + chà com pessego (112kcal)

Almoço (672kcal): espinafre refogado (50kcal) + vagem refogada (50kcal) + 200g filé de de frango empanado (400kcal) + batatas assadas (60kcal) + chà com pessego (112kcal)

Jantar (478kcal): penne com molho de tomate e queijo pecorino (300kcal) + 1 tomate seco (50kcal) + 2 azeitonas pretas (8kcal) + 1/2 paozinho frances (70kcal) + 1 col sopa de berinjela ao forno com azeite (50kcal)

NOTAS MENTAIS:

Tomamos o café da manha num bar perto do departamento onde fomos. Foi bem gostoso. 🙂

Chà é uma otima opçao pra acompanhar as refeiçoes, mas vou tentar tomar sò àgua também.

Temos passado os dias fora de casa resolvendo coisas, mas preciso comer mais frutas. Vou levar uma pera na bolsa quando sair de casa e for ficar fora toda a manha.

Nao tenho sentido ansiedade nem fome.

Tenho me sentido mais leve, mas estou resistindo em me pesar. Vou fazer isso semanalmente.

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Palavra nova, velha conhecida:

CIAO

(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)
A palavra ciao  – pronunciada /tʃao/, muitas vezes aportuguesada para TCHAU ou CHAU – é uma saudação informal italiana, podendo significar tanto “olá” como “até logo”.
Originalmente da língua vêneta (com o significado de “escravo”, pela corruptela da palavra “schiavo” como “s’ciào“), foi adotada em italiano para posteriormente ser emprestada ao vocabulário de muitas línguas, como o português, o castelhano e o inglês, significando, todavia, apenas “até logo”.
É largamente usada em todo o Brasil, devido a influência da imigração italiana.

O que entendi é que se usava dizer: sou seu escravo (schiavo, s’ciào), como uma forma gentil e humilde de saudaçao para colocar a pessoa à vontade. Como dizer, ainda , estou ao seu dispor, estou às ordens. A palavra foi mudando de schiavo para s’ciào (em Veneza, inicialmente) e depois virou CIAO, quando se incorporou ao vocabulario de todas as regioes. Na Italia se usa o ciao quando se chega , mas também quando se despede. Bruna, minha sobrinha nos seus adoràveis 5 aninhos, achava sempre estranho quando Ernesto a cumprimentava assim, dizendo ciao… ela logo perguntava: – Mae, porque ele tà dizendo tchau se ele acabou de chegar?.. hehehehe..

Aprendi ainda aqui que nao se diz ciao quando nao se conhece a pessoa, ou quando se trata de um cumprimento formal, chefe-empregado, ou pessoa mais velha. O tratamento passa a ser mais impessoal, entao se diz: buon giorno/buona sera  (bom dia, boa noite) quando se chega e arrivederci (até logo) quando se despede.

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Ainda me sinto muito isolada aqui. No Brasil sou a rainha do social e nao passava uma semana sequer sem uma balada, um agito, um cineminha, um jantar na casa de amigos, visitas em casa, eventos… Aqui nao. Ernesto sai pra trabalhar e eu ainda estou sem trabalhar fora, sem frequentar um curso, ou qualquer coisa que me OBRIGUE a sair de casa e consequentemente passo muuuuuuito tempo comigo mesma, arrumando a casa, cozinhando, lendo, estudando e na net. Confesso que a experiencia é bem nova e tem là os seus prazeres. Para a minha incansavel busca de mim mesma, que venho assumindo nos ultimos anos, poderia dizer que tenho feito um intensivao desde que me mudei. Tenho aprendido sobre mim mesma, nesses ultimos 6 meses, muito mais do que aprendi em todos os meus 38 anos passados.

Mas.. sinto falta de amigos. Muita.  Dos velhos, conhecidos, prazeirosos e confortàveis encontros, mas também de fazer novos contatos, desde aqueles rasinhos, facinhos e ainda sem poeira nenhuma até aqueles de improviso, num supermercado, na casa de alguém, desses que surpreendem e viram amizade-fraterna-profunda-pro-resto-da-vida.

Ontem à noite saimos pra jantar com um casal de novos conhecidos pela primeira vez. Ela, médica como Ernesto, trabalha com ele no pronto socorro e tem ainda seu consultorio proprio conveniado com o governo, sagitariana, mais velha que eu, simpatica, inteligente, sensivel. Ele, diretor de uma escola, burocrata, taurino, mais velho que Ernesto, simpatico, mais fechado que a esposa, meio desconfiado, inteligente. Comemos uma pizza, pra variar.. hehehehehe….  Terminamos a noite nos prometendo uma proxima. Foi agradàvel,mas faltou alguma coisa que eu nem sei se saberia explicar. Sei là, entende?… Se fosse pra usar uma expressao brasileira eu diria: faltou borogodó.

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Total de ontem: 2.803 kcal

Café da manha (342kcal) : 1/2 pao de hamburguer com gergelim (85kcal) + 1 ovo mexido com queijo (180kcal) + 1 copo de 200ml de cha com limao (77kcal).

Almoço (994kcal): 1 fatia de pao italiano (154kcal) + 150g penne ao forno com queijo e presunto (200kcal) + 1 linguiça calabresa (320kcal)+ pimentao ao forno (8kcal) + 2 nozes frescas (142kcal) + 1 fatia de ricota salata (50kcal) + 200ml de suco de abacaxi (120kcal)

Jantar (1467 kcal): 3 fatias de pizza (807kcal) + 4 taças de 100 ml de vinho tinto (260kcal) + 1 fatia de tiramissu (400kcal)

NOTAS MENTAIS:

Carài véi!!!

Como eu consegui comer 3 fatias gigantes de pizza!??????

Pra que beber 4 taças de vinho???

Ainda comi sobremesa!!!!! Eu sou folgada, mesmo! Putz!

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Nao sabia falar NADA quando conheci Ernesto. Nos viràvamos em ingles pra nos comunicarmos e via msn ainda!! O ingles dele literalmente macarronico e o meu, hummm, assim, dava pro gasto. Aos poucos fui percebendo que entendia alguma coisinha de italiano quando ouvia ele falar palavras parecidas com o portugues. Fui formando, primeiro, um vocabulario basico, alguns verbos, substantivos e expressoes essenciais. Comecei a me comunicar e me empolguei! Comprei de cara uns 2 livros de estudo auto-didata e meti bronca. Lia também obras pra estrangeiros, com textos simples e vocabulario anexo. Estudei todos os dias por 3 meses e me preparei para vir. Cheguei aqui na Italia, pela primeira vez, em abril de 2007, sabendo somente o minimo pra me virar no aeroporto, escutar a conversa da familia do noivo, ler placas na rua… e olhe là. Ficava sozinha em casa e fui incrementando meu vocabulario ouvindo radio e assistindo a DVD’s de filmes em italiano com legenda em italiano pra entender. Fui pegando gosto por aprender mais uma lingua e continuei a estudar, sozinha e depois formalmente com um professor particular quando voltei ao Brasil, e nao parei mais. A cada dia aprendo uma nova palavra. Nao somente uma nova palavra em italiano, conhecida e pronta, mas também venho descobrindo coisas novas que eu nunca tinha visto antes. Em casa, por exemplo, a jardinagem, pratica que eu nunca fiz no Brasil, me abriu um infinito vocabulario de flores, arvores, orti-fruti que eu nao tenho a menor idéia do que seja em portugues.. hihihihihi..

Decidi registrar tudo aqui. Sempre que possivel com fotos pra ilustrar bem. Quem sabe alguém me ajuda a desvendar aquelas coisinhas baaaaasicas que descobri aqui e que ainda nao sei como chamar em portugues.

Falando em basico a palavra de hoje é …

BASILICO. Foto By LuLu na Italia © ……………………………………………………………………………………………….

Muita gente jà conhece e no Brasil é conhecido por Manjericao, Manjerona ou Alfavaca, dependendo da especie, tamanho, tipo.. etc. Vim conhecer realmente aqui. E faço um Pesto, que aprendi com minha sogra, de comer ajoelhada, como dizia Vinicius de Moraes. O basilico, pra quem nao conhece é muito cheiroso, rico em vitamina B e òtimo pra memòria. O da foto, de folha larga arroxeada, que tenho plantado na minha horta, minha sogra diz que é uma espécie marroquina, mas também tenho o verdinho e o de folha miuda que é o verdadeiro, o mais cheiroso, o poderoso e vitaminado. Todos explodiram de tanta flor na primavera desse ano. Ah.. VIVA A PRIMAVERA!!!!!!!

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