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Archive for 4 de dezembro de 2008

cucina_del_sole

Sole, sol, propriamente nao tinha, primeiro porque nessa época do ano aqui chove muito e segundo porque chegamos là sempre pouco antes das 19h, mas à primeira vista a casa nos recebe com uma porta imponente, uma entrada e um pàtio interno amplos que, seguramente, no verao devam ser plenos de luz e dignos de Apollo – o deus do sol e da luz da mitologia greco-romana. A luz se faz certamente presente em todos os ambientes, plenos de mimos e memorias, nos esboçando antecipadamente um pouco da padrona da casa, a senhora Eleonora Consoli. Esperamos numa sala de pé direito bastante alto, com uma lareira finamente decorada com gatos de porcelana trabalhada e grandes livros de arte, enquanto todos os participantes terminam de chegar. Somos 17 ao todo. A anfitria chega depois de alguns minutos e nos recebe com seu andar ralentado pelos muitos anos vividos e um sorriso tenro mostrando-se aos poucos  exatamente o que eu havia imaginado de uma matriarca siciliana, segura de si, forte, lucida e muito rica de estòrias pra dividir, além de deliciosas receitas culinàrias. Muito inteligente, e culta. Segundo ela mesma afirma, cultura e culinaria andam juntas. Eu concordo. A riqueza da cultura e a tradiçao sao transmitidas com tal naturalidade que imagino quantos tesouros de muitas partes do mundo aquela nobre senhora deva ter visto.

A cozinha, muito grande e ricamente equipada passa a ser quase como uma sala de audiencia de uma representante da nobreza antiga cercada de suditos. Dignidade, sim, mas com simplicidade, entende? Percebe-se alì ainda a diversidade, a modernidade e como nao poderia faltar numa verdadeira cozinha, muito amor. Antes de mais nada a senhora nos ensina a primeira grande liçao: cozinhar é doaçao, cozinha-se essencialmente para os outros. Outras liçoes vao sendo passadas com sua suavidade e força: a importancia do amor, de compartilhar, a generosidade, enfim, valores primordiais para a humanidade, e claro, muuuuita comida gostosa!!!!!

De concreto, deixo aqui uma foto-simbolo dessas primeiras liçoes.

Tortellini

Em minhas maos o meu triunfo: pasta di casa – feita por mim.

E pra fechar com uma frase-chavao, porque eu hoje to terrivelmente brega, sensivel e emocionada, confirmo que: o primeiro tortellini a gente nunca esquece. 🙂

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