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Archive for the ‘Diferenças’ Category

A ursa.

No inverno, onde os dias sao mais curtos, sempre sinto uma coisa estranha com o anoitecer tao cedo. A sensaçao é meio angustiante, como se eu ficasse acordada mais tempo do que devia, com noites que nao acabam nunca,  e dias com um tipo de insonia-zumbi, enfim, uma agonia.

De um lado, minha mente me diz que meu corpo deve se movimentar ao invés de seguir o que, do outro lado, meu animo me sugere que é passar a maior parte do tempo enfiada debaixo das cobertas. Vivo, assim, arrastando os dias nessa luta interna e… nem sempre é facil reagir.

Por mais que eu tente me ocupar o tempo escorre lentamente, numa letargia gélida e os tres meses de frio, chuva e neve parecem muito, muito longos. As vezes chego a pensar que talvez eu tenha uma especie de metabolismo de ursa e que o natural seria hibernar no inìcio de dezembro e acordar sò em março na primavera.

Notas mentais:

Sàbado o curso de grafologia reiniciou e hoje foi o curso de tricot. Vou me obrigando a sair mais de casa e quem sabe o inverno irà passar mais ràpido este ano.

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Inter-rogo

Eu vi num blog de uma brasileira na Italia, Paula, que escreve (ou escrevia, nao sei) no blog Made in Napoli, um post chamado: “Porque sim” nao é resposta!… Ela fazia uma lista de duvidas existenciais e pràticas nessa sua vida no paìs da bota. Adorei a idéia e me inspirei pra abrir meu coraçaozinho cheio de indignaçoes e duvidas sobre minha vida aqui também.  Nao me leve a mal se vou ser crua, dura, pueril ou generalista pois é um desabafo também. Como ela arremata em seu blog: ” Bom, quem sabe nao compartilhamos alguma coisa?… Respostas, mais duvidas ou boas risadas, nunca se sabe.

Porque acreditam que voce tem que saber sambar por ser brasileira?

Porque pensam que voce morria de fome no Brasil e agora esta com a vida boa?

Porque em 2010, pleno século 21 aqui ainda votam com cédula de papel e caneta, fazendo um X no candidato, ao inves de votar com computador?

No verao, que faz muito calor no meio do dia, eu posso até entender a siesta, mas…  Porque aqui tudo fecha das 13hs ate as 14hs o ano inteiro?

Porque um cheque demora ate 10 dias ùteis para ser compensado e para fazer um depòsito em uma conta precisa da autorizaçao do beneficiario?

Porque italiano insiste em perguntar se no Brasil existe pizza e macarrao?

Onde termina o frio e começa o calor? A certeza é que deus dà o frio conforme o cobertor.

Porque aqui nao respeitam a faixa de pedestres?

Porque aqui nao existe varal de teto? Porque nao tem ralo no banheiro e na cozinha?

Saudade pra mim é como um elàstico que se estica, estica, mas em algum momento devo afrouxar, senao se parte. Quanto tempo suportamos  uma saudade? 

Quanto se perde na tradução de um pensamento numa palavra?

Qual a palavra que nunca foi dita?

Porque nao existe uma lingua universal?

Somos todos humanos e dotados da mesma capacidade vocal…  Se nao aprendessemos palavras serà que nao desenvolveriamos outra maneira de nos comunicarmos? Precisa falar?

Como é sentir paz? Parece com o silencio?

Quando sabemos que jà é hora de parar?

Como explicar com lógica coisas que naturalmente vieram ao mundo sem ela?

Hoje acordei meio Chacrinha:  Eu vim para confundir e não para explicar

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Incomplexidade

Uma pessoa imatura pensa que todas as suas escolhas geram ganhos.

Uma pessoa madura sabe que todas as escolhas tem perdas.

– Augusto Cury –

Com essa frase martelando na minha cabeça é que comecei essa semana. Ando meio azeda, talvez pela velha conhecida TPM que se reaproxima, mas enfim, mais reflexiva também.

O mundo novo, jà nao tao novo, começa a dar seus sinais de cansaço. A velha fòrmula de auto-motivaçao pra dar conta das obrigaçoes do dia-a-dia nao funciona tao bem aqui quanto no Brasil e me reinventar a esta altura da vida parece bem mais difìcil.

Falar voltou a ser uma canseira à parte. Voltei a ter que pensar muitas vezes antes de pronunciar o que quero. Tomo cuidado com as palavras, seja em italiano, ou em portugues, até porque acredito piamente que elas tem uma força descomunal sobre nòs, nossos desejos, realizaçoes e até sobre o universo que nos rodeia mas, pra mim, particularmente loquaz na minha lingua madre, é como voltar a ser criança ou adolescente… limitada, com um vocabulàrio muito restrito e aquém da minha identidade interior, sentindo-me incomprendida e frustrada por ter muito mais a expressar do que a capacidade de comunicaçao me permite.

Hoje, estou particularmente angustiada e me sinto incompleta como se nesse mundo nada se encaixe perfeitamente em mim, ou me pertença realmente. Tenho a sensaçao de que falta (e faltarà) sempre alguma coisa, nao importa quais sejam os meus esforços pra me adaptar, me integrar, me inserir… serei sempre uma estrangeira numa terra estranha.

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Hoje de manhã bem cedo o marido Ernesto tava me elogiando na webcam do msn me dizendo que eu tô com a pele bonita, elogiou os cachos do meu cabelo… Ele me acha sempre linda, mas eu senti que até ele percebeu que alguma coisa mudou em mim desde que cheguei ao Brasil.

Na hora eu respondi: é o clima, amore mio. Mas quando disse isso não me referia à esse inverno maluco de Brasília onde os termômetros variam entre 28 e 32 graus(que eu estou amando!!), e sim a todo esse amor e aconchego de útero materno que venho recebendo, que começa no cafuné, deitada na cama de minha mãe, passa pelas duzentas e cinquenta vezes que escuto a vozinha linda da minha sobrinha, afilhados e filhos de amigos queridos me chamando de “titia”, e vai até o brilho no olhar dos afetos, amizades e amores que tenho cultivados aqui.

Jardim de pessoas- flores, temperatura amena, muitos beijos e manifestações de carinho… Esse é o clima ideal.

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O bicho pegou aqui pra quem nao tem identidade vàlida, ou visto de permanencia. Dizem que qualquer fronteira da Italia, seja terrestre, naval ou aérea està parecendo set de filme de segunda guerra mundial. Nao passa ninguém sem mostrar documento e levar pente-fino da polìcia.

Primeiro pensei que era mais uma do primeiro-ministro-fascista-racista-tarado… mas nao, a razao é o G8 que vai acontecer na cidade de Aquila onde teve o terremoto em abril, lembra?

Itália suspende tratado de Schengen antes da cimeira do G8

A Itália suspendeu, até dia 15 de Julho, o tratado de Schengen, que assegura a livre circulação de pessoas na União Europeia. Uma medida que faz parte da vasta operação de segurança que rodeia a cimeira do G8, de dia 8 a 10 de Julho, na cidade de Áquila, devastada pelo terremoto em Abril.

A verificação de documentos à entrada e saída do país foi restaurada à meia noite do dia 28/06, apanhando desprevenidos turistas e cidadãos italianos. O chefe do Serviço de Fronteiras no aeroporto de Fiumicino, em Roma, Giovanni Sigillino, afirma que nas primeiras horas do dia houve alguns problemas, houve pessoas que não tinham passaporte ou estavam na posse de documentos falsos.

Os sindicatos de polícia denunciam a grande confusão provocada pela medida. A primeira consequência foram as longas filas juntos os postos fronteiriços, como, por exemplo, em Farnetti, na passagem para a Eslovénia.

Alguns automobilistas esperaram horas para passar. Um deles afirmou, ironicamente, que parece que a cimeira tinha sido transferida para Lubljiana, pois não havia outra explicação para controlar documentos à saída de um país. Garante que os anarquistas não vão sair de Itália, pelo contrário, vão entrar.

Ao suspender o tratado de Schengen, Roma pretende evitar a chegada de manifestantes violentos para a cimeira dos líderes do G8. Já o tinha feito quando da reunião de 2001, em Génova, mas, na altura, apenas por uma semana e sem grandes resultados.

Fonte: euronews.net

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A maneira como vemos as coisas muda a perspectiva de tudo, nao é mesmo? Tem sido esse o tema dos ultimos dias, foi esse o tema de um conversa que tive com minha irma Aninha, ontem, no messenger… Entao, resolvi publicar aqui um texto que me ajuda sempre que o releio.

Esse texto é da Denise Arcoverde do blog Sindrome de Estocolmo

Dicas pra sobreviver fora do Brasil!

Esse post, eu escrevi ha’ varios alguns meses la’ no blog e as reacoes foram super interessantes. Muita gente me escreveu dizendo que tem tido uma postura muito negativa e que esse post ajudou a ver as coisas de outra forma. Por isso, resolvi reproduzir (e adaptar um pouquinho) aqui:

(…)

Viver fora do seu pais nao e tao facil. Mas eu acho que é muito importante ter não somente uma visão positiva, mas mesmo uma postura positiva, pra ser feliz.

Fiquei pensando no que eu diria pra alguém que mudou pra outro país, ou está pretendendo mudar, para que possa ser mais feliz. Acabou ficando uma lista muito grande, mas você pode ir lendo aos poucos, uma coisinha por dia… ah, e acrescente outras nos repliess, OK? lembrando sempre que essa é a minha perspectiva e não quer dizer que todo mundo deve seguir ou concordar comigo!

1. Não esqueça nunca de onde você veio, sua pátria fez de você o que você é, mas deixe isso guardadinho em algum lugar no seu coração, não fique falando ou pensando nisso o tempo todo e comparando os dois países. Agora você está começando vida nova e deve isso a você e à(s) pessoa(s) que está(ão) lhe acompanhando nessa jornada.

2. Em ambos países você vai encontrar coisas boas e ruins, a diferença é que estamos sempre mais acostumadas com as coisas ruins de onde viemos. Existe coisa pior que ver crianças nas ruas passando fome, pedindo dinheiro, cheirando cola? quem diria que alguém pode se acostumar com isso? mas nos acostumamos, não é?

3. Tente esquecer os estereótipos. Esses são apenas caricaturas, e estamos convivendo com pessoas reais. Nem sempre brasileiros são tão amigáveis e nem sempre os “gringos” são tão “frios”. Gosto de lembrar uma festa que eu fui na Suécia há vários anos atrás. Aniversário de 70 anos (imagine), achei que ia ser um tédio mortal, mas nunca fui tão bem tratada e me diverti muito. Literalmente TODAS as pessoas da festa vieram falar comigo, se apresentaram, perguntaram sobre mim, foram extremamente gentis, pessoas de todas as idades. Cerca de um mês depois fui a uma festa, em São Paulo, na casa do meu irmão. Uma turma descolada, do “mangue beat” pernambucano em Sampa. Praticamente ninguém falou comigo. Não conhecia ninguém e ninguém fez questäo de se apresentar. Portanto, tudo é relativo.

4. Outro estereótipo que eu detesto é que só brasileiro sabe se divertir, que a vida aqui é monótona, que os shows não tem emoção. Já comentei aqui no blog um show que fui do Blur, banda pop britânica, que eu adoro. O show foi o melhor da minha vida. Todo mundo se divertiu muito, dançou horrores, gritou, se emocionou. Com uma diferença, não tinha bebida. Acabou o show, todos sairam ordeiros pras suas festas pós-show ou pra casa. Ninguém quebrou os pontos de ônibus ou fez bagunça nas ruas. Adoro isso! Talvez você não esteja tendo oportunidade, ainda, pra se divertir mas isso não significa que os “locais” estão tendo uma vidinha tão insípida assim!

5. Quando se quer falar que as pessoas da Europa são frias, se diz que eles entram no metrô e enfiam o livro na cara, não olham, nem falam com ninguém. Bem, pelo menos em Recife, não vejo ninguém puxando conversa em ônibus e quando fazem isso as pessoas já ficam com medo, pensando que é um assalto. Não vamos ter expectativas exageradas do povo daqui, né?

6. Que tal porcurar o lado positivo das pessoas do local? aqui eles são honestos, ordeiros, organizados… isso tudo pode ser bom… são “sovinas”, “neutros ao extremo”, “arrogantes”… então vamos tentar achar isso engraçado?? enfim, aprender a conviver com o que a gente tem, pode ser a regra de ouro da felicidade!

7. Não adianta reclamar do clima. Tá frio? tem que se agasalhar. Aqui, na Suécia, se diz que “não existe frio, mas gente mal agasalhada”, Ok, é um certo exagero, aqui tem frio e muito. Mas, não há nada que se possa fazer em relação a isso, é o que digo sempre à Bia. Entäo, vamos tentar ver o lado positivo… você não vai ficar toda suada, pode usar uma linda maquiagem que não derrete e dura a noite toda, as roupas são lindas, a gente fica mais elegante. E o que eu adoro… diminui a ditadura do corpo perfeiro, ninguém tá vendo tudo mesmo, fica todo mundo mais ou menos na mesma “posição”. Ah e eu adoro abusar de luvas e cachecóis lindinhos (e baratos!).

8. Quando sair de casa, olhe a cidade com olhos de turista, pense “gente, quantas pessoas não adorariam estar vendo essa cena, hoje, e eu estou aqui?” estou sempre descobrindo novas facetas da cidade, novas caras. Pego o metrô e me delicio vendo Gamla Stan, TODAS as vezes que passo por ela… estar num lugar lindo é um privilégio que, às vezes, a gente esquece. Eu já fazia isso em Olinda,
quando ia entrando na cidade eu pensava “e os gringos pagam uma nota pra ver minha cidade, que é tão linda e eu tenho de graça, todo dia!”.

9. Valorizar essas pequenas coisas do lugar em que você vive é fundamental. Você não gosta da comida? sempre tem UMA coisinha pelo menos que você vai gostar. Ai, se delicie com ela, ao invés de ficar procurando feijão e goiabada nas lojas especiais. Não tenho quase nenhuma saudade da comida do Brasil. Esqueço que ela existe, por que não é mais uma opção pra mim e não dá pra se viver de ar, nem de nostalgia. Adoro kokosbola, adoro as verdurinhas congeladas, adoro cuscuz marroquino, amo iogurte de blueberry… queijo de coalho?? o que é isso?

10. Não deixe a saudade acabar com você. Mais uma vez, lembre-se que foi sua OPÇÃO… essa é a palavra chave. As pessoas que ficaram no Brasil e lhe amam querem ver você bem. Seja feliz e deixa a saudade, também, guardadinha lá no fundo do coração.

11. Evite viver em guetos. É muito legal encontrar brasileiros, trocar idéias (mas evite ficar só falando mal do país e das suas saudades do Brasil!), ouvir nossa música juntos, mas não se restrinja a isso. Tente estabelecer contatos com pessoas nativas do país e outros migrantes. Absorva novas culturas, isso é refrescante, revitalizante. Saber que existem culturas diferentes da sua e respeitá-las é o primeiro passo para a tolerância.

12. Aprenda o idioma local. Mas “take your time”, faça-o quando você se decidir (também não vale esperar mais de um ano pra começar!), se puder se virar em outro idioma. É fundamental aprender o idioma, mas é melhor se você estiver com a mente aberta, e às vezes é necessário um tempo para adaptação.

13. Pense que, pelo menos no começo, você é um(a) turista com mais tempo pra conhecer a cidade… vá visitando todos os museus, mas agora com muito mais tempo, um por dia, vá conhecendo todos os pontos turísticos, a cidade tem muito a oferecer e você tem tempo… e lembre que, muitas vezes isso pode custar pouco ou quase nada.

14. Não se deixe contaminar pelo mal humor de outras pessoas. Evite as longas conversas do tipo “eu odeio esse país por que…”. Desmonte seu parceiro de papo mostrando tudo de bom que você encontrou aqui.

15. Lembre que você não está sozinha e seu mau humor vai contaminar os outros. A maioria de nós, pelo que percebi nos blogs, veio parar aqui por AMOR. Viemos por que quisemos, eles (ou elas) podiam ter mudado pro Brasil, mas, nesse momento, decidimos que a melhor opção é viver fora do Brasil. Então, respeite a pessoa que você ama, respeite sua cultura, suas tradições, seu país. Evite conflitos do tipo “se eu estivesse no Brasil seria diferente”. Pode ser um atalho pro amor ir embora. Ah, e exija respeito com o Brasil também!

16. Use e abuse da Internet. Não apenas para matar as saudades do Brasil, saber notícias de lá, se comunicar com sua família… mas também para ir descobrindo sua nova pátria, visitando os sites de turismo da sua nova cidade, descobrindo o que tem para oferecer. Visite o site do Governo local, veja quais os direitos e deveres que você tem, como imigrante, conheça mais da cultura local.

17. Faça seu blog. Eles são uma delícia, você encontra grandes amigos e compartilha com outras pessoas as suas experiências.

18. Nossa música é a melhor do mundo, certo? sem dúvida, mas não custa experimentar novos tons. A palavra mágica para um imigrante é EXPERIMENTAR. De tudo, música, dança, comida, bebidas, tudo que estiver ao seu alcance.

19. Imigrante não é um palavrão. Entre 1800 e 1930, não menos que 1.5 milhão de suecos tornaram-se imigrantes na America do Norte. É tudo uma questão conjuntural. Quantos portugueses, italianos, espanhóis, ingleses, não acolhemos no Brasil? Ainda mais num mundo globalizado como esse, somos todos, cidadãos do mundo!

20. O mais importante de tudo… NUNCA, mas NUNCA mesmo se sinta inferior aos nativos do país. Você está lá por uma contingência da vida, não está lá pra se aproveitar do país deles. Está se sentindo discriminado, procure um órgão que defende o imigrante, que existe em quase todo luga… denuncie… a discriminação é velada? ignore, despreze… quando eu acho que alguém (geralmente os mais velhos) pode estar olhando pra mim com alguma discriminação sempre penso “coitado, nem imagina tudo de bom que eu tenho no meu país”… e lembre sempre que você tem um enorme valor e pode trazer grandes contribuições para o seu novo país. Lembre sempre que a França nunca teria sido campeão do mundo, se não fosse Zidane, que tem origem na Argélia.

E viva as diferenças!!!!

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Irmandade

As diferenças me torturam. Nao tanto as fisicas, mais as emocionais. Quando digo “torturam” é porque sinto a agonia, a dor, a confusao mental, raiva, impotencia e toda sorte de sentimentos que possam vir acoplados às praticas de tortura.

Na minha busca pessoal sei que preciso superar isso observando, aceitando e aprendendo, mas nao, eu resisto, rejeito, grito e esperneio. E é muito pior, eu sei.   Tenho tentado aproveitar cada momento em que a loucura nao me toma inteira e com a pouca lucidez que às vezes consigo manter abro bem os olhos e fixo em silencio por alguns poucos instantes sem julgar, mas logo vem a nàusea e… o medo, talvez seja isso… medo. Mentalmente eu repito: aceita, LuLu, aceita… se abandona… deixa fluir, deixa? E eu là, achando que to conseguindo e de repente a coisa desanda.

Sò sei que foi por isso que o universo me deu irmas. Das de sangue. Sò pode ser.  Para que desde cedo eu exercitasse a diferença. Pra ver se eu apreendo por osmose. Porque é muita diferença, viu? E’ tanta que desequilibra o sujeito. Nao é daquelas  harmonicas e pacificas, nao… Daquelas cheias de sorrisos, olhares cumplices, cena de café da manha de comercial de margarina, dialogos inteligentes e mais sorrisos, declaraçoes de amor-pra-dar, sorvete  Häagen-Dazs comido ainda no pote com colher, na cama, em meio à confissoes adolescentes. Poisé. Nunca foi. E nem sei se serà.

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Um certo tipo

Tem um tipo de gente que acorda cedo, pouco depois que o sol saiu, se lava, se veste, calça um tenis e vai dar uma caminhada de meia hora no bairro, na volta aproveita e colhe umas flores do jardim e enfeita a mesa da cozinha enquanto prepara o café da manha sempre com frutas frescas cortadinhas em cubinhos, harmoniosamente ajeitadas numa tijela onde se le “Carpe Diem”, junto com mel e fibras naturais sem adiçao de açucar.

Eu sou do tipo que dorme de màscara nos olhos pra nao ser perturbada com nenhuma frestinha de luz e acorda quando o sono acaba, o que em geral  nunca é antes das oito da manha, tira a mascara, mas sò abre o olho depois de alguns minutos e bem devagarzinho pra acostumar com a luminosidade.  Sempre de pijama calça as pantufas, se lava,  jà sentindo o estomago roncar fortemente, toma um achocolatado instantaneo ou capuccino instantaneo com leite  e bastante açucar, acompanhado de bolo, ou muffin, ou pao de queijo, ou bolachas amanteigadas, ou biscoito de maisena, ou um sanduiche de pao de forma com presunto e queijo, ou ovos mexidos com pao de forma, ou pao de forma com manteiga, ou torradas francesas…  Jà deu pra entender: carboidratos.

Tem um tipo de gente que abre todas as cortinas da casa, acende um incenso de essencia de sandalo,  lentamente estende um tatame,  estrategicamente  enrolado num angulo da sala, se alonga sob o frio sol  que entra de uma das janelas enquanto ouve um CD de musica instrumental indiana que ativa cada um dos chacras do seu corpo, com os olhos fechados, em harmonia com os passarinhos là fora, a mae terra, expirando e inspirando lentamente e fazendo pausas de cinco segundos entre uma respiraçao e outra.

Eu sou do tipo que abre todas as cortinas da casa, liga o radio na primeira estaçao que toca rock, liga a televisao, acessa a internet e pega uma revista e… le uma materia da revista, zapeia todos os canais da TV e acessa os blogs preferidos enquanto ouve o locutor falando, tudo ao mesmo tempo aqui e agora, deitada na cama com as pernas pra cima, porque ainda é muito cedo pra se mexer demais.

Tem um tipo que se motiva com cada detalhe e acha que a vida é bela, cor de rosa, que as pessoas sao todas simpaticas, que cada um tem seu problema e um motivo para nao estar bem, entao aceita uma resposta atravessada como um aprendizado, sorrindo sempre, respirando sempre,  fazendo pausas sempre, falando devagar e andando de onibus e a pé pra chegar no trabalho de assistente de auxiliar de faxina de um motel de estrada, ganhando por mes uma quantia que no Brasil gastaria  sò de salao, manicure, massagista e depiladora , pensando: Ahhh, pra que fazer as unhas?

Eu sou do tipo que se deprime com a falta de sol e acha OITO meses de frio e esse solzinho de mer*… um absurdo para um ser humano e nao tolera nenhum tipo de machismo, racismo, xenofobia, ignorancia e grosseria de ninguem e responde sempre fazendo discursos inflamados, irritada,  imaginando o tempo inteiro as coisas boas que poderia estar fazendo no Brasil, lembrando dos amigos, da agenda cheia, do home office, da agitaçao da night, da manicure que vinha em casa, da drenagem linfatica e limpeza de pele semanal, pensando na maldita idéia de largar toda a sua estrutura de vida pra trás por um amor e uma cabana, na grandessísima  ingenuidade ou imbecilidade de acreditar que talvez poderia viver melhor na Europa do que no Brasil.

Tem um tipo de pessoa que pega suas decisões e carrega a vida toda com uma certeza quase divina.

Eu sou do tipo que se arrepende.  Eu reclamo, eu esperneio, eu resmungo, eu repenso… Onde é que eu fui amarrar meu jegue?

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Boris Mihajlovic Kustodiev, Russia, 1878-1927

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Merchant’s wife, 1918 – Fonte: Gatochy

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The Beautiful, 1915 – Fonte: Tyk!

 

Fernando Botero – Colômbia, 1932

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The Letter, 1976 – Fonte: Fotos.org

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Woman in Front of a Window, 2004 – Fonte: artnet.com

 

Peter Paul Rubens,  Alemanha, 1577-1640

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As Tres Graças, 1638 – Fonte: Sombria Elegancia

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Woman with a Mirror, 1640 – Fonte: O Mundo Inominavel

 

Tem muitos mais pintores que projetaram em suas telas mulheres lindas-gordinhas-gostosas-encantadoras-charmosas transformando-as em famosas pinturas, e muito mais obras desses que selecionei, mas jà tà bom assim. Me detive aqui fiel àqueles artistas que realmente manifestaram apreço por suas modelos e o declaram publicamente, e nao pensaram como alguns pensam: “Um artista faz o que pode com o que tem. Nem sempre ele tem o ideal…”, ou: “Usei modelos gordinhas porque as gostosonas cobram bem mais caro.”, a meu ver, desprezando as pessoas que posaram pra eles e reforçando um conceito de “padrao de beleza” onde “gostosa” é sò quem é magra.

Bom, a grande inspiraçao pra esse post veio, na verdade, com uma inocente busca no Google onde eu coloquei: “quadros, gordinhas” e, dentre os resultados, me deparo com essa foto minha!!!

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E’ uma foto, tirada em Roma pelo marido Ernesto, que publiquei aqui no Mundo Novo. O post que gerou a foto nao tem nenhuma palavra que faça referencia aos termos de busca em questao. Foi uma ediçao que fiz de fotos das estaçoes do ano e, no caso, essa foto ilustrava um visual de verao. Eu até jà falei sobre quadros de gordinhas nesse post aqui, e talvez seja por isso que o Google redireciona essa foto, sei là. Tem outras fotos daqui do Mundo Novo no resultados da pesquisa, mas entre tantas porque serà que essa foi a primeira? Tomei um susto, mas eu adorei, juro! Eta mundinho, nao? Ai..ai..

Porque esse mundo é dinamico e podemos apreciar bem mais a paisagem se nos mantivermos conscientes de nòs mesmos, se aceitarmos nossa realidade,  nossos limites, se vivermos com prazer o dia de hoje, o momento atual, enxergando-o como o “presente” que ele efetivamente é.  E, afinal, estou gordinha, sou gostosa ;-), estou saudàvel e sou normal!

Da série: Quilos a mais – se nao pode vence-los, una-se a eles!! 🙂

Ou ainda: Eu me amo como eu sou!!!

Nota da LuLu: Todo o respeito por quem é magrinha e quer ser magrinha, por quem é gordinha e quer ser magrinha, por quem é magrinha e quer ser gordinha, por quem é gordinha e quer ser gordinha.. enfim, respeito é bom e eu gosto, ok?

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Pietà

No ultimo dia 21 de abril Brasilia completou 49 anos…

… e Roma completou 2.762 anos.

Ambas nasceram no mesmo dia. Sò agora eu entendi o porque do presente que o governo italiano deu a minha cidade: a còpia da estàtua de Romulo e Remo sendo amamentados por uma loba, simbolo da fundaçao de Roma,  que fica na frente do Palacio do Buriti. 

Sao muitos laços que unem as duas grandes cidades.

Pra iniciar o post, a foto da Pietà de Michelangelo tirada por mim, no Vaticano.

Pra encerrar, a foto da Pietà de Michelangelo, em Brasilia, a còpia que fica na Catedral. Credito da foto de Brasilia: Francisco Aragao

pieta_brasilia

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Voce sabia…?

Como surgiram os estados brasileiros?

por Danilo Cezar Cabral

TERRAS DE CAPITÃO
Trinta e quatro anos após o Descobrimento, o litoral brasileiro estava sendo saqueado a torto e a direito por piratas em busca de pedras preciosas e madeiras raras. Para manter o controle do território, a coroa portuguesa decidiu criar as capitanias hereditárias, 15 faixas de terra que se estendiam da costa até a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas. Para tomar conta desses primeiros “estados” do país, foram nomeados capitães-donatários.

A CASA DAS SETE PROVINCIAS
Em 1709, os portugueses resolveram reorganizar a colônia em função dos benefícios específicos que cada região poderia trazer para a coroa. Nasceram, então, as sete províncias, imensas extensões de terra com fronteiras mais bem definidas. Além dos aspectos econômicos, a criação das províncias visava obter um controle ainda maior sobre o território, constantemente ameaçado pela ação de piratas e do “olho grande” espanhol

RASCUNHO IMPERIAL
Após a Independência, em 1822, o Brasil foi repartido em diversas novas províncias, “rascunhos” do que viriam a ser os futuros estados. O mapa atual do Nordeste, por exemplo, já está quase todo lá. No Sul, contávamos ainda com a província da Cisplatina, que pertenceu ao Brasil até 1829, quando um movimento separatista obrigou o país a reconhecer a independência da região, que deu origem ao Uruguai

ESTADOS DE SÍTIO
Rolaram grandes mudanças no mapa após a Proclamação da República, em 1889, como a própria adoção da palavra estado para nomear as porções do território. Em 1942, o Brasil entrou na Segunda Guerra e, como estratégia de defesa e administração das fronteiras, o governo desmembrou algumas áreas, criando novos territórios, como Amapá e Guaporé, no norte, e Iguaçu, no sul. Mais tarde, alguns desses territórios viraram estados, outros foram reintegrados à sua região de origem

DEPOIS DA PLÁSTICA
A partir de 1960, ano da inauguração de Brasília, rolaram as últimas mexidas que deixaram o Brasil com a cara que tem hoje, com seus 26 estados mais o Distrito Federal. Além da “promoção” de alguns territórios, como Acre e Rondônia, a estados, Fernando de Noronha voltou a fazer parte de Pernambuco, e nasceram Mato Grosso do Sul (desmembrado do Mato Grosso) e Tocantins (fatiado de Goiás). Porém, se depender das propostas que, nos últimos anos, chegaram ao Congresso, o vira-e-mexe do mapa brasileiro pode estar longe de acabar.

NAÇÃO DE RETALHOS
Nos últimos anos, chegaram várias propostas ao Congresso para a criação de novos estados e territórios no país, sendo que muitas ainda estão em curso.

Fonte: UOL – Mundo Estranho

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Qui si mangia bene!

A gastronomia italiana original é caracterizada por sua diversidade de influências, aromas e pratos pouco conhecidos no Brasil. pesquisamos o que é que esta culinária tem de especial para conquistar paladares por todo o mundo

TEXTO Júlia Zillig

Pizzas e pastas. Ao falar em cozinha italiana no Brasil logo se pensa nesses dois pratos, servidos nas velhas conhecidas cantinas e pizzarias. Isso acontece por conta das referências históricas trazidas pelos imigrantes italianos. A massa era colocada à mesa, aos domingos, quando a família se reunia, e também em dias de festa, para celebrar. E o mesmo acontecia com a velha redonda. O pão e o salame também não faltavam. No entanto, quando se pensa em gastronomia italiana, o céu é o limite. O universo de referências é extremamente vasto e diferente em cada região da Itália, também influenciado pelas várias colonizações, mudanças sociais e políticas ao longo das décadas. O resultado disso: uma gastronomia com grande riqueza de sabores e aromas.

Antes de abordar a culinária das principais regiões da Itália, vale contar um pouquinho sobre aspectos históricos que são determinantes na definição da gastronomia multifacetada do país. As raízes da cozinha italiana encontram-se no século IV, na Idade Média, vindas das influências árabes, principalmente na região da Sicília, que expandiu sua culinária regional com o amplo uso de produtos vindos do Oriente Médio, como é o caso das especiarias. Do oriente, veio também uma invenção chinesa trazida pelo viajante Marco Polo: o macarrão.

Já no século XVII, foram os espanhóis que deixaram sua marca na cozinha da Itália, adicionando produtos vindos da América, como tomate, batata, feijão, milho, cacau, rum e café. A França também colocou sua marca. Na época de Napoleão Bonaparte, os franceses agregaram outros itens, como produtos derivados do leite (manteiga e creme de leite).

O intenso comércio de alimentos durante o Império Romano, que movimentava a cidade de Roma, trouxe caravanas com alimentos vindos de vários países da Europa, África e Ocidente. Cereais, pães, vinho, azeitona, legumes, frutas frescas, amêndoas, nozes, avelãs, queijo, ovo, porco, carneiro, galinha, faisão, avestruz, javali, etc. Já com o Renascimento, os banquetes exagerados deram lugar a uma gastronomia mais refinada, com requinte e sobriedade nos pratos. Menos especiarias, mais leveza e apresentação.

Os italianos valorizam os ingredientes de sua região. Abusam de molhos e temperos e de pastas, peixes, frutos do mar, carnes com cortes diferenciados como ossobuco, escalope de vitela, entre outros. O azeite de oliva é praticamente a base da gastronomia italiana, juntamente com temperos de ervas frescas como alecrim, salsa, sálvia, tomilho, manjericão, manjerona, entre outros. Bottarga, funghi porcini, anchova, mussarela de búfala completam o pacote na confecção dos pratos.

RÚSTICO ORIGINAL – Na região central da Itália, onde fica Roma, a gastronomia local é considerada uma cozinha mais “simples”. É conhecida pelo melhor nhoque do país. “É uma região sem grandes influências da culinária européia, não tinha aristocracia e era devotada ao papa”, conta o chef italiano Marco Renzetti, proprietário do restaurante Osteria del Pettirosso, em São Paulo (SP), que tem a proposta de oferecer a culinária romanesca original. Marco conta que o lado religioso influenciou fortemente a cozinha de Roma. Por conta da propagação dos ideais cristãos, ligados à pobreza, a cultura gastronômica da região evoluiu nas mãos dos camponeses, feita à base de ingredientes fortes, com a presença de gorduras animais, carne de carneiro e porco.Já a comunidade que não era ligada à igreja católica – os hebreus, por exemplo – desenvolveram uma culinária mais refinada. “Eles usavam muito peixes e frutos do mar, além de verduras”, diz Marco. Um dos pratos célebres é o Carciofala Gildea, feito com alcachofras. “As folhas de alcachofra na Itália são comestíveis, fritadas no azeite.”

Um dos queijos mais utilizados na culinária romana é o pecorino. Por conta de seu desenvolvimento local e preço mais acessível do que o conhecido parmesão (ou parmiggiano), ganhou espaço nos pratos. O Spaghetti alla Carbonara é outro prato vindo de Roma. No entanto, no Brasil é feito com creme de leite, sendo que o original é feito com ovos, pecorino e panceta. “Roma nunca foi referência em relação à sofisticação, mas tem pratos deliciosos.” Molhos como matriciana, putanesca, por exemplo, hoje também conhecidos no Brasil, saíram desta região.

No restaurante Pettirosso, Marco conta que faz alguns pratos que seguem a escola gastronômica La Macellara, que abusa de miúdos de animais. Um dos pratos é um rigatone com tripa de vitela de leite cozida com tomate, pimenta e toucinho de porco. “Aqui no Brasil esse tipo de prato é desconhecido.” Ao contrário do que se pensa, na gastronomia romanesca o vinho branco é bastante utilizado para marinar carnes. “São carnes mais novas.” Leitão e carneiro são algumas das mais servidas.

RIQUEZA VERSÁTIL – Na região norte da Itália – Piemonte, Vêneto, Ligúria -, a influência francesa é fortemente notada. Risotos feitos à base de muita manteiga, massas frescas e polenta fazem parte do cardápio. “O risoto é um prato versátil”, diz o chef e banqueteiro italiano Carlos Bertolazzi. Queijos grana padano, fontina, parmesão e as famosas trufas brancas são destaques nessas cidades.O risoto mais conhecido é o alla parmiggiana, feito com queijo parmesão. Logo depois, o alla millanesa, com tutano de boi e açafrão. O de funghi porcini também se tornou um clássico, inclusive no Brasil. “Os brasileiros ainda conhecem pouco da gastronomia de cada região da Itália”, opina Carlos.

As carnes são cozidas no vinho, mas com menor quantidade da bebida, dando suavidade e leveza ao prato. “Na Lombardia, se come muito a Costoletta alla Milanese. Usam a parte da carne da costela do boi”, diz Carlos. Por ser uma região montanhosa, há uma forte tradição pelos assados e cozidos, incluindo a utilização de especiarias como cravo, anis estrelado e canela. “Nos restaurantes do norte, é raro encontrar pratos à base de molho de tomate, algo freqüente no sul.”

Frutas secas e avelãs compõem grande parte das sobremesas. É do norte que sai o tradicional Tiramissu e a Panna Cotta. “Naquela região, por conta da pecuária bovina nas montanhas, o acesso ao creme de leite e à manteiga é maior”, diz Carlos. Uma das iguarias mais importantes da gastronomia italiana está exatamente na região de Piemonte. A trufa de Alba, menina- dos-olhos de chefs do mundo todo, sai dos bosques do Piemonte. Com uma descrição peculiar, algo único, a trufa é um produto caro, mas adequadamente harmonizada com massas frescas e principalmente com ovos com gema mole.

As massas no norte são frescas – diferentemente da região central, onde são mais secas. A polenta, outro grande prato da região, é feita com sêmola mais grossa. “A polenta era um prato feito pelos italianos mais pobres. Os camponeses comiam-na de manhã, como se fosse um mingau. Depois de endurecida, cortavam em pedaços e fritavam, para molhar no molho de peixe.” Hoje, a polenta é um tradicional acompanhamento de ossobuco de vitela e servida com muito charme.

TRADICIONAIS E ROBUSTOS – Na região sul da Itália, a influência da dominação espanhola é marcante, além das referências gregas e turcas. “É uma cozinha forte, com muitos contrastes entre o doce e o salgado”, diz Marco. Frutos do mar, peixes, pasta feita de grão duro e sem ovo, pães robustos, muito molho de tomate e pizzas. “Existe uma predominância para sobremesas fritas, como é o caso do canole”, conta Carlos.

Com uma enorme diversidade de aromas, sabores e influências, a gastronomia italiana é referência ao redor do mundo. E com certeza deve continuar deixando suas marcas ao longo dos anos.

Fonte: Portal espresso: www.revistaespresso.uol.com.br

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Eco-lògica

Bom, se voce ainda nao sabe eu vou te contar: jà começou a era da àgua. O que isso significa? Significa que nao serà mais por causa dos poços de petroleo que o mundo vai brigar, mas por cada pedacinho de terra que tenha os maiores recursos hidricos do planeta. O petròleo move a industria, as maquinas e o progresso… E a àgua? Move os seres humanos!!

Num paìs como o Brasil, onde a azulzinha é limpida e abundante, isso parece brincadeira de criança. Jà do lado de cà, do velho mundo, onde os caras usaram e abusaram do que nao é de ninguem mas é da humanidade, qualquer litrinho de àgua mineral vagabunda jà custa em média 0,15 centavos  de euro! Se pra sobrevivermos nesse mundinho-de-meu-deus nos ensinam que devemos beber AO MENOS dois litros de àgua por dia, faz aì as contas da encrenca: Sao 108 euros e 720 garrafas plasticas jogadas no lixo por ano! Dòi no bolso e na consciencia também.

Nao é por que sobra no Brasil e falta de cà que nao devemos TODOS aprender a economizar àgua. Vamos cair na real? Nao é uma questao de ecologia, é sobrevivencia, mesmo!! No fim das contas aquela història de que o bater de asas de uma borboleta numa parte extrema do planeta influencia as marés de uma outra parte, nao me parece assim tao absurda.

economiadeagua

 

A dica da tabela de economia de àgua eu tirei do blog Favoritos.

A tabela original voce encontra aqui.

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A B. do blog Brasil Na Italia publicou uma notinha de uma polemica que eu resolvi reproduzir aqui:

Polêmica italiana: laranjada sem suco de laranja!
A notícia foi divulgada em todos os jornais italianos e trata-se da mais nova polêmica do momento: o senado acaba de aprovar uma lei européia que elimina a obrigação de um conteúdo mínimo de 12% de suco de laraja nas laranjadas. Os agricultores estão furiosos e dizem que é um dano para a saúde e para os negócios.

A primeira impressão é que se trata de mais uma reclamação de quem não tem o que fazer. Mas parando para refletir, podemos imaginar o prejuízo para os agricultores que vivem da produção de laranja, e passarão por uma redução consistente de venda em uma época dita de crise. Ainda por cima, a prejuízo do consumidor, que perde em qualidade do produto.

Para quem quiser saber mais, confira algumas das manifestações: artigo no jornal La Nazione e discussão em outro blog (os dois em italiano).

 

A notinha me atinge diretamente. Primeiro porque a unica bebida, digamos assim, nao-natural ou fabricada, que eu tomo é a tal da laranjada, gasosa ou nao. Sem contar o vinho, claro, que nao falta nunca. Segundo porque  essa medida é um grande contra-mao no movimento natural de busca de bem estar, de garantir um minimo de qualidade nos alimentos que venho vivendo. Eu sò nao, o mundo inteiro!  Mas por outro lado, refletindo bem, se os caras nao garantem que a laranjada tenha no minimo os 12% de suco natural e vitamina C garantidos até entao, eu vou acabar tomando SOMENTE suco natural (o que é òòòtmo!) e no fim das contas quem sai ganhando sou eu. Hehehehehe.

Eu e a minha eterna sindrome de Pollyana. Voce conhece esse livro? Poisé, ando numa fase total de “jogo do contente”, viu?

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5 horas

Esse fim de semana começou o horario de verao na Italia.

Agora sao 5 horas de diferença de fuso horario.

Jà disse e repito: me sinto mais longe. Mas também fica mais dificil conciliar os horarios pra falar com minha gente no Brasil. E a saudade sò aumenta.

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Saudade de prosear por aqui, de contar os causos, as cronicas diàrias. Pra matar essa saudade de tantos dias de ausencia e pra entender mais um pouco do meu mundinho siciliano resolvi fazer uma especie de manual cultural para marinheiros de primeira viagem e selecionei algumas curiosidades:

 O pessoal daqui é louco por futebol tanto quanto os brasileiros, e como tem tantos craques que jogam na Italia, sempre sabem o nome de algum jogador: Kakà, Cafu, Dida, Ronaldo, Ronaldinho..
 A primeira observaçao que fazem quando eu digo que sou brasileira é: Nossa, como voce é solar! Eu nao sei exatamente o que significa, mas  desconfio  que é porque eu sou bem branquela (branca, luz, sol, solar… sei là!) e eles achavam que toda brasileira era escura.
 A primeira pergunta cretina que me fizeram: Voce dança? Ta certo que foi dito por uma pessoa que parece que nao pensa, mas pra maioria dos italianos todo brasileiro sabe sambar e toda brasileira ou é passista de escola de samba ou é mulata do Sargenteli. 
Na Sicilia onde eu moro, no verao é um calor do cao! Em 2007 eu peguei  47 graus!! No inverno é um frio desesperador, ao menos pra mim que nao to acostumada, mas o maximo que peguei aqui foi 2,3 graus abaixo de zero. A coisa mais linda do inverno é a neve!
Aqui chove muito no outono e no inverno, sao verdadeiras tempestades.
 Em compensaçao na primavera, que começa agora, o calor vem chegando devagarinho e o mundo se enche de flores! E’ lindo demais! Os dias sao muito bonitos, sem chuva, e esse periodo maravilhoso continua até o final do verao.
No auge do inverno amanhece as 08h da manha e anoitece as 16h e no auge do verão, amanhece as 06h e anoitece as 20h.
Uma amiga do curso de culinaria me disse que dà para sacar quando uma pessoa é brasileira porque nòs usamos pouca maquiagem e muitos colares (mesmo no inverno). Hehehehe me deu vontade de rir do generalismo, mas eu sou assim mesmo! 
Os banheiros e as cozinhas nao tem ralo no chao!!! Isso mesmo, nao dà pra lavar  jogando  àgua e sabao! Eles usam àgua com detergente e um tal esfregao que chamam de “mocho”. Cada um tem seu jeito, né? Eu jà fui logo subvertendo as coisas, girei a cidade inteira, achei um rodo e dei um jeito de lavar com àgua e sabao e nao apenas com detergente! Onde jà se viu nao enxaguar com àgua até o pano sair limpinho como a minha mae me ensinou!!
Faxineira aqui é artigo de luxo e cobra de 6 a 10 euros por hora!! Sao quase 30 reais por hora!!
 Manicure que no Brasil eu tinha, em casa, toda semana aqui passou a ser artigo de ultima necessidade. Cariiiissssimmo! Pra falar a verdade qualquer tipo de serviço de beleza é um absurdo e desde que estou aqui fui ao salao somente umas 5 ou 6 vezes.
 O lençol de cama nao tem o “virol”, ou seja os lençois nao tem aquela emenda que nos permite colocar o desenho da roupa de cama virada pra cima, o avesso pra baixo e ainda assim virar a pontinha do lençol e continuar com o mesmo desenho.
Algumas contas da casa vem bimestralmente ou trimestralmente ou ainda semestralmente. Isso me faz tomar cada susto com as contas de àgua, gàs e luz por exemplo.
 Cheque depositado demora DEZ dias uteis pra compensar!
 No cinema todos os filmes sao dublados em italiano. Todos. Nao existe filme legendado com som original.
 No cinema, bem no meio do filme tem um intervalo de uns 15 minutos e aparece escrito numa tela branca “INTERVALLO”. Hahahahaha. Eu morri de rir a primeira vez que eu vi isso. De nervoso. Sei là pra que é isso. Acho que é pra sair pra fumar, pra comer ou pra ir ao banheiro, mas eu acho um absurdo interromper o clima do filme bem no meio.
Come-se pao TODOS os dias em todas as refeiçoes e massas quase todos os dias. Habitualmente as refeiçoes sao divididas assim: um primeiro prato – massa, risotto, salada de arroz, batatas ou polenta.. segundo prato: carnes, peixes, aves, salames, frios, queijos, verduras acompanhadas de pao… salada depois ou junto com o segundo… e pra finalizar: fruta fresca ou seca depois da refeiçao.

E aì? Gostou?

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Ontem foi meu onomástico, ou seja o dia de uma santa que tem o mesmo nome que eu.

Santa Luísa de Marillac (1591-1660)

 SantaLuisadiMarillac

A Santa que lembramos no dia 15 de março nasceu em Paris em 1591 com o nome de Luísa. Recebeu ótima formação humana e cristã e casou-se com Antônio, tendo na vida uma só criança. Depois de um certo tempo Antônio morreu, mas em Luísa em Deus conseguiu superar. Santa Luísa muito religiosa começou a fazer direção espiritual com São Vicente de Paulo, que percebendo o coração de Luísa envolveu nas confrarias de caridade. A Santa se identificou e assumiu com tanto amor a obra de caridade para com os doentes e pobres que não demorou em tomar a frente e mais tarde ser a escolhido do Espírito Santo para fundar em 1634 a Congregação das Irmãs da Caridade. O lema desta Congregação era o clamor de S. Paulo: A caridade de Cristo me impele”. Mesmo nos tempos mais difíceis Santa Luísa viveu o carisma com suas irmãs que iam crescendo em número e santidade. Durante uma peste que arruinou com Paris Santa Luísa chegou a atender todas as classes sociais já que na sua espiritualidade encarnada via e servia Cristo no pobre. Entrou no céu com 70 anos, depois de se consumir pela caridade.

Confesso que ninguém se lembrou. Nem eu.

Voce pode procurar o santo com o seu nome no site:

http://www.paginaoriente.com/santosdaigreja/santosdata.htm

Ou ainda aqui: http://www.nomix.it/onomresult.php

Dia 07/11 é o onomàstico do marido Ernesto: Sant’ Ernesto di Zwiefalten.

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Protesto Terceiromundista!!

To que to. Acabei de voltar do dentista.

Nao vou nem me estender falando da minha teoria da conspiraçao envolvendo  profissionais pseudo-dominantes tais como: medicos, advogados, mecanicos e dentistas  – as quais somos constreitos. Vou apenas manifestar minha indignaçao com a qualidade da maioria das prestaçoes de serviço aqui na Italia.  Pelamordedeus! Sofri hoje, viu? E nao era nada tao complicado assim, nao. Fui trocar a coroa de um dente! To com a boca bem machucada e ainda estou sob efeito da anestesia. Imagine quando passar! Ai!  Bem que tinham me avisado. E eu acostumada com as maozinhas de fada da minha MA-RA-VI-LHOSA dentista no Brasil!

Sò sei de uma coisa, viu? Primeiro mundo é a p#$%&*§£… !!!!!

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Enquanto isso…

No Hemisfério Norte

Gravina di Catania CT

8°C
Attuale: Parzialmente nuvoloso
Vento: NO a 0 km/h
Umidità: 57%
gio                  ven               sab
Possibilità di pioggia        Per lo più soleggiato       Chiaro
4° | 16°         5° | 17°          8° | 18°

No Hemisfério Sul

28°C
Attuale: Parzialmente nuvoloso
Vento: E a 16 km/h
Umidità: 51%
gio                    ven                 sab
Probabili temporali         Nuvoloso         Possibilità di pioggia
17° | 30°       17° | 31°         19° | 30
     

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bcO que seria de mim se nao fosse a net?

O que seria de mim sem os curiosos olhos que me guardam sem me ver me mantendo a espinha ereta, a mente esperta e o coraçao tranquilo? O que seria de mim sem os amigos-presentes e seus abraços virtuais ou sem os beijos de minha familia via webcam? O que seria de mim sem a força de palavras de esperança nos momentos dificeis?

Além de tudo o que recebo, de todas as baterias que recarrego com as palavras depositadas aqui, meu mundo é ainda mais admiràvel, porque eu posso compartilhà-lo com voce. Pra começar eu nem estaria aqui na Italia se nao fosse um e-mail de meu amado marido Ernesto, na época um ilustre desconhecido, que me achou “por acaso” no Yahoo. Qualquer dia eu conto esse causo que juntou, sonhos iguais e  nacionalidades diferentes. Nada é por acaso, é verdade, mas nem a magia do destino, ou de almas gemeas, sei là, seria possivel sem esse maravilhoso mundo da rede mundial.

Desconheço hoje meio mais dinamico, popular, rico ou democratico. E pela primeira vez na minha vida faço parte de algum tipo de parcela de privilegiados  em absoluto, ou de alguma minoria, se preferir assim. Somos cerca de um bilhao de pessoas no mundo com acesso à internet, mas apesar desse numero parecer grande, ainda restam 80% da populaçao mundial sem acesso a grande rede.

Especialistas estimam que, no primeiro semestre de 2009, metade da populaçao brasileira, ou seja, mais de 90 milhoes de indivíduos, terao de alguma maneira acesso à internet, seja em casa, no trabalho, no celular, seja em locais públicos. A cada ano, a conscientizaçao de que expandir esse acesso é sinonimo de inclusao social, cresce, e muito se tem feito. Mas ainda é pouco.

Todo dia eu rezo e junto com minhas energias positivas emanadas para esse universo, tem o meu desejo e a minha projeçao de que um dia seremos todos um, realmente TODOS-um, com livre acesso à informaçao, à cultura, aos direitos humanos à liberdade de expressao, à saùde e à internet. 

VIVA A MODERNIDADE!

 

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O tema do texto de hoje foi uma proposta feita pelo blog ESTERANçA da Ester e se voce clicar no selo vai ler mais opinioes sobre o assunto e conhecer mais pessoas que me fazem sentir parte de alguma coisa muito maior do que apenas o meu mundinho.

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Horario de verao no Brasil

Hoje passamos o dia fora, entao nao preparei mais um texto sobre a retrospectiva do ultimo ano, mas amanha volto a carga, ok?. Nao podia, entretanto, deixar de vir aqui pra registrar que no fim de semana, do dia 14 para o dia 15 de fevereiro terminou o horário de verão no Brasil. Isso significa que a diferença de fuso horario entre o Brasil e a Italia passou de 3 para 4 horas de diferença!
Tenho aquela velha sensaçao de que estamos mais longe agora …  mas sò um pouquinho.

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Nao sou catolica. Nao sou “carola”, nao sou devota de nada, nem religiao definida eu tenho. Tenho, isso sim, uma fé inabalavel na humanidade, um amor incondicional pelos seres humanos no caminho da luz, do bem, da evoluçao e sou muito sensivel a manifestaçoes publicas de afeto.

Dito isso, confesso que eu me envolvi nos ultimos dias com a festa de Sant’Agata, a padroeira daqui da cidade onde moro, Catania na Sicilia e fiquei, como hà muito tempo nao ficava, completamente emocionada com a coisa toda.  Como toda grande festa tem coisa boa e coisa òtima e coisa ruim. Eu nao gosto, por exemplo, dos exagerados, dos maniacos por religiao, dos exibicionistas de plantao em nome da fe e o que me atinge realmente, como um golpe em cheio no peito, sao as manifestaçoes mais simples, os gestos mais singelos…. E tem também tanta coisa que gira em torno da historia da santa que me fez refletir muito sobre a fé.

Agata tinha quatorze anos de idade e jà tinha uma fe extraordinaria em Cristo e na grande novidade da época de que existia um sò deus. A historia toda da menina aconteceu aqui em Catania, no ano 251 d.C numa época em que a religiao oficial , imposta severamente pelo imperador romano Trajano Decio (249-251d.C), era aquela que adorava varios deuses, venere, mercurio, marte, giove, apollo… Ser “cristao” naqueles tempos de grande perseguiçao e implicancia romana nao somente era considerado um absurdo, quanto era perigoso e contra a lei do imperio. Imagine que nao tinha televisao, nem jornal, nem revista, nem livro direito e a tal historia do Judeu que veio pra salvar a humanidade, toda era repetida de boca em boca. Os ritos que falavam de corpo e sangue de cristo mostravam, pra quem nao entendia direito, a cristantade confundida com uma seita macabra. Imagine! Pois entao, a menininha, filha de pais abastados, vinda de boa familia, que podia ter tudo o que quisesse, inclusive o marido que escolhesse, cheia desse sentimento que nao se explica direito la fede, ou seja a famosa , na época de sua maioridade consagrou-se, ou melhor, decidiu dedicar a sua pureza, sua virgindade, e sua inteira vida a um tal de Cristo que, os boatos na época diziam ser um filho de Deus, ter vivido entre os homens, morrido na cruz a maneira romana usual para eliminar os piores criminosos e que pra completar a loucura avisara ainda que todos deveriam começar a despertar a sua consciencia para a nova realidade: Deus é um, assim como todos nòs.

A jovem, segundo dizem, era linda além do normal do que sao lindas as mocinhas dessa idade. Nos seus vinte e um anos, à época da consagraçao,  foi ardentemente cobiçada pelo governador da cidade – Quinziano que tentou corrompe-la de todas as maneiras. Ela nao deu a menor bola, e continuou no seu caminho, com certa liderança  junto com algumas dezenas de outros jovens e cristaos que se reuniam fora dos muros da cidade, às escondidas, para contar e recontar as lendas de cristo, para meditar, para orar, para catequizar… Ja imagina no que deu, nè? Tirania, orgulho ferido, frustraçao, abuso de poder, cobiça pelos bens da familia da jovenzinha e tanta maldade dentro do tal governadorzinho de merda o fizeram instaurar um processo para encarcerar a jovem lìder em nome da antiga lei dos romanos. Ai! A parte que se segue me faz chorar sempre. O seu martirio, que durou varios dias, Agata passou dentro de uma gelada cela subterranea  sem um quadradinho sequer de ar e luz externos, sem comer, sendo violentamente torturada fisica e moralmente…  Continuamente  foi chamada a depor diante dos juizes, foi interrogada pelo proprio Quinziano que a provocava tentando convence-la a repudiar publicamente seus ideais e a adorar os deuses pagaos no que ela respondia com muita segurança, tranquilidade, e aquela certeza que ninguem consegue explicar senao pela fé. Depois de ter apanhado muito, de ter uma mama arrancada, o corpo queimado com ferro quente e de ser “assada” nua em brasas, morreu na noite do dia 05 de fevereiro de 251.

… 😦

Tem muitas historias assim dos primeiros cristaos. Tem até piores. Tirando o romantismo das historias narradas, e alguns equivocos, a meu ver, meio masoquistas, todos tem um ponto em comum: o de nao haverem renegado aquilo que acreditavam até a morte.

Serà por isso que sao inspiraçao pra tanta gente? 

Serà por isso que sao chamados santos?

Quantos de nòs seriamos capazes de morrer por um ideal… de fé?

* Pra esclarecer: FEDE (italiano) = (portugues)

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Comemoram-se hoje 64 anos da libertaçao do campo de concentraçao de Auschwitz-Birkenau e para que as vítimas nao sejam esquecidas, a Organizaçao das Naçoes Unidas determinou que este, passaria a ser o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Hoje, entao, em toda a Italia foi um dia dedicado à memoria dos milhoes de judeus exterminados durante a Segunda Guerra Mundial. Manifestaçoes publicas, filmes, documentarios e uma profusao de debates nao deixaram passar em branco esse periodo verdadeiramente memoràvel. A idéia principal é nao esquecer o horror que foi aquilo tudo e nao permitir, com o possivel esquecimento, que qualquer coisa semelhante possa acontecer novamente na historia da humanidade.

A mim, no fundo, muito além das imagens de seres humanos em agonia extrema e dos numeros que conhecemos, mais de 6 milhoes assassinados, o que mais marcou foram os numeros estatisticos que mostram que, atualmente, 12 em cada 100 italianos se declaram abertamente antissemitas e 25 em cada 100 italianos sao antipatizantes de judeus. 😦

Nao sei os numeros de outros paìses, mas a questao nao é essa. Ainda que fosse UMA unica pessoa no mundo a declarar essa sandice, e olha que digo isso observando piamente o exercicio de respeito pela divergencia de idéias que tento praticar na minha vida, me sinto muito mal, quase doente com essa història, como se esse sentimento que nasce na alma de um ser e que o faz julgar-se tao diferente ou melhor do que outros seres a ponto de desejar eliminà-los, fosse como um virus a contaminar a saude da unidade a qual fazemos parte.

Somos um.

Nesse dia da memoria… e todos os outros também… nao se esqueça disso.

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Realizando sonhos

Domingo vi neve pela primeira vez e foi um dos dias mais emocionantes da minha vida. Aliàs, nesses ultimos dois anos, é bem dificil dizer um dia que nao tenha alguma emoçao. Sabe passeio de bugue nas dunas do nordeste brasileiro, quando o motorista, com cara de sàdico, pergunta na crista da duna: com ou sem emoçao? Poisé, aqui nao tem a opçao “sem”. A começar pelo dia do nosso casamento, por exemplo, que teve tanta coisa memoràvel, mas eu juro de pé junto que eu nunca tinha sonhado em me casar com um italiano,  muito menos em vir morar num outro paìs, entao foi tudo surpresa, emoçao, mas nao foi realizaçao. Jà com a neve eu sonho hà anos!!… Ai!.. Meu coraçao jà começou a acelerar sò de lembrar.

Pra eu me sentir verdadeiramente realizada com algum sonho nao é coisa fàcil, sabe? Sou uma virginiana tipica, critica, xexelenta, manipuladora, exigente, cheia de nuances, detalhezinhos e particulares bem dificeis de atingir, o que me faz quase sempre me frustrar com alguma coisa, portanto quando eu classifico um dia como “dia de sonho” acho que dà pra voce imaginar o quao perfeito deva ter sido. E foi.

Do momento em que acordamos e vimos um céu milagrosamente azul, depois de dias de MUITA chuva, o que nos possibilitaria subir a estrada para a montanha do vulcao Etna, a minha intuiçao jà me dizia: ah LuLu, hoje voce vai ver neve!

Dia lindo, entao decidimos pegar a estrada. Vesti tantas camadas de roupas quanto um esquimò, acho. Sò de meias foram quatro: uma meia calça de lã normal, uma meia calça de lã grossa, uma meia calça especial para inverno rigoroso que minha mae mandou do Brasil e por cima de tudo um meião de la até o joelho. Teve ainda o Jeans e o coturno, e na parte de cima mais umas tres camadas além de um pulover e pra finalizar um casaco especial para o inverno. Na cabeça um gorro de lã que cobria as orelhas, por cima um outro impermeavel e tinha também o capuz do casaco. Ah!.. E de acessorios foram também duas luvas, uma normal de lan por baixo, uma especial pra neve por cima e dois cachecòis. Pronto.

Na estrada, de fora do carro se percebia o vento frio. O céu, que da janela de casa parecia todo limpo, começou a formar umas nuvens pretas e a embaçar com a neblina, à medida que subìamos a montanha. O marido Ernesto tinha imaginado jà que nao daria pra atingir o pézinho do vulcao bem no alto, entao a idéia era subir o màximo que desse,  e assim fomos. A uma certa altura, com o mal tempo, a fila de carros que ia à nossa frente começou a fazer o retorno e nòs, sem nos dizermos nada, nos olhamos e decidimos continuar mais um pouco. Iamos a uns 40km por hora de tanta neblina e, aquela altura, quase jà nao dava pra ver mais nada. Dos dois lados do caminho tinha vestigios de neve do dia anterior, mas nao nevava. Chegamos até onde a policia fazia uma barreira, porque seria perigoso prosseguir, e alì mesmo estacionamos.

Eramos os unicos. Até entao, com a visibilidade baixa, todos estavam voltando. O que fazer? Iriamos descer do carro, ver a neve em volta da estrada, fazer fotos e ir embora…? Nao podia ser!  Ficamos uns minutos parados, com a respiraçao curta, olhando a paisagem em volta. Nao dissemos nada, nem nos movemos, sem saber o que fazer. Eu nao sei explicar o porque, mas sentia que nao tinha acabado alì, e…  entao… caiu… o primeiro floco de neve.

O resto?… O resto é història.

Neve

To chorando agora, como chorei no dia.

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pacote_Brasil

Demorou (MUITO!) mas chegou o pacote que a mamae mandou com roupinhas de frio, presentinhos, bombom Sonho de Valsa, geleia de goiaba, doce de leite, fubà mimoso, polvilho azedo… hummmmm. Jà me empolguei e logo logo vou fazer pao-de-queijo.

GuaranàPra completar a felicidade, descobrimos, no centro da cidade, uma especie de empòrio de produtos internacionais e “etnicos” que vende de tudo um pouco do mundo inteiro, e là encontramos, leite de coco, àgua de coco, suco de maracujà e  GUARANA ANTARTICA!!!!!

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Lingua madrastria

Se tem uma coisa que eu nunca aprendi direito, quando eu estudava lingua portuguesa, foi a usar proclises e mesoclises e agora, estudando italiano,  elas aparecem obrigatoriamente, mesmo na maneira mais coloquial de falar, e entao, vou ter que aprender na marra e sem reclamar.

E eu vou pegar firme nesse troço e vou aprender essas benditas até o talo, sem resmungar, ou eu nao me chamo mais LuLu.

Ou melhor.

Esforçar-me-ei de maneira determinada e aprende-las-ei… ah,se nao.. sim que aprende-las-ei completamente e nao queixar-me-ei, ou nunca mais permiti-vos-ei chamar-me LuLu.

Hehehehe  🙂

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Inverno

LuLu na Italia ©

Foto: LuLu na Italia ©

A nova estaçao começou oficialmente no dia 21 de dezembro, com o solsticio de inverno, que é o dia em que o sol està mais longe da Terra e também é o dia mais frio e mais curto do ano para quem està no hemisfério Norte.

O sol nasce, nesse dia, aproximadamente às 7:30 e se poe às 16:30. Isso mesmo, nessa época do ano, às cinco horas da tarde aqui jà é noite. Dà pra imaginar um dia com apenas 8 horas de sol? Poisé e ainda por cima nao é aquela Brastemp de sol, nao, aqui, por exemplo, tem chovido.. e chovido… e chovido.. por dias e dias à fio, sem tregua, sem balsamo, sem direito a choro e ranger de dentes.

No norte da Italia em algumas cidades a temperatura chegou a 30 graus negativos e, na maioria da regiao, a constante sao tempestades de chuva, nevascas de matar cristao, neblina, estradas interditadas e cidades inteiras isoladas.  Nao sei se voce sabe que a neve se forma nas camadas mais altas das nuvens, quando a temperatura la em cima esta muito abaixo de zero. Isso é comum em grandes altitudes, mas nem sempre a neve chega ao chao, pois à medida que os flocos se aproximam do solo e a temperatura aumenta eles derretem. Um tipo de neve, chamada umida, surge entre os zero e 5 graus negativos,  e outro tipo, a neve molhada, cai entre o zero e 1 grau negativo. Aqui onde moro, uma das regioes mais quentes da Italia, que seria como o nordeste brasileiro em relaçao ao Brasil, a minima tem girado em torno de 6 graus positivos, imagine. Bom pra mim, que sofro demais com o frio, ainda estou me adaptando, e por isso nem consigo me imaginar vivendo no norte, abaixo de zero. Cruiz credo! Mas… consequentemente, nao tem neve. Merda.

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Tem coisa que a gente nao aprende por pura preguiça ou porque nao prestou atençao direito. Tem coisa que jà começa a fazer parte do DNA e nao precisa mais nem pensar pra fazer. Tem coisas que enriquecem, aprimoram, tem outras que ferem, marcam feio, entristecem, mas aprender ainda é o mais importante.

Aprendi, por exemplo, que começar é apenas o primeiro passo e nao nos garante nada durante a caminhada. Devemos nos manter atentos, muito atentos, aos minimos detalhes, a nòs mesmos, aos outros e além. E, seja com frio, sol à pino, chuva, granizo, vento, neve, sombra e agua fresca caminhar em boa compania é muito mais prazeiroso.

Jà aprendi a me comunicar muito bem na lingua italiana, leio perfeitamente,  falo bem, ainda que com um sotaque inconfundivel, começo a me atrever a escrever algumas coisinhas e tenho me saìdo razoavelmente bem. Com a nova reforma ortografica brasileira parece que estou desaprendendo é o portugues.

Aprendi que a primeira vez a gente nunca esquece… se for muito boa ou se for muito ruim, porque se for mais ou menos a gente esquece sim.

O mundo inteiro tem problemas sociais, problemas economicos, preconceito,  ignorancia, gente doida e todo tipo de dificuldades. Somente  distante do meu paìs é que aprendi o significado das palavras naturalidade, nacionalidade  e cidadania.

Concordo plenamente que “escrava-remunerada”, ou empregada-doméstica, seja uma profissao que deva ser, no minimo, muito valorizada e revista com muito cuidado, pois aprendi que o serviço de casa é indigno, como bem definiu uma amiga-amada. Considero limpar, lavar e arrumar chato, banal, cruel, cansativo, nojento, repetitivo e  nada recompensante. O pior é passar roupa.. affff-maria… que sacooo!!! Cozinhar, é a unica coisa que compensa.

Aprendi a comer pasta ou pao todo dia, a comer queijo todo dia e a tomar vinho quase todo dia. Na hora de falar o meu peso depois das festas de final de ano eu olho pro lado, assovio e mudo de assunto, ok?

Aprendi que o prazer de comer depende muito do meu estado de espirito. O gosto que tem um sorvete de pistacchio que eu tomei sentada na Piazza de Spagna em Roma, no dia do meu aniversàrio, em companhia de minha mae-D.Conceiçona e do marido-Ernesto, por exemplo, nao é o mesmo do  sorvete de pistacchio que eu tomo aqui na pracinha em  Trecastagni  na Sicilia, em frente ao cinema, numa terça-feira qualquer depois de assistir o filme da semana com o marido-Ernesto, ainda que sorvete de pistacchio  seja  bom de todo jeito e o sorvete italiano seja o melhor do mundo!

Saudade era uma coisa que eu jà sabia, mas aprendi a conviver diariamente com ela, tal e qual um calo, daqueles beeeemmm antigos, que incomodam e apertam, mas a gente dà uma lixadinha pra ajeitar, ou muda de sapato pra afrouxar e sai pra rua assim mesmo.

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Ofensa ou elogio?

Eu evito comentar alguns aspectos, digamos assim, nao muito produtivos, sobre a imagem que o Brasil tem na Italia, mais precisamente a imagem das brasileiras. Tem coisa triste, generalismos grosseiros que acontecem em todo o mundo, falta de informaçao… Tem cada coisa absurda que chega a ser ironico.

Por exemplo, aqui passa quase todo dia uma propaganda de uma calcinha que promete levantar os gluteos deixando-os mais encorpados e sensuais. A propaganda é bem séria, nada de esculhambaçao, tem até um tom meio cientifico, com imagens de computaçao grafica mostrando como seria o efeito da tal calcinha, sabe como é? Até aqui tudo bem, né? Poisé, sò que tem um detalhe, a apresentadora, tipo shop time, com voz sensual, promete, e repete até dizer chega, que as telespectadoras que usarem o produto ficarao com um sedere brasiliano, ou seja um “bumbum brasileiro”.

 Ai..ai… eu posso com um negòcio desses?

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Voce sabia que na Italia, como na maior parte da Europa, o açucar é extraido da beterraba? Isso mesmo, o açucar que eles chamam somente zucchero aqui é branquinho, normal, mas é da beterraba roxa que conhecemos, fazemos salada crua, comemos cozidinha… O açucar de cana-de-açucar também é vendido, em menor escala, e eles o chamam de zucchero de cana. A Europa cultiva 120 milhoes de tonelada de beterraba e produz 16 milhoes de toneladas de zucchero bianco; a França e a Alemanha sao as maiores produtoras mas, com exceçao de Luxemburgo, cada paìs da Uniao Europeia extrai açucar da beterraba em quantidade suficiente para atender 90% de seu consumo interno.

Bem, com numeros assim, eu, que adoro beterraba, rica em ferro, docinha, saborosa, temperada com um fio de azeite e uma pitadinha de sal, imaginei: me dei bem, pois aqui deve ter uma fartura dessa raiz à minha disposiçao. Né, nao? Saio a caça logo nas primeiras compras e nao via a dita cuja, barbabietola, como eles a chamam. Procurei feito doida e nao achava nunca no supermercado. Estranho, nè? Isso me intrigava e passava pela minha cabeça: serà que eles usam toda a beterraba na produçao do açucar e nao sobra pro consumo interno?  Jà estou aqui hà mais de 8 meses e nada de encontrar. Essa semana, finalmente achei a tal barbabietola num supermercado que abriu a pouco tempo. Estavam là na geladeirinha do setor horti-fruti, embaladas à vacuo, jà cozidas, beeem roxinhas, lindas. Meio caro mas, a vontade foi mais forte e comprei, pronto. Fiquei tao feliz! Fiz no almoço do mesmo dia, do jeitinho que eu gosto, ainda  acompanhada  de carne de panela e um arroz branquinho. Toda animada com o cardàpio “brasileirinho”  ofereço pro marido minha iguaria, e ele olha, assim, meio desconfiado… E sò aì é que eu descubro: Ernesto nunca tinha comido uma beterraba em toda a sua vida.

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Distancia

Hà alguns dias atràs mudou o horàrio no Brasil. O relògio avançou 1 hora.

A diferença de fuso entre Brasil e Italia passou para +4 horas.

Aì…

Nesse sàbado ùltimo mudou o horàrio na Italia. O relògio retrocedeu 1 hora.

A diferença de fuso entre Brasil e Italia passou para +3 horas!

 

Eu sei que a distancia continua a mesma. Mas tenho a sensaçao de que estou mais perto agora.

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Camminare sulle uova,  como dizem os italianos, é uma expressao muito sàbia pra explicar a situaçao mundial com as quedas vertiginosas de todas as bolsas, e a situaçao do meu marido nos dias de TPM. Hehehehe.

Falando em ovos, vou contar uma peculiaridade: aqui na Italia os ovos de galinha possuem um carimbo na casca. Acho que em toda a Europa. Um codigo de controle. Voce jà viu isso por aì no Brasil? Eu nunca tinha visto antes.  Chique, nè?

No exemplo da foto voce pode acompanhar os detalhes… O primeiro numero estampado no codigo indica qual o tipo de criaçao que foi produzido o ovo.

0 – Produzione Biologica – produçao biologica, uma galinha pra cada 10 m² em terreno aberto com vegetaçao. E’ o que eu uso aqui em casa.

1 – All’aperto – ao aberto, 1 galinha para cada 2,5 metros quadrados em terreno aberto com vegetaçao.

2 – A terra – à terra, 7 galinhas por m² em terreto coberto de palha ou areia, numa galinheiro sem janela e com luz sempre acesa.

3 -In gabbia – em gaiola, como o proprio nome sugere, criaçao feita em gaiolas com 25 galinhas por m². O mais comum nos supermercados é o 3.

A segunda parte do codigo, duas letras maisculas, indicando em qual pais foi produzido o ovo. No caso aqui, encontramos, IT para ITALIA, em Portugal seria PT, por exemplo.

A terceira parte contém tres numeros, no ovo do exemplo da foto sao 043, indicando a comune, ou seja a cidade onde o ovo foi produzido.

A quarta parte contém duas letras e no exemplo BS indicando a provincia onde foi produzido o ovo.

E a quinta e ultima parte, tres ultimos numeros finais, que no exemplo sao 504 indicam o codigo da empresa que produziu o ovo.

Logo abaixo desse complicado codigo de controle tem sempre a data de validade do ovo. Melhor ser consumido até aquela data.

Continuando a falar desse novo mundo e seu vocabulario admiravel, apresento as partes do ovo:

  uovo = ovo

   uova = ovos

  guscio = casca

  tuorlo = gema

  albume = clara

 O resto do desenho é sò fru-fru, porque achei essa imagem num site de biologia.. hehehehe.

 

Tenho certeza que o assunto iria longe, pois os ovos tem muito mais a nos ensinar do que codigos e estrutura biologica, nao acham?… Assim, como quando lidamos com ovos, quando se trata do ser humano, temos que estar sempre atentos, temos que ter delicadeza. Alguem deve pensar: Imagine sò, a LuLu falando isso! Aquela que se auto-descreve como: grossa que nem porta de cofre de banco… 😀 Pra voce ver. Sao os tempos de crise. Todo mundo se adapta, muda, se reinventa… Como diz o provérbio: em rio que tem piranha, jacaré nada de costas.

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A maioria do tempo eu tenho a sensaçao de que estou no Brasil. Nao sei explicar bem o porque, mas penso que ainda esteja me ambientando e, com exceçao da lingua e de outras evidencias bem obvias, o dia-a-dia é normal, como em qualquer lugar do mundo. Outro dia, por exemplo, estava no shopping com minha cunhada, ela na loja com a filha e eu esperando sentada num banquinho fora, e tive essa sensaçao. Shopping é tudo igual, mesmo, e as pessoas aqui nao tem caracteristicas particulares de uma sò raça. Tem também muita coisa igual no vestir. Mas, de vez em quando me toco que to na Europa. 

A primeira vez foi na Pàscoa. A Rai Uno, que é uma das TVs mais importantes daqui, estava transmitindo uma missa… como eu descrevi no meu Cafofo:

Sexta-feira , 21 de Março de 2008

Caiu a ficha

Ligo a TV.

Sexta-feira

Horàrio nobre.

Transmissao na Rai Uno

Diretamente de Roma.

Um espetàculo poético recitado em italiano.

Cantado em canto gregoriano.

Falado em latim, italiano, frances, ingles, espanhol, portugues, alemao, russo… e mais umas duas linguas que nao identifiquei…

Era a Missa da Sexta-feira da Paixao celebrada pelo Papa.Bento XVI!!!

 

 

Pela primeira vez me toquei que to na EUROPA…

Demorou, mas caiu a ficha.

Gary Morris

Foto: Gary Morris

Hoje foi a vez da abelha. Eu nunca tinha visto uma abelha como essa. GIGANTE! Peluda e com as cores mais vivas do que nunca! Estava fotografando o jardim e me assutei com um zumbido forte. Quando vejo, là estava ela. Uma especie, meio abelha, meio vespa, que o Ernesto identificou como Calabrone. Era mais ou menos como um dos nossos besouros, bem grande e gorda, sò que beeeeem peludona e com aquele “pijama” de listras classico, amarelo e preto.

Piolina

Foto: Piolina

Como os besouros, aliàs, descobri na internet que, na década de 30 começou a circular a fama de que seria impossivel, aerodinamicamente falando, que ela conseguisse voar com um corpo tao grande e asinhas minusculas. Adoro quando a natureza nos surpreende.

Estar aqui na Europa, muitas vezes, me dà essa sensaçao magica de que posso tudo o que eu desejar e me empenhar. Até mesmo voar.

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Ainda me sinto muito isolada aqui. No Brasil sou a rainha do social e nao passava uma semana sequer sem uma balada, um agito, um cineminha, um jantar na casa de amigos, visitas em casa, eventos… Aqui nao. Ernesto sai pra trabalhar e eu ainda estou sem trabalhar fora, sem frequentar um curso, ou qualquer coisa que me OBRIGUE a sair de casa e consequentemente passo muuuuuuito tempo comigo mesma, arrumando a casa, cozinhando, lendo, estudando e na net. Confesso que a experiencia é bem nova e tem là os seus prazeres. Para a minha incansavel busca de mim mesma, que venho assumindo nos ultimos anos, poderia dizer que tenho feito um intensivao desde que me mudei. Tenho aprendido sobre mim mesma, nesses ultimos 6 meses, muito mais do que aprendi em todos os meus 38 anos passados.

Mas.. sinto falta de amigos. Muita.  Dos velhos, conhecidos, prazeirosos e confortàveis encontros, mas também de fazer novos contatos, desde aqueles rasinhos, facinhos e ainda sem poeira nenhuma até aqueles de improviso, num supermercado, na casa de alguém, desses que surpreendem e viram amizade-fraterna-profunda-pro-resto-da-vida.

Ontem à noite saimos pra jantar com um casal de novos conhecidos pela primeira vez. Ela, médica como Ernesto, trabalha com ele no pronto socorro e tem ainda seu consultorio proprio conveniado com o governo, sagitariana, mais velha que eu, simpatica, inteligente, sensivel. Ele, diretor de uma escola, burocrata, taurino, mais velho que Ernesto, simpatico, mais fechado que a esposa, meio desconfiado, inteligente. Comemos uma pizza, pra variar.. hehehehehe….  Terminamos a noite nos prometendo uma proxima. Foi agradàvel,mas faltou alguma coisa que eu nem sei se saberia explicar. Sei là, entende?… Se fosse pra usar uma expressao brasileira eu diria: faltou borogodó.

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Total de ontem: 2.803 kcal

Café da manha (342kcal) : 1/2 pao de hamburguer com gergelim (85kcal) + 1 ovo mexido com queijo (180kcal) + 1 copo de 200ml de cha com limao (77kcal).

Almoço (994kcal): 1 fatia de pao italiano (154kcal) + 150g penne ao forno com queijo e presunto (200kcal) + 1 linguiça calabresa (320kcal)+ pimentao ao forno (8kcal) + 2 nozes frescas (142kcal) + 1 fatia de ricota salata (50kcal) + 200ml de suco de abacaxi (120kcal)

Jantar (1467 kcal): 3 fatias de pizza (807kcal) + 4 taças de 100 ml de vinho tinto (260kcal) + 1 fatia de tiramissu (400kcal)

NOTAS MENTAIS:

Carài véi!!!

Como eu consegui comer 3 fatias gigantes de pizza!??????

Pra que beber 4 taças de vinho???

Ainda comi sobremesa!!!!! Eu sou folgada, mesmo! Putz!

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