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Archive for the ‘Marido Ernesto’ Category

Essa semana fui com o marido Ernesto fazer uma noite de plantao no posto de saùde de uma cidadezinha minuscula (3.767 hab.), chamada Gagliano Castelferrato.

A experiencia foi muito interessante, por estar ao seu lado, lhe fazer companhia no trabalho, além de me render sempre fotos incrìveis pois a regiao central da Sicìlia tem municìpios lindìssimos localizados a grandes altitudes, com vales verdes, castelos e uma visao privilegiada do vulcao Etna.

Gagliano Castelferrato - Foto By LuLu na Italia

Vou de novo nesse fim de semana acompanhà-lo num plantao de 36 horas. Depois eu volto pra contar como foi.

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Nao sei porque nao retomei o hàbito de escrever com frequencia aqui no blog. Tenho me cobrado isso internamente, mas ainda nao achei o fio da meada perdido.

Jà pensei inumeras vezes em contar a saga que foi a minha chegada em Roma, sem permissao pra prosseguir com a bagagem até minha cidade, ao ser resgatada, de carro, pelo marido Ernesto a mais de mil quilometros de distancia. Saga com requintes de arrogancia e de crueldade por parte da companhia aérea (nao vou dar nem IBOPE por putos!), mas com um lado bom ao orgulhosamente descobrir que estou me comunicando muitissimo bem em italiano.. obrigada.

Queria, por exemplo, postar os primeiros dias de estranheza da casa minha-que-nao-parecia-mais-minha e que aos poucos fui retomando. Casa essa cheia de surpresinhas preparadas pelo marido Ernesto (fofo!), tipo: o teto do nosso quarto pintado de azul celeste, o que me fez cantar pra ele por longos dias: “Eu te darei o céu, meu bem, e o meu amor também”… hehehehehehe…

A emoçao nao para, pode ter certeza. Tem coisa nova o tempo inteiro, todos os dias… mas alguma coisa me diz pra eu me reservar.

Ainda assim, sinto falta do contato que o abre-caixa aqui proporciona: respostas, recadinhos e comentàrios amigos-amados sao sempre bem vindos.

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Foto By LuLu na Italia ©

Com o tempo, você vai percebendo que, para ser feliz, você precisa aprender a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
 – Desconheço o Autor –

 

Feliz Dia de San Valentim!

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DOIS anos

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Ah, que saudade!

Ragusa_Ibla_27_06_2009 110

Samba em prelúdio

(Baden Powell e Vinícius de Moraes)

Eu sem você não tenho porque

porque sem você não sei nem chorar

Sou chama sem luz

jardim sem luar

luar sem amor

amor sem se dar

E eu sem você

sou só desamor

um barco sem mar

um campo sem flor

Tristeza que vai

tristeza que vem

Sem você meu amor, eu não sou ninguém

 

Ah que saudade

que vontade de ver renascer nossa vida

Volta querido

os meus braços precisam dos teus

Teus abraços precisam dos meus

Estou tão sozinha

tenho os olhos cansados de olhar

para o além

Vem ver a vida

Sem você meu amor, eu não sou ninguém

Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

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Cor-ação

2009_Ernesto

Encontre aquela pessoa que faz o seu coração sorrir.

Tenha felicidade bastante pra fazê-la doce,

dificuldades pra fazê-la forte,

um tanto de tristeza pra fazê-la humana,

e esperança suficiente pra fazê-la feliz.

 

– Autor desconhecido –

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Hoje de manhã bem cedo o marido Ernesto tava me elogiando na webcam do msn me dizendo que eu tô com a pele bonita, elogiou os cachos do meu cabelo… Ele me acha sempre linda, mas eu senti que até ele percebeu que alguma coisa mudou em mim desde que cheguei ao Brasil.

Na hora eu respondi: é o clima, amore mio. Mas quando disse isso não me referia à esse inverno maluco de Brasília onde os termômetros variam entre 28 e 32 graus(que eu estou amando!!), e sim a todo esse amor e aconchego de útero materno que venho recebendo, que começa no cafuné, deitada na cama de minha mãe, passa pelas duzentas e cinquenta vezes que escuto a vozinha linda da minha sobrinha, afilhados e filhos de amigos queridos me chamando de “titia”, e vai até o brilho no olhar dos afetos, amizades e amores que tenho cultivados aqui.

Jardim de pessoas- flores, temperatura amena, muitos beijos e manifestações de carinho… Esse é o clima ideal.

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Desde que cheguei nao paro de pensar na Italia. Aliás, desde que saí de lá. Quando fui, foi a mesma coisa. Nao parava de pensar no Brasil. Será que algum dia esse pendulo se estabiliza? To me sentindo meio tonta com isso.

Amigo é coisa.. viu? Mas.. Que coisa! Que coisa boa!

Se abraço valesse dinheiro, eu tava rica.

O teclado tem TILLL!!!! Mas eu vivo esquecendo de usar.. hahahaha… 

Namorar o marido Ernesto virtualmente é uma mer**!

Sao 3 horas da manha e eu to aqui acordadona! Hoje já é dia 19 e só agora me toquei! Feliz Aniversário piminha!!!

Tô deslumbrada do quanto as pessoas sao simpáticas! Voce tem noção disso?! Todo mundo ri, aqui! Da caixa da padaria ao cara da bomba do posto de gasolina (como é que se chama essa profissão, hein? Esqueci…)

Tava colocando gasolina no carro da mamãe pra gente sair pra fazer umas comprinhas e na hora de ir embora eu agradeço ao atendente: buon lavoro! Hehehehehe.. To assim, misturando tudo com todo mundo.

Que estranho que foi o primeiro dia quando todo mundo só falava português à minha volta. Rádio, TV, placas.. TUDO! Pirei!

Já vou melhorando, mas ainda estranho cama, travesseiro, erro ruas, perco o sono, nao sinto fome… Ai,ai. Ainda to doidinha, doidinha… Ou pior… Como diz um amigo querido: mulher nao endoida… piora.

Adaptação ao fuso horário… Redaptação ao portugues… Readaptaçao ao teclado com TIL! Ops..esqueci de novo.. hehehehehe..

🙂

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Partida

Etna - Foto By LuLu na Italia

Etna - Foto By LuLu na Italia ©

Partí.

É tanta emoção junta que eu ainda me sinto meio anestesiada.  Os lugares, tantas vezes percorridos, são familiares, as pessoas falam português o tempo inteiro à minha volta e… ainda assim, eu continuo me sentindo um estrangeiro numa terra estranha.

Nenhuma lágrima tem sido poupada. De longe, sou a melhor chorona que eu conheço. O lado bom é que fazia tempo que eu não me sentia tão competente em alguma coisa.

A sensação do abraço (o primeiro de muitos) que recebi da minha sobrinha Brunequinha no aeroporto de Brasília ainda está gravado na pele. Assim como ainda trago na retina a imagem do rosto cheio de lágrimas do marido Ernesto no aeroporto em Catania. Realidade estranha, aliás, mesmo que temporariamente, é a do marido lá, eu aqui, e um ribeirão passando no meio… Ou melhor, um oceano.

 

Nota mental: Nada nos pertence, essa é uma grande descoberta, além de que a separação é uma ilusão.  Finalmente consegui perceber essas verdades na alma, mas…  porque será que ainda me dói tanto?

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Eu comecei a pensar em italiano jà hà algum tempo. Assim, sem nem me aperceber direito. Notei a primeira vez num dia em que eu estava falando com minha mae no messenger e acontecia vàààrias vezes de pensar em italiano pra depois traduzir. As vezes até esqueço como é a palavra em portugues e sai automaticamente em italiano… naturalmente. Bom, nè? Sinal de que eu estou aprendendo, de que eu jà estou dominando a nova lingua. 🙂

Sò tem uma coisa curiosa: eu nao consigo contar em italiano, nem fazer conta de cabeça em nenhuma outra lingua. Sabe como? Eu e o marido Ernesto adoramos jogar. Xadrez, carta, gamao… Quando jogamos buraco, por exemplo, na hora de dar as cartas eu conto em portugues. hehehehehe. Ou na hora de somar os pontos é a mesma coisa. Nao consigo evitar. E é instintivo! Se eu for somar em italiano me perco toda! Hahahahaha.. Que engraçado, nè? Porque serà? Como se a memoria matemàtica fosse  ancestral à memoria fonològica. Como se o aprendizado se fizesse em niveis diferentes de consciencia. Que viagem… ! Serà que algum dia eu chego là?

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Vira, vira, vira…

coraline-e-la-porta-magicaAcabamos de voltar do cinema. Eu e marido Ernesto damos preferencia pras quartas feiras pra nutrirmos nossa cinefilia jà que, além de ser meio de semana e consequentemente mais tranquilo, ainda é mais barato.

Fomos assistir a mais um filme 3D, nosso novo vicio, “Coraline e la porta magica”. Lindo!! Um desenho animado daqueles mais pra adultos do que pra crianças. Uma fàbula de horror nos moldes de Noiva Cadàver… lembra? Muito gostosinho o roteiro. Os efeitos tridimensionais do Os Monstros.. era mais surpreendente, mas mesmo assim ainda estou adorando curtir aquela sensaçao de coisas que saltam da tela.

Na volta, do shopping pra casa, um gato preto cruzou a estrada na frente do carro.

Lembrei do Secos & Molhados… e vim cantando pra casa: 

O gato preto cruzou a estrada

Passou por debaixo da escada.

E lá no fundo azul

na noite da floresta.

A lua iluminou

a dança, a roda, a festa.

Vira, vira, vira

Vira, vira, vira homem, vira, vira

Vira, vira, lobisomen

Vira, vira, vira

Vira, vira, vira homem, vira, vira

 🙂 Hehehehe…

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Vira e mexe surge a curiosidade de como é a minha vida aqui no Mundo Novo e pra quem pergunta eu respondo: rotina normal de quem mora numa cidade pequena, fora da regiao dos grandes centros urbanos, num bairro tranquilo, numa casa com jardim, casada, sem filhos, estudando uma nova lingua, estudando culinaria, sem trabalho fixo. Simples assim. Mas, sei là porque parece que isso nao satisfaz, o povo quer saber detalhes emocionantes, como se pelo fato de morar na Itàlia (òòòò :-D) e na Europa (òòòòòòò… :-o)  as coisas necessariamente tenham que ter “glamur” … hehehehehe… Mas nao tem!!!  Ou melhor, até pode ter, depende de cada um, do que faz, o que estuda, no que trabalha, onde mora e com quem, né nao? 

Entao, tà, atendendo a pedidos:

A rotina da LuLu – uma dona de casa na Italia.  

Manha:

Acordo em torno de 7h nessa época de primavera/verao, mas como nao uso despertador pode variar em meia hora pra menos ou pra mais, dependendo do dia ou da hora em que fui dormir na noite anterior. Sò acordo muito mais cedo do que isso, tipo 4h, 5h da matina, quando me ataca a insonia. Muito mais tarde do que isso, sò se estiver doente, ou se estiver muuuito frio.

A primeira coisa que eu faço em absoluto é beber um copo dàgua. Isso é sagrado. Vou ao banheiro. Escovo os dentes, lavo o rosto, prendo o cabelo da frente ou todo num coque alto. Inverno ou verao nao importa, nao aguento cabelo caindo no rosto!

Vou pro escritorio/consultòrio do marido Ernesto e ligo o computador. Abro e respondo e-mails, leio o Reader, navego em alguns blogs, jornais e sites.

Abro as persianas e cortinas das janelas da sala pra entrar luz pras plantas de dentro de casa.  Idem na cozinha, sala de TV e lavanderia. Abro a porta do balcao da cozinha que dà pro jardim. Dou uma sacada no ar e uma geral nas plantinhas de dentro e do balcao, algumas eu rego, outras podo as folhas velhas ou arranco alguma erva daninha.

Preparo o café da manha pra mim, e pro marido Ernesto quando ele nao està de plantao. Se ele estiver em casa dorme até umas 9h e aì tomamos café juntos. Tem dia que é fruta picadinha com granola e Yogurt. Tem dia que é pao integral com queijo fresco. Eu sei, eu sei… eu exagero falando que nao como coisa light, mas faço esse sacrificio, sim, de veeeeeeeeizzzz em quando. No minimo uma vez por semana eu preparo um bolo, rosca, biscoitinhos caseiros, pao caseiro, muffins ou  qualquer coisa do genero pra deixar pronto pra semana toda. O marido Ernesto adoooora muffins com cappuccino gelado, eu adoro biscoitinhos molhados no leite com achocolatado (gelado no verao, pelando no inverno).

Na primavera/verao, em geral na parte da manha nos dedicamos à jardinagem. Quem tem jardim e horta em casa (e nao tem jardineiro) sabe: tem sempre alguma coisa pra fazer. SEMPRE. Entao é podar, adubar, regar, plantar, mexer na terra, limpar, endireitar, arrancar, dedetizar…

Numa manha qualquer também podemos ir ao supermercado, shopping ou a alguma feirinha de bairro pra comprarmos verduras, frutas ou o que estiver faltando. Aos sàbados tem uma feirinha a dois passos daqui de casa e eu deixo o marido dormindo e vou sozinha sapear por là. Pesquiso, pechincho, fotografo… Amo!

Se estivermos em dia com os deveres de casa  e nao tiver por exemplo nada pra costurar, consertar ou lavar podemos também sair pra passear, aì vamos pra algum parque, praça, castelo, cidade històrica ou praia pra curtir, caminhar de maos dadas, tomar sorvete (jà te disse que o sorvete da Sicilia é o melhor da Italia e um dos melhores do mundo? Poisé)… ou fotografar.

De quinze em quinze dias vem uma senhora dar faxina mais pesada na casa  e vira um mutirao pra terminar tudo das 8h até as 13h. Barba, cabelo e bigode.

A manha termina com o almoço, mas nunca antes de 13h.  Gosto muito de cozinhar e experimentar receitas novas e em geral prefiro almoçar bem, tranquila e em casa. Claro que rolam eventualmente almoços em restaurantes, almoços na casa dos sogros, almoços em self-service, lanches em pé numa pracinha, piqueniques em parques, salgadinho de padaria e até McDonalds.

Tarde:

Depois do almoço o marido Ernesto dorme. Sem exceçao. Eu posso até tirar um cochilinho de meia hora em um dia preguiçoso, mas nao gosto de dormir de tarde e em geral venho pro computador. E’ a hora em que a casa fica silenciosa e eu me sinto à vontade pra pesquisar, descarregar e trabalhar fotos, escrever no blog e colocar as idéias do dia em ordem. Essa é a também a hora de estudar, o que quer que seja, a liçao de italiano, de jardinagem ou de culinària.  Se encontro algum amigo ou alguém da familia essa é a hora do chat também. Pra tudo isso dedico no minimo tres horas.

Nao costumo ficar sentada na frente do computador quieta o tempo todo. No meio de algum download aproveito e coloco alguma roupa na maquina pra lavar, ou estendo alguma que jà secou, e ainda leio revista, costuro, desenho e assisto TV ao mesmo tempo. Sempre fui assim… multiatarefada.

Minha rotina varia com a do marido Ernesto, claro. Como jà mencionei, se ele tem plantao (10h, 12h ou 24h), por exemplo, eu me adapto pra ter sua companhia por um tempinho a mais, ou preparo a “marmita” que ele leva pro trabalho ou saio do computador pra ele receber os pacientes no consultòrio. As vezes ele precisa dormir um dia inteiro seguido depois de 24 horas de plantao, e eu procuro respeitar a necessidade dele e saio. Saio pra uma caminhada, dou uma volta no bairro, ou vou ao salao, ou vou ao mercado, ou fico jardinando, costurando ou lendo em silencio pra nao acordà-lo.

Fim de tarde tem a ducha refrescante depois de um dia cheio,  e tem o momento beleza: manicure, sombrancelhas, pele, cabelos, creminhos e o que mais houver… me dedico sò a mim… porque ninguem é de ferro, nao?

Noite:

Uma vez por semana tem as aulas de culinària a partir de 19h e nao tem hora fixa pra terminar, nunca antes de 23h. O jantar é incluso, entao o marido Ernesto se ajeita em casa, esquenta alguma coisa que eu jà deixei pronto, pede uma pizza ou aproveita pra ir jantar na casa dos meus sogros. Se o marido estiver livre ele me leva e me busca, às vezes vou e volto dirigindo e até prefiro. Gosto de ficar fofocando com os colegas depois da aula.

Quando nao tem aula vamos ao cinema, vamos tomar sorvete em alguma praça, ou jantamos fora, ou jantamos na casa dos sogros, ou vemos um DVD em casa até o sono chegar, ou eu fico sozinha em casa e, nesse caso, venho pro computador fofocar no messenger.

Meu fim de noite é, via de regra, assistindo TV. Eu sou viciada em dormir assim desde mocinha.  O marido jà prefere ler pra provocar o sono. Fecho a casa inteira. Baixo todas as persianas. Apago todas as luzes, menos uma luzinha guia que deixamos acesa. Coloco um copo d’àgua na beira da cama e fico zapeando os canais de televisao, deitada até o sono chegar. Quando vem o sono, coloco o timer sleep para quinze minutinhos, coloco uma mascara de tapa-olhos (daquelas de aviao, igual ao gato do cartoon, o Manda-chuva), coloco o aparelho dos dentes, viro de lado e… beijo,ciao. Adormeço rapididinho.

E…. Buona notte.

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Morango_2008

 

Eu jà te contei que … tenho morangos plantados no meu jardim? Poisé. Decidimos começar uma horta e entao semeamos os bonitinhos, regamos, cuidamos e os pezinhos fofos cresceram rapidinho e começaram a dar frutos, ainda no ano passado. Tirei foto e tudo mais. Este ano, no inicio da primavera, os pés jà estavam carregadinhos de morangos verdinhos e lindinhos. Morri de orgulho.

 

Lagartixa_2008_04_21 (1)

 

Eu jà te contei que… crio lagartixas no meu jardim? Poisé. Um dia o marido Ernesto salvou uma das garras da morte (tirei foto e tudo o mais) cuidamos, deixamos a bichinha ficar e ela (ou ele, sei là) encontrou um parceiro no ano passado, e fizeram filhinhos e este ano, no inicio da primavera, conseguimos contar, entre adultos e filhotes, ao menos oito, também verdinhas e lindinhas. Morri de orgulho.

Um belo dia estàvamos curtindo um por-de-sol no balcao da varanda que dà pro jardim, tomando sorvete (Eu jà te contei que o sorvete da Sicilia é o melhor da Italia? Poisé), em silencio, ouvindo os passarinhos… uma delicia… uma coisa bucolica e romantica de se ver…  até que… o marido ve uma lagartixa comendo um morango ainda verdinho!!! 😦 … Morri de raiva!

Entao, jà te contei que desde que planto morangos e crio lagartixas no meu jardim nao consegui mais comer um sò morango inteiro?

E te conto mais… Poucos dias antes daquela cena romantica do balcao, ainda empolgados pelo sucesso dos morangos verdinhos e promissores, resolvemos incrementar a horta e plantamos vààààrias plantinnhas novas: tomatinhos cereja, pimentoes vermelhos e amarelos, berinjelas e abobrinhas…

Poisé.

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Boris Mihajlovic Kustodiev, Russia, 1878-1927

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Merchant’s wife, 1918 – Fonte: Gatochy

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The Beautiful, 1915 – Fonte: Tyk!

 

Fernando Botero – Colômbia, 1932

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The Letter, 1976 – Fonte: Fotos.org

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Woman in Front of a Window, 2004 – Fonte: artnet.com

 

Peter Paul Rubens,  Alemanha, 1577-1640

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As Tres Graças, 1638 – Fonte: Sombria Elegancia

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Woman with a Mirror, 1640 – Fonte: O Mundo Inominavel

 

Tem muitos mais pintores que projetaram em suas telas mulheres lindas-gordinhas-gostosas-encantadoras-charmosas transformando-as em famosas pinturas, e muito mais obras desses que selecionei, mas jà tà bom assim. Me detive aqui fiel àqueles artistas que realmente manifestaram apreço por suas modelos e o declaram publicamente, e nao pensaram como alguns pensam: “Um artista faz o que pode com o que tem. Nem sempre ele tem o ideal…”, ou: “Usei modelos gordinhas porque as gostosonas cobram bem mais caro.”, a meu ver, desprezando as pessoas que posaram pra eles e reforçando um conceito de “padrao de beleza” onde “gostosa” é sò quem é magra.

Bom, a grande inspiraçao pra esse post veio, na verdade, com uma inocente busca no Google onde eu coloquei: “quadros, gordinhas” e, dentre os resultados, me deparo com essa foto minha!!!

 lulu_roma_2008

E’ uma foto, tirada em Roma pelo marido Ernesto, que publiquei aqui no Mundo Novo. O post que gerou a foto nao tem nenhuma palavra que faça referencia aos termos de busca em questao. Foi uma ediçao que fiz de fotos das estaçoes do ano e, no caso, essa foto ilustrava um visual de verao. Eu até jà falei sobre quadros de gordinhas nesse post aqui, e talvez seja por isso que o Google redireciona essa foto, sei là. Tem outras fotos daqui do Mundo Novo no resultados da pesquisa, mas entre tantas porque serà que essa foi a primeira? Tomei um susto, mas eu adorei, juro! Eta mundinho, nao? Ai..ai..

Porque esse mundo é dinamico e podemos apreciar bem mais a paisagem se nos mantivermos conscientes de nòs mesmos, se aceitarmos nossa realidade,  nossos limites, se vivermos com prazer o dia de hoje, o momento atual, enxergando-o como o “presente” que ele efetivamente é.  E, afinal, estou gordinha, sou gostosa ;-), estou saudàvel e sou normal!

Da série: Quilos a mais – se nao pode vence-los, una-se a eles!! 🙂

Ou ainda: Eu me amo como eu sou!!!

Nota da LuLu: Todo o respeito por quem é magrinha e quer ser magrinha, por quem é gordinha e quer ser magrinha, por quem é magrinha e quer ser gordinha, por quem é gordinha e quer ser gordinha.. enfim, respeito é bom e eu gosto, ok?

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Marido Ernesto e eu curtimos uma telona toda semana. Ambos somos cinéfilos o que, num certo sentido, quer dizer que vemos todo tipo de filme pra ter o que falar, nem que seja falar mal. E, claro, acontece de ver alguma porcaria decepcionante que nao vale nem o preço do ingresso (que aliàs é em euro!), mas a produçao européia em geral é riquissima e eu to adorando sair do circuito padraozao comercial americano de enlatados. Bom, apesar de certa prevençao contra filmes “comerciais” e contrariando estatisticas que dizem que se repete muito mais vezes, para muito mais pessoas aquilo  que nao se gosta, eu falo MUITO do que eu gosto e eu simplesmente ADOREI o filme Mostri Contro Alieni  (em portugues: Monstros X Alienigenas) da Dreamworks.

 

mva_skin-01

O desenho é pra adulto e é deliciosamente sarcastico. Os personagens sao meio clichezados num certo tipo de “liga da justiça” com representantes padrao do tipo “o cerebro”, “a força”, “a versatilidade” e “a ingenuidade”… mas funciona. Funciona tanto que eu, virginiana-critica-chata-dificil-de-se-convencer dei boas e gostosas risadas como hà muito tempo nao fazia e fiquei completamente presa na trama até o fim que, felizmente, nao é tao obvio assim, apesar do bem vencer o mal, lògico.

O grande problema do filme, pra mim, é também a sua maior qualidade: os efeitos 3D sao tao geniais e bem feitos que a gente sai do cinema querendo assistir tudo assim de agora em diante. Parece que nao vai ter mais graça ver filme “somente” em duas dimensoes.

Entao, o filme é pra ser visto em tela grande, nao espere sair em DVD senao voce vai se arrepender. Eu recomendo.

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Na Sicilia, onde eu moro, cada festa importante tem alguma correspondencia  culinària. Nao acho que seja à toa a fama de “bons garfos” dos italianos, em geral. Na verdade, seja Natal, dia dos pais, ou cada uma das milhares de festas religiosas (levadas, em geral, muito a sério) em quase toda regiao da  Italia  existe  algum prato representativo, tradicional, com razoes historicas e repetido desde os tempos do onça.

Ovelha de pasta de amendoaEntao, na grande ilha, tem  uma  pitoresca tradiçao pascal de nos deliciarmos, depois de um rico almoço festivo, elaboradissimos doces que além de deliciosos, ficam lindos de se ver nas vitrines das docerias e confeitarias em toda a cidade. Um tipo muito  caracteristico se chama  “picureddi di pasta reale“.  Sao ovelhas moldadas com “pasta reale” (a famosa pasta de amendoa – produto tipico da Sicilia), que representam o cordeiro do sacrificio de tradiçao religiosa e paga muito antiga, e se diferenciam na forma, complementos e na decoraçao de acordo com a àrea de origem. As mais comuns estao deitadas sobre um prado verde, dentro de um recinto cercado, decorado de confetinhos multicoloridos e possuem uma bandeirinha no lombo. A que eu ganhei da minha sogra no ano passado é assim.

Ovo pintado à maoO ovo é simbolo de vida e de ressureiçao. E’ do ovulo feminino que se origina a vida, assim como sao ovais as glandulas sexuais masculinas; e é também do ovo que se gera a vida dos oviparos. Jesus Cristo, com a ressureiçao, transformou a sua morte em uma nova vida e muitas vezes o nascer é representado com um pintinho saindo do ovo. O ovo figura também em muitas e variadas delicias tradicionais da Pascoa e sempre foi seu maior simbolo porque representava o renascimento da natureza nas tradiçoes pagas, coincidindo com a chegada da primavera. Esse da foto foi pintado por mim e presenteado aos meus sogros.

biscoitos_de_pascoa_2009Outro famoso doce siciliano é conhecido em Palermo, a capital da Sicilia como: “pupo cu’ l’ova“, ou como sao conhecidos na cidade que moro – Catania – “aceddo cu’l’ova“, em dialeto siciliano que quer dizer ave com ovo, recordam exatamente essa tradiçao e sao de uma época em que nem se imaginavam os ovos de chocolate de hoje em dia. Estes, sao paezinhos ou biscoitos pascais, muito difundidos em toda a Sicilia, assumindo varios nomes de acordo com a tradiçao local, moldados nas mais varias formas, antropomorfas, zoomorfas, mas sempre com um ovo cozido, inteiro, às vezes com casca e tudo, que é inserido na pasta.

biscoitos_de_pascoa_2009_04_11-017Dizem que os tais “aceddi cu’l’ova“, aves com ovos – até uns cinquenta anos atràs, eram (sempre a mesma massa de pao/biscoito) moldados preferencialmente na forma de pomba (por isso o nome) tendo no centro do corpo um ovo cozido (com casca) recoberto com duas listinhas de massa, formando uma cruz. Hoje quase desapareceu a forma antiga de molde, de pomba, mas a criatividade é infinita e cada um libera sua fantasia, e faz a forma que lhe dà na telha, remodelando a tradiçao.

biscoitos_de_pascoa_2009_2As mammas e nonnas, em casa, no sàbado da vigilia da Pascoa, preparam tantos “aceddi” quantos saos os membros da familia, além de outros muitos biscoitinhos (feitos com sobras da massa) em formas mais simples, sem ovo, e todos decorados com confeitos coloridos, tornando-os ainda mais alegres e gostosos.

Entao, nesse ultimo sàbado, passei uma agradàvel manha “impastando” com as mulheres da familia do marido Ernesto, me sentindo parte de algo muito grande e muito bonito, tradicional, ritualistico e aprendendo algo mais além do que fazer biscoitos.

A receita voce encontra na aba de receitas là em cima do blog ou clicando aqui.

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Ontem foi meu onomástico, ou seja o dia de uma santa que tem o mesmo nome que eu.

Santa Luísa de Marillac (1591-1660)

 SantaLuisadiMarillac

A Santa que lembramos no dia 15 de março nasceu em Paris em 1591 com o nome de Luísa. Recebeu ótima formação humana e cristã e casou-se com Antônio, tendo na vida uma só criança. Depois de um certo tempo Antônio morreu, mas em Luísa em Deus conseguiu superar. Santa Luísa muito religiosa começou a fazer direção espiritual com São Vicente de Paulo, que percebendo o coração de Luísa envolveu nas confrarias de caridade. A Santa se identificou e assumiu com tanto amor a obra de caridade para com os doentes e pobres que não demorou em tomar a frente e mais tarde ser a escolhido do Espírito Santo para fundar em 1634 a Congregação das Irmãs da Caridade. O lema desta Congregação era o clamor de S. Paulo: A caridade de Cristo me impele”. Mesmo nos tempos mais difíceis Santa Luísa viveu o carisma com suas irmãs que iam crescendo em número e santidade. Durante uma peste que arruinou com Paris Santa Luísa chegou a atender todas as classes sociais já que na sua espiritualidade encarnada via e servia Cristo no pobre. Entrou no céu com 70 anos, depois de se consumir pela caridade.

Confesso que ninguém se lembrou. Nem eu.

Voce pode procurar o santo com o seu nome no site:

http://www.paginaoriente.com/santosdaigreja/santosdata.htm

Ou ainda aqui: http://www.nomix.it/onomresult.php

Dia 07/11 é o onomàstico do marido Ernesto: Sant’ Ernesto di Zwiefalten.

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bcO que seria de mim se nao fosse a net?

O que seria de mim sem os curiosos olhos que me guardam sem me ver me mantendo a espinha ereta, a mente esperta e o coraçao tranquilo? O que seria de mim sem os amigos-presentes e seus abraços virtuais ou sem os beijos de minha familia via webcam? O que seria de mim sem a força de palavras de esperança nos momentos dificeis?

Além de tudo o que recebo, de todas as baterias que recarrego com as palavras depositadas aqui, meu mundo é ainda mais admiràvel, porque eu posso compartilhà-lo com voce. Pra começar eu nem estaria aqui na Italia se nao fosse um e-mail de meu amado marido Ernesto, na época um ilustre desconhecido, que me achou “por acaso” no Yahoo. Qualquer dia eu conto esse causo que juntou, sonhos iguais e  nacionalidades diferentes. Nada é por acaso, é verdade, mas nem a magia do destino, ou de almas gemeas, sei là, seria possivel sem esse maravilhoso mundo da rede mundial.

Desconheço hoje meio mais dinamico, popular, rico ou democratico. E pela primeira vez na minha vida faço parte de algum tipo de parcela de privilegiados  em absoluto, ou de alguma minoria, se preferir assim. Somos cerca de um bilhao de pessoas no mundo com acesso à internet, mas apesar desse numero parecer grande, ainda restam 80% da populaçao mundial sem acesso a grande rede.

Especialistas estimam que, no primeiro semestre de 2009, metade da populaçao brasileira, ou seja, mais de 90 milhoes de indivíduos, terao de alguma maneira acesso à internet, seja em casa, no trabalho, no celular, seja em locais públicos. A cada ano, a conscientizaçao de que expandir esse acesso é sinonimo de inclusao social, cresce, e muito se tem feito. Mas ainda é pouco.

Todo dia eu rezo e junto com minhas energias positivas emanadas para esse universo, tem o meu desejo e a minha projeçao de que um dia seremos todos um, realmente TODOS-um, com livre acesso à informaçao, à cultura, aos direitos humanos à liberdade de expressao, à saùde e à internet. 

VIVA A MODERNIDADE!

 

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O tema do texto de hoje foi uma proposta feita pelo blog ESTERANçA da Ester e se voce clicar no selo vai ler mais opinioes sobre o assunto e conhecer mais pessoas que me fazem sentir parte de alguma coisa muito maior do que apenas o meu mundinho.

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Parabéns dodòi!

Hoje é aniversàrio do marido Ernesto.

AUGURI, meu amor!!

Mas… meu amor nao està bem.

Passou a noite com febre, nausea, dores no corpo, mal estar generalizado…

Nao quis comer nada, tomou sò um chazinho, tadinho.

Estou là com ele, de enfermeira de plantao, tà?

Beijo. Ciao.

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Frio

Marido Ernesto tà de plantao.

Eu, to ali debaixo das cobertas.

Beijo. Ciao.

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Continuando a retrospectiva do ultimo ano…

Mamae_ErnestoOGNINA – No finzinho de agosto minha mae veio do Brasil me visitar. Nem preciso dizer que foram tantas emoçoes, nè? Ela pirou o cabeçao de tanto que curtiu o velho mundo. Mal peguei mamae no aeroporto e jà fomos dar um passeio pela orla, na cidadezinha de Ognina. De cara ela ficou impressionada com a linda e maravilhosa cor azul do mar Mediterraneo.  E’ mesmo de babar, viu? Pra quem no Brasil morava a mais de 1.500 Km de distancia do mar, morar numa ilha e pertinho do litoral jà é um deslumbre. E sabemos bem aproveitar esse privilégio.

Familia_EtnaETNA – Minha mae é uma senhora, jà beeeem senhora que apesar dos cabelos brancos, que ela insiste em nao pintar, é bastante enxuta e fortona para os seus 75 anos maravilhosamente vividos. A véia (como eu carinhosamente a chamo) além de vir conferir o mundo novo da filhinha e abençoar o nosso lar, tinha um grande sonho para realizar aqui: conhecer o vulcao Etna – meu vizinho. No telefone antes de vir ela sò falava nisso. Jà tinha virado até piada que na verdade ela nao tava nem aì pra mim, que o que queria mesmo era ver o tal vulcao! Hehehehe! E tinha que ver lava! O passeio de subida é sempre maravilhoso, mesmo que jà tenha feito varias vezes. Meus sogros foram junto pra prestigiar o momento e depois almoçamos no restaurante tradicional que fica bem na base do vulcao. Minha mae adorou, mas jà soltou esses dias ao telefone que da proxima vez que vier tem que ver o Etna de novo, sò que com neve! 🙂

AcicastelloCASTELOS– Como boa rainha que é mamae teve todos os seus sonhos e desejos devidamente   satisfeitos  e ainda de Castello di Lombardiaquebra conheceu mais ruinas historicas e alguns castelos pra depois poder contar pra sua netinha (minha sobrinha Brunequinha) que é uma princesa. Visitamos Acicastelo e seu Castello Normanno, depois fomos visitar o Castello Ursino que fica no centrinho de Catania e por ultimo viajamos pra conhecer o Castello di Lombardia em Enna.

Fontana di TreviROMA – No meu aniversario, em setembro, minha mae me presenteou com uma viagem à Roma e, entao, fomos nos tres passar uma semana na internacionalmente  conhecida como “A Cidade Eterna”. Foi delicioso rever alguns dos pontos turisticos mais famosos do mundo junto com ela. Até porque nao cansa nunca (re)visitar  a Fontana di Trevi, a Piazza di Spagna, o Pantheon, Coliseuo rio Tevere, o Colosseu, o Forum Romano, o Arco di Constantino, o museu do Vaticano, a Piazza San Pietro, a Capela Sistina, a Bocca della Verità, a Piazza Navona, a Via Condotti, a Piazza Italia, a Ilha Tiberina, os aquedutos, o Castello di Sant’Angelo, a Via Appia, as termas, a Santa Scala, o Palacio Imperial, as igrejas, as fontes, as praças, os obeliscos …

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Essa semana estou completando um ano de Italia! Resolvi contar um pouco do que foi esse primeiro periodo aqui. Quero mostrar alguma coisa do que vi, do que ouvi, do que li… do que vivi.

Começo, entao, com a retrospectiva das cidades que visitei. Um pedacinho de cada lugar, mais ou menos uma por mes, sò pra dar um gostinho. Se quiser saber mais sobre alguma delas me pergunta que eu conto mais depois, ok?

Torre de BelémLISBOA – Nos casamos no comecinho de fevereiro e viajamos em seguida de lua-de-mel para Lisboa.  Tava um frio desgraçado e eu sofri, viu? Mas passamos momentos deliciosos e foi tao gostoso passear pela cidade e conhecer um pouco dos antepassados do meu paìs. O mais engraçado era estar na Europa e falar portugues! Hehehehe… Nossa lingua é realmente uma boa mae. Graças a ela me sentia confortavel e segura no primeiro contato com o mundo novo.

Catedral de Catania

Catedral de Catania

CATANIA – A cidade que me acolheu. A terra do marido Ernesto, na ilha, na Sicilia. Um lugar especial que tem sua vida marcada por terremotos e erupçoes do vulcao Etna… E’, eu tenho um vulcao como vizinho… Mas nao é ele que me mete medo, e sim o frio. Tà, sou muito friorenta  e ainda peguei, de cara, uma sinusite e uma conjuntivite, duas chatices que me obrigaram a ficar mais quietinha e ir me adaptando aos poucos. O primeiro dia de sol e consequentemente de liberdade foi em março e aproveitamos para um passeio no centro historico.

Paisagem de Agira

Paisagem de Agira

AGIRA – Em abril o marido Ernesto começa a trabalhar numa cidade da regiao central da Sicilia. Fizemos, entao nossa primeira viagenzinha com o objetivo de mapear as estradas de acesso e conhecer o posto onde ele trabalharia de guardia médica. A cidadezinha, tipica de regiao de montanha,  pequenininha, acolhedora e simpatica nos brindou jà desde a estrada com uma paisagem de inicio de primavera, prados verdes e muitas flores. Parecia uma pintura! Uma beleza!

Castelo de Sperlinga

Castelo de Sperlinga

SPERLINGA – Em junho fomos conhecer Sperlinga que é uma comuna italiana da regiao central da Sicília, província de Enna, com cerca de 963 habitantes. Pequeninissima estende-se por uma área de 58 km2. (Fonte: Wikipedia). Sua maior atraçao è um raro exemplo de castelo rupestre, em parte escavado na rocha, provavelmente no periodo anterior aos Siculos (povos originarios da Sicilia, pre-greos – XII-VIII seculo a.C.), em parte costruido sobre a mesma rocha, entorno ao ano 1000. E’ um castelo muitissimo bem conservado, dentre os que eu jà vi, um dos mais  preservados e ainda foi totalmente restaurado hà uns 20 anos atràs. De cima do castelo temos a visao panoramica de 360° do centro da ilha. De tirar o folego!

Mosaicos em Villa del Casale

Mosaicos em Villa del Casale

ENNA  – Em julho, jà em pleno verao, fizemos muitas viagens. A maior parte dos passeios foi na Sicilia central,  com seus castelos,  torres e sitios arqueologicos diversos. Num fim de semana aproveitamos e visitamos, no centro da cidade de Enna a Torre de Federico, o Castelo di Lombardia e depois pegamos a estrada e fomos conhecer ainda o internacionalmente famoso sitio arqueologico de Piazza Armerina , a Villa del Casale, com os mais bem preservados exemplares de mosaicos romanos (do IV seculo d.C.), distribuidos numa àrea de mais de 3.500 m2., reconhecidos como patrimonio historico da humanidade pela Unesco.

Roccalumera e a bòia rosa

Roccalumera e a bòia rosa

PRAIAS – Em julho, ainda, o calor pega! Mas dessa vez, ao contrario do frio, nao tive nada do que reclamar, foi sò alegria! A bola da vez foram as praias. Como estamos numa ilha, voces podem imaginar, o que nao falta é litoral pra conhecer. Teve Marina di Cottone, Letojanni, Santa Maria La Scala, Giardini Naxos, Roccalumera, Brucoli… Sò pra citar a parte oriental da ilha. Teve passeio de uma manha, de um dia inteiro, de fim de semana, de alguns dias, com amigos, com a familia e ao meu lado o marido Ernesto….  além da minha bòia rosa. E’, eu me aventuro em qualquer aguinha, pocinho, lago, rio, mar ou até poça de chuva… mas sempre com minha fiel companheira.  Se eu sei nadar? Sei, mas me apeguei a essa amiga inflavel num periodo dificil da minha vida e hoje, mesmo nao precisando mais dela, nao abro mao do conforto e da alegria que ela me proporciona. Ah! Jà aviso logo: nao dou, nao vendo e nao empresto!

Bom, por hoje paro por aqui. Amanha mudo o tema e continuo com a retrospectiva  falando das coisas que eu li nesse ultimo ano. Lembrando que amanha é dia da blogagem coletiva proposta pelo blog Fio de Ariadne e o tema é O livro da minha vida, ao invés de contar sobre o livro que marcou a minha “antiga” vida, resolvi falar dos livros representativos desse periodo da minha “nova” vida… desse admiravel mundo novo da LuLu.

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La messa

Hoje teve um sepultamento de um conhecido do marido Ernesto. Um meio-tio-torto, irmao da mulher do tio de verdade dele. A familia decidiu nao acompanhar o corpo no cemiterio, mas prestar uma ultima homenagem na igreja. Fomos, entao, à missa de encomenda da alma do defunto.

Nao vou destrinchar detalhes, me desculpem os curiosos culturais, porque no fim das contas, missa é tudo igual em todo lugar do mundo. Nem a igreja era daquelas Brastemp, cheia de obras seculares, ouro, barroco e tal. Meio decepcionante, nè? Apesar daqui ser o pais numero um do Catolicismo o evento teve o mesmo tom automatico-repetitivo de toda missa que eu jà fui na minha vida. Nao sei se isso é bom ou ruim, mas talvez por causa dessa tediosa familiaridade eu me senti em casa. Detalhe: foi a primeira vez que fui a uma missa aqui na Italia. Sò teve um unico momento no qual me emocionei de verdade, de sentir os olhos rasos d’agua: foi na hora da saudaçao da paz de Cristo. Achei tao bonitinho apertar a mao de quem nao conheço, assim, de maneira natural e sincera, olhando nos olhos, com humildade, e ainda mais falando em italiano.

Acho que eu to mesmo muito carente de calor humano… Ai, ai!

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Ano UM!

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O que vale na vida nao é o ponto de partida e sim a caminhada.

Caminhando e semeando, no fim teremos sempre o que colher.

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UM ano!!!

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Neve

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Faltam 31 dias.

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Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval.

 

– Vinicius de Moraes –

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Em minha primeira participaçao numa blogagem coletiva* tinha que ser esse o tema, claro. Porque eu falo quase todo dia do mundo novo, a Itàlia, essa terra admiràvel que me recebe com muito amor, mantenho a patota atualizada com os temas da ilha do lado de cà do oceano mas, meu coraçao, quando bate, bate mesmo é pelo meu paìs. E é com lagrimas nos olhos, taquicardia, as maos tremulas, frias e suadas, que vou abrir a caixa da emoçao pra registrar aqui o que refletem as minhas pupilas dilatadas quando se fala de Brasil: Brasilia.

A primeira coisa, entao: ordem. Pra quem quiser entender um pouquinho, aviso: tudo por là é dividido em setor. Isso mesmo, tem setor de tudo o que se tem numa cidade. Tudo. Setor de hoteis, de motéis, de hospitais, setor comercial, setor residencial, setor de autarquias, de industrias, de diversoes… Tudo. Aprendi logo cedo no hospital Santa Luzia, e logico, no setor hospitalar, que fica pertinho da avenida W3. Foi num dia de cidade esvaziada, como acontece às  vésperas de Dia da Independencia, numa sexta-feira, quinto dia de setembro, em 1969. Foi feriado em nossa casa. Como tudo na cidade, organizada, nasci Maria Luiza. 

Organizaçao, sim, é a primeira palavra que ela nos traz, e também muita luz e muito verde, como bem percebeu o marido Ernesto em sua primeira visita à capital do Brasil. Muito mais do que uma “maquete”, c0mo é sarcasticamente  citada pelos superficiais, e muito além de seu plano  horizonte,  minha cidade natal representa o meu centro. . . O eixo.

O eixo central divide as asas, numa cruz-aviao. Norte-sul, Leste-Oeste, ou West, formando os tais setores, alguns constituidos de predios residenciais: as quadras. Na infancia aprendi o que era uma quadra, e nao bairro. E quadra é pra mim sinonimo de mini-mundo, de liberdade, de alegria, espaços abertos, muitas crianças, poeira vermelha e parquinho de areia. Vivemos até os meus 3 primeiros anos num predinho de 3 andares na quadra 416 no final da asa sul. Daqueles do projeto original de JK. A nossa era uma das poucas quadras completas, mas ainda cheia de vaos livres, o que deixava minha mae apreensiva, as vezes, e a me recomendar sempre para andar em grupos. Em Brasilia teve um sequestro de criança famoso. Nem tudo sao flores.

Falando em flores, devagarzinho ao longo de seus 40 e poucos anos a poeira vermelha do cerrado foi mudando e dando lugar a arvores frondosas e sempre verdes, jà imaginadas no projeto original. Junto com arvores nativas, pequiseiros, jatobàs, jameleiros, mangueiras, estao os meus preferidos, os sazonais e alegres Ipes que enfeitam Brasilia a cada estaçao com cores fortes e vibrantes. Tem um em especial, amarelo, que simboliza pra mim a vista da janela de nosso apartamento na 210 sul.  O dia-a-dia sempre foi rico também em belezas naturais. Furia de ventos, raios, relampagos e trovoes, granizo e neblina.  Beleza rara e comum, principalmente  em dias de chuva e arco-iris. Paisagem digna de arrepios de tao linda.

A minha cidade me impulsionou desde cedo a caminhar sozinha, a fazer escolhas responsaveis, a estudar muito, a decidir com segurança, a conviver com as diferenças… Minha cidade segrega, infelizmente, mas colore muito mais suas ruas com gente de todo o paìs e do mundo, assim como os Ipes o fazem. Minha cidade tem o menor indice de acidentes no transito, é exemplo no respeito à faixa de pedestres é o segundo maior PIB do Brasil, mas tem sujeira além da beleza, tem coragem e medo, violencia e paz, tem polìticos, politica e corrupçao, tem distinçao social, racismo e miscigenaçao,  tem pobreza, tem riqueza…  Minha cidade tem liberdade de fé, tem misticismo, tem cientologia, arquitetura e engenharia ousadas, tecnologia de ponta, modernidade, tem respeito e diversidade… tem a promessa de ideais de muitos …  tem Brasil.

Minha cidade, acima de tudo, tem potencial pra crescer e virar gente grande.  Eu nasci e cresci là. Um dia, alcei voo, segura em suas asas, e vim parar bem longe em busca dos sonhos acalentados naquela infancia feliz vivida ali . Mesmo distante ouço sua voz me lembrando que somos todos unicos, originais e em constante evoluçao e que devo fazer a minha parte pra construir um mundo melhor. Mesmo distante ela nao pàra de me ensinar. A ultima coisa, enfim: progresso.

*Iniciativa de blogagem coletiva da Andréa Motta do blog Leio o mundo assim.

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To dodòi

Tinha uns dois dias que vinha sentindo uma dorzinha de cabeça chatinha… Sem nenhuma razao aparente e bem localizada na fronte. O marido-Ernesto-meu-amor-e-meu-médico-particular diagnosticou: sinusite. Pra piorar, ontem, mesmo nao me sentindo muito bem, fui pro curso de culinària e, além de frio, tava chovendo. Resultado, hoje passei o dia de gorrinho, cachecol e debaixo das cobertas, a maior parte do tempo. Comecei a tomar os remédios homeopàticos que o marido receitou e pra eu ficar boa logo nao vou ficar muito tempo por aqui hoje, porque tà bem friozinho. O marido tà de plantao, entao vou tomar uma sopinha de abòbora que eu fiz pra me esquentar e vou voltar pras cobertas. Depois eu conto da aula. Prometo.

Beijo.Ciao.

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Quando cheguei aqui nao conseguia entender nada na TV, nos telejornais, e nem no radio. Sò via filmes em DVD que tivessem legenda em italiano pra eu poder acompanhar e ainda assim entendia muito pouco. Meu ouvido parecia estar habituado apenas a voz e a dicçao do marido Ernesto e todo o resto soava embolado. Devagarzinho a mente foi se abrindo e fui me acostumando com outras maneiras de falar, além da do marido. Aos pouquinhos fui entendo mais e mais e hoje entendo uns 95%, com pouquissimas exceçoes onde eu entendo a dicçao, mas nao sei o que significam algumas palavras. Mas até o vocabulario tem crescido bastante. De tudo o que ainda apanho, o mais dificil pra mim é exprimir alguns sentimentos em italiano. A emoçao que construimos durante anos de nossa vida parece que cria uma simbiose natural com algumas palavras e significantes e significados se enraizam na alma. Eu até que tento traduzir algumas emoçoes em palavras, mas dize-las em italiano nao tem gosto, entende?. Além de nao ter traduçao exata pra muita coisa que quero falar e, na hora que o bicho pega, principalmente quando fico brava, tenho que falar minha lingua madre senao acabo gerando mal entendidos. A minha impressao é que na hora da emoçao forte, falar em outra lingua é igual a catar milho do teclado. Perde. Nao dà. Nao consigo sentir, parar, pensar, formular, traduzir, escolher, falar e ainda permitir fluir a emoçao naturalmente.

Apesar de ainda sentir um pouco de canseira na cabeça, ao fim desses 8 primeiros meses jà estou me virando bem com a nova lingua. Claro que sempre imagino que tudo seria bem mais facil se eu tivesse começado a estudar quando era mais nova, com uns 20 aninhos. A cabeça hoje em dia jà demora um pouco pra pegar no tranco! 😉 Sério! Nem adianta dizer que eu exagero que eu nao sou velha, porque é verdade que nao tenho mais a mesma flexibilidade mental de 20 anos atràs. Mas sou determinada, em qualquer idade, e vou chegar là logo, logo. Minha meta é falar e escrever fluentemente e jà alcancei ao menos a metade disso, e olha que ainda nem comecei a estudar em um curso formal, sò estudo em casa. Eu chego, sei que chego.

Segunda é dia de dar aula de ingles. Como se jà nao bastasse a confusao que fica a minha cabeça  assimilando o Italiano eu ainda me meto a ensinar ingles pra sobrinha do Ernesto. Claudia està no que seria a oitava série nos meus tempos de escola. Aqui, corresponde ao ultimo ano da escola media. Esse ano é um ano decisivo para ela de preparaçao pra escola superior. Ela tem italiano, frances e ingles na escola e nao tà dando conta de tudo sozinha, entao, me ofereci pra ajudar. Sempre tive muita facilidade para o ingles,  estava meio enferrujada mas jà estou reaprendendo muita coisa com ela. Desde o inicio do ano ela vem fazendo o reforço de ingles comigo e, modéstia à parte até que estou me saindo uma boa professora. Nos divertimos muito trocando figurinhas, pois é um tal de corrigir uma palavra em ingles que ela escreveu errado e ao mesmo tempo perguntar: Claudia, como se escreve essa palavra em italiano, mesmo? 🙂 Hehehehehe..

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Ernesto acabou de sair pro trabalho. Uma hora de estrada, mais uma noite de plantao. Semana passada eu fui pra Villarosa com ele e passei a experiencia de uma noite de guardia medica. Foi muito gostoso estar ali, apesar do desconforto, com apenas uma caminha estreita pros dois. Minha sorte é que foi tudo tranquilo, nao teve nada de grave e até que eu consegui dormir um pouco. Ficamos juntos, nos esquentando na noite fria, curtindo agarradinhos os minutinhos entre um atendimento e outro.  Ele nao dorme, apenas cochila. Faz tudo sozinho, nem tirar os sapatos ele tira a noite inteira pra nao perder tempo e atende as pessoas, e atende o telefone… Vi o quanto é importante o seu trabalho além de ser bem cansativo e stressante. Foi importante pra mim o exercicio de me colocar no lugar dele.

De manhazinha, voltamos pra casa em silencio, nos olhando de vez em quando nos olhos, com tanta ternura, e admirando a linda vista da estrada.

 

Foto By LuLu na Italia ©

Foto By LuLu na Italia ©

Hoje eu fiquei, mas meu coraçao foi com ele.

Bom trabalho, meu amor.

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Hoje eu acordei com dor de cabeça, com vontade de vomitar, de me jogar de uma ponte e de matar o marido Ernesto à garfadas. Tudo ao mesmo tempo aqui e agora. Assim, abri os olhos e vi o mundo cinza-fosco. O quarto todo escuro, por causa das cortinas de metal, tem apenas a luz da estufa acesa. Vejo o marido que dorme. Sinto a boca amarga. Nada de beijo hoje. Sento na cama. Acendo o abajour do meu lado. Tomo o floral. Coloco os brincos. Apago. Agora està mais escuro. Levanto chutando o chinelo e tropeçando no tapete. Saio do quarto e o frio gela meus braços. Volto, pego um casaco de moletom, passo talco nos pés, calço meias, saio de novo. Marido Ernesto ainda dorme. Chego ao banheiro, coloco pasta de dente na escova, me olho no espelho e.. PUTZ! QUE MERDA!.. QUATRO ESPINHAS! GIGANTES!!! Ahhh nao! Escovo os dentes rosnando e pensando: é melhor o Ernesto nao me encher o saco hoje e se ele perguntar quando levantar – “cade meus oculos, jòia?” – eu pego o garfo… Juro! Eu to que to! Lavo o rosto, arrumo os cabelos da franja disforme, que nao cresce nunca,  e hoje se parece com o escovao do McDonalds..  😦  Prendo pra cima com uma piranha. Fica uma bosta, mas nao pretendo sair de casa tao cedo. Olho uma mancha de sei là o que no chao do corredor. Maldita faxineira que nao veio ontem! Vou pra area de serviço. Pego um pano de chao. Limpo a mancha. Volto. Esfrego umas pantufas que botei de molho ontem. Esfrego, esfrego vigorosamente. Deixo de molho mais um pouco. Coloco umas toalhas na maquina de lavar. Ligo. Enxaguo umas calcinhas que lavei e coloco pra secar. Limpo o tanque. Guardo o sabao e a escova. Vou pra cozinha e começo a lavar a louça que restou de ontem. Que saco essa louça! Ai..ai.. Eu lavo, lavo, lavo e nao acaba nunca! Escuto o marido Ernesto levantar. Ele vem me dar um beijo e diz: buon giorno, nenem. Nem olho e dou um grunhido em resposta. Continuo na louça. Ele pergunta se quero comer alguma coisa. Respondo: Niente. Ele insiste: uma fruta, um biscoitinho? Eu irritada: Niente è niente. Nao quero nada. Ponto, basta. Ele abre a geladeira e pega uma manga. Pega uma faca pra descascar. Descasca. Come em silencio. Termina, levanta e vem colocar a faca na pia pra eu lavar… Eu olho aquela mao se aproximando com a faca suja depois que eu jà lavei quase tudo, espremo os olhos e penso: aproveita! Pega um garfo, um garfo.. anda.. vai..  AGORA!!!

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Fluindo…

Ontem à noite adormeci com Ernesto me fazendo cafuné e lendo trechos de um de seus livros prediletos: Manuale del Guerriero della Luce de Paulo Coelho. Um livro, no minimo interessante, que fala sobre coisas que, nesse momento, acreditamos que sejam verdade, com as quais nos identificamos e que nos fazem pensar, sonhar, falar… e construir muitas coisas. O Manual do Guerreiro da Luz elenca atitudes e valores que, por mais obvios e ululantes que sejam, sao sempre atuais e dignos de alguma reflexao. Devo confessar que Paulo Coelho, com sua linguagem adolescente-generalista-comercial-internacional, me incomoda muito. Nao posso cuspir no prato que comi e devo confessar ainda que Brida foi um dos seus hits que fez parte da minha descoberta mistica na adolescencia. Sorvido com prazer, é bem verdade. Mas, hoje, muitos anos depois sinto, desiludida, que o autor se manteve raso e o acho bastante brega. Bom, meu proposito aqui nao é o de condenar nem o autor, nem sua obra, muito menos o livro que lemos ontem, como eu bem disse é interessante, agradàvel, mas sim dissertar sobre uma idéia que a cada dia me perturba mais. A idéia de GUERREIRO.

Um amigo querido, o Luizinho, tratou em seu site um tema semelhante e me ajudou ainda mais na minha reflexao pessoal. Assim como ele inicia seu texto, faço aqui também um preambulo de paz, deixando claro que nao tenho intençao de ofender, nem convencer, nem disputar nada com ninguém. Estou expondo minhas idéias, e vibrando o que acredito ser uma consciencia diferente daquela que eu tinha hà bem pouco tempo atràs.

Vamos là. O ponto é que, seja dentro de si, seja fora, na Terra, nos planetas ou na galaxia, a guerra é estranhamente aceita. Claro que tendemos a ficar do lado do bonzinho, do heroi, do mais forte, do mestre Jedi ou o que o valha, mas nao nos damos conta de que independente de quem “vença” tem sempre a tal guerra. Meu amigo enfatiza, e eu concordo plenamente, que essa cultura está tão impregnada que vemos exemplos e detalhes dessa aceitaçao banalizados no dia-a-dia, como quando se pergunta: “como anda a luta?”, para saber como está o dia ou o trabalho da pessoa. Dizemos ainda com muita frequencia, por exemplo, que estamos “lutando” por nossos direitos ou “batalhando” por nossos interesses sem nos darmos conta do quanto estamos reforçando a competiçao, e a violencia. Queremos a paz mas falamos sò de guerra. Nao damos atençao ao efeito que nossas palavras e pensamentos causam em nòs e, reflexivamente, em toda a humanidade. Porque eu acredito que aquilo que projetamos acontece afirmo que, para aquele que acredita que se deva travar algum tipo de batalha para se viver ou evoluir, para todo aquele que projeta que a vida é uma guerra, seja fora ou dentro de si, existe uma grande certeza: em todos os dias de sua vida voce terà extamente aquilo que deseja – guerra.

Essa crença febril na competitividade e na guerra, permeia o inconsciente coletivo hà tanto tempo que há uma ilusao geral de que se a pessoa não for guerreira ou combativa não irá obter sucesso, nao crescerà, nao progredirà. Dizer que uma pessoa é guerreira, é até um elogio nao é mesmo? A aceitaçao da idéia do guerreiro está tão intimamente arraigada entre nòs, hà seculos, nessa existencia que, ironicamente é adotada mesmo dentro dos círculos espirituais e na linguagem dos chamados “mestres”, pressupostamente elevados numa consciencia superior, onde se fala em Guerreiro da Luz, Guerreiro Espiritual, Guerreiro Yogue, O Bom Combatente…

Respeito quem nao compartilhe o que eu penso, mas me parece um equivoco, pois a minha experiencia e vivencia nesse mundo me ensina sempre e a todo momento, independente ou até bem mais além dos meus aparentes “esforços” para evoluir. Acredito que é imprescindivel me posicionar e fazer a minha parte, sim, como nao? Mas acredito também que quanto menos tento convencer os outros de minhas crenças, ou qual caminho seja o melhor a seguir, mais percebo que ganho energia para me dedicar ao meu proprio caminhar e mais pessoas surgem querendo seguir na mesma direçao. Nao tenho as respostas, como costumo dizer, e nao me refiro a sermos inertes, mortos, sem força, vitalidade, ou alegria de viver! Longe disso! Mas sinto que quando estamos atentos, abertos, alertas e muitas vezes silenciosos vivenciamos a harmonia tao almejada que jà habita em nòs. E definitivamente, numa proposta bem zen até mesmo para mim mesma, sugiro, com um frio na barriga pessoal, confesso, que o melhor seja nao gastarmos nossas essenciais reservas de energia nos opondo a seja lá o que for.

Nao se oporNao lutarPermitirFluir

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Ernesto jà està hà um mes cumprindo os plantoes de guardia medica numa cidadezinha chamada Villarosa, que dista pouco mais de uma hora de Catania, onde moramos. Meio canseira pra se chegar là, pois ele pega uma auto-estrada por uns 50 minutos e depois, na cidade principal que é Enna, segue ainda por mais uns 20 min por estradinhas estreitinhas e tortuosas, porém lindas, como aquelas dos quadros de grandes pintores famosos. Dependendo do tempo dao um pouco de medo, sabe? Com a chegada do frio, no inverno ele terà que colocar correntes pra nao deslizar na neve.  A cidadezinha é muito pequena, tem cerca de 5.600 habitantes, como indica a Wikipedia. Pequena, com ruazinhas estreitas, encrustrada nas montanhas numa regiao muito àrida. Num versinho de uma “trova siciliana” conhecemos a mais pura descriçao da cidade:

“Dentro una conca sotto una montagna
tra due fiumi, uno amaro e l’altro dolce,
c’è un paesino con le strade in croce
e poco verde nelle campagne;
nella terra arida attorno
cento rarità di frutti produce,
di giorno fumiga, di notte luccica
e nelle sue viscere si piange e si suda.”

Villarosa - Sicilia - Italia

Villarosa - Sicilia - Italia

 

“Dentro de uma bacia sob uma montanha entre dois rios, um amargo e o outro doce, existe uma vila com as ruas em cruz e pouco verde no campo; na terra árida em torno de cem raridades de frutos produz, de dia fumega, à noite reluz e nas suas entranhas se chora e se sua.”

 

 

Ernesto chegou ontem, do plantao da madrugada dessa cidadezinha, com uma novidade especial: tinha feito o seu primeiro parto! Chegou contando, todo emocionado ainda, que, na verdade, o pequeno Samuele nasceu sozinho. Quando ele chegou là sò teve que cortar o cordao umbilical. Acompanhou a mae e o bebezinho, junto com a ambulancia, até o hospital, o tempo todo com o Samuelzinho no colo. Molto bello, segundo ele mesmo disse, tranquilo e sereno.

Ficamos um dia inteiro curtindo juntos essa emoçao. Pro Ernesto e pra mim também foi mais um sinal de buon augurio, e de que estamos cercados de muita vida, amor e justiça.

E viva o Samuele!!!!!

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Nao sabia falar NADA quando conheci Ernesto. Nos viràvamos em ingles pra nos comunicarmos e via msn ainda!! O ingles dele literalmente macarronico e o meu, hummm, assim, dava pro gasto. Aos poucos fui percebendo que entendia alguma coisinha de italiano quando ouvia ele falar palavras parecidas com o portugues. Fui formando, primeiro, um vocabulario basico, alguns verbos, substantivos e expressoes essenciais. Comecei a me comunicar e me empolguei! Comprei de cara uns 2 livros de estudo auto-didata e meti bronca. Lia também obras pra estrangeiros, com textos simples e vocabulario anexo. Estudei todos os dias por 3 meses e me preparei para vir. Cheguei aqui na Italia, pela primeira vez, em abril de 2007, sabendo somente o minimo pra me virar no aeroporto, escutar a conversa da familia do noivo, ler placas na rua… e olhe là. Ficava sozinha em casa e fui incrementando meu vocabulario ouvindo radio e assistindo a DVD’s de filmes em italiano com legenda em italiano pra entender. Fui pegando gosto por aprender mais uma lingua e continuei a estudar, sozinha e depois formalmente com um professor particular quando voltei ao Brasil, e nao parei mais. A cada dia aprendo uma nova palavra. Nao somente uma nova palavra em italiano, conhecida e pronta, mas também venho descobrindo coisas novas que eu nunca tinha visto antes. Em casa, por exemplo, a jardinagem, pratica que eu nunca fiz no Brasil, me abriu um infinito vocabulario de flores, arvores, orti-fruti que eu nao tenho a menor idéia do que seja em portugues.. hihihihihi..

Decidi registrar tudo aqui. Sempre que possivel com fotos pra ilustrar bem. Quem sabe alguém me ajuda a desvendar aquelas coisinhas baaaaasicas que descobri aqui e que ainda nao sei como chamar em portugues.

Falando em basico a palavra de hoje é …

BASILICO. Foto By LuLu na Italia © ……………………………………………………………………………………………….

Muita gente jà conhece e no Brasil é conhecido por Manjericao, Manjerona ou Alfavaca, dependendo da especie, tamanho, tipo.. etc. Vim conhecer realmente aqui. E faço um Pesto, que aprendi com minha sogra, de comer ajoelhada, como dizia Vinicius de Moraes. O basilico, pra quem nao conhece é muito cheiroso, rico em vitamina B e òtimo pra memòria. O da foto, de folha larga arroxeada, que tenho plantado na minha horta, minha sogra diz que é uma espécie marroquina, mas também tenho o verdinho e o de folha miuda que é o verdadeiro, o mais cheiroso, o poderoso e vitaminado. Todos explodiram de tanta flor na primavera desse ano. Ah.. VIVA A PRIMAVERA!!!!!!!

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