Pérolas da Mã
Minha mãe é uma figura singular. É óóótma e ao mesmo tempo consegue ser uma peste. Quem a conhece sabe do que estou falando. Ela é a própria enciclópédia viva, tamanha a sua cultura e conhecimentos gerais. Discuto sobre qualquer assunto com ela. Quase sempre brigamos. Até por que somos muito parecidas no temperamento e na turrice em querer ter sempre resposta pra tudo.
Ela é adoravelmente desligada.
Olha só um diálogo nosso de outro dia:
Eu: – Mã?
Ela: – Sim filím?
Eu: – Me diz uma coisa… Seu celular é Vivo, Americel, Tim ou Brasil Telecom?
Ela – Nenhum desses. É Motorolla.
Nós: – … HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

Mã… eu te amo muito!!!
Escrito por LuLu Segunda-feira , 30 de Maio de 2005
____________________________________________________
CAUSOS DO VOVÔ BERNARDO
O campeão de contar piadas da minha família era meu avô. Eu ficava no máximo com o segundo lugar. E ainda assim tudo que eu sei aprendi com ele. Todas as maiores bobagens, porcarias, palavrões, gracinhas e piadas. Nos víamos uma vez por ano. Nas férias. Ele morava em Uberaba. E todo dia à mesa trocávamos nossos causos, a maior parte piadas de mineiro, como num duelo, onde ninguém perdia nunca. Uma piada puxava outra, que puxava outra.. E seguiam-se as gargalhadas deliciosas. Deliciosas. Senhor Bernardino Rossi Neto. Ele foi meu maior acervo de alegria.
Ele sempre começava antes que todos tivéssemos acabado de comer. Comia primeiro que o resto. Com seu jeito sereno, ficava quietinho primeiro, acho que lembrando as piadas e aí começava um causo. Tinha um jeito natural de prender a atenção. Fazia pausas perfeitas e… As gargalhadas vinham. Sempre vinham. Ele ficava satisfeito. Dava seu meio sorriso meigo, olhos marotos por detrás dos óculos grossos.
Desde a semana passada que estou com muita saudade do vovô. Ele já foi pro arquivo das almas. Fez um ano em maio. Deixou saudade. Ôô!! Mas saudade é uma coisa que a gente sente, sente, sente, e alguma hora tem que desligar o mecanismo, senão endoida e pifa o resto da máquina. Então. Tava desligado e alguma coisa fez a saudade voltar de cum força.
Acho que foi uma piada de mineirinho que eu recebi por e-mail.
Essa aqui ó:
Seu Zé, mineirinho sofreu um acidente de trânsito. Resolveu levar o dono do outro carro ao tribunal.
No tribunal, o advogado do réu começou a inquirir seu Zé:
- O Senhor não disse na hora do acidente “Estou muito bem”?
E seu Zé responde:
- Bem, vou lhe contar o que aconteceu. Eu tinha acabado de colocar minha mula favorita na caminhonete…
- Eu não pedi detalhes! – interrompeu o advogado – Só responda à pergunta.
O Senhor não disse na cena do acidente: “Estou muito bem”?
- Bem, eu coloquei a mula na caminhonete e estava descendo a rodovia…..
O advogado interrompe novamente e diz:
- Meritíssimo, estou tentando estabelecer os fatos aqui. Na cena do acidente; este homem disse ao patrulheiro rodoviário que estava bem. Agora, várias semanas após o acidente ele está tentando processar meu cliente, e isso é uma fraude. Por favor, poderia dizer a ele que responda à pergunta?
O Juiz estava muito interessado na resposta de seu Zé e disse:
- Eu gostaria de ouvir o que ele tem a dizer.
Seu Zé agradeceu ao Juiz e prosseguiu:
- Como eu estava dizendo, coloquei a mula na caminhonete e estava descendo a rodovia quando uma pick-up atravessou o sinal vermelho e bateu na minha caminhonete bem na lateral. Eu fui lançado fora do carro para um lado da rodovia e a mula foi lançada pro outro lado. Eu estava muito ferido e não podia me mover.
De qualquer forma, eu podia ouvir a mula zurrando e grunhindo e, pelo barulho, eu pude perceber que o estado dela era muito ruim. Logo após o acidente, o patrulheiro rodoviário chegou ao local. Ele ouviu a mula zurrando e foi até onde ela estava. Depois de dar uma olhada nela, ele pegou a arma e atirou bem entre os olhos do animal.
Então, o policial atravessou a estrada com sua arma na mão, olhou para mim e disse:
- ” Sua mula estava muito mal e eu tive que atirar nela. Como o senhor está
se sentindo?”
- “O que o Sr. falaria, meritíssimo??”
Vontade de te contar essa, vô. E ver sua carinha e seu orgulho pela neta brincalhona. Essa sua Branquela Azeda Zóio de Coruja que te ama muito.
Ai… Deixa eu parar antes que as lágrimas escorram….
Escrito por LuLu Sexta-feira , 23 de Setembro de 2005
_________________________________________________________
Ontem foi o Dia da Avó
Definição de Avó
(Artigo redigido por uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do Cartaxo, em Floripa.)
Uma avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros.
As avós não têm nada para fazer, é só estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam nas flores bonitas e nem nas lagartas.
Nunca dizem “some daqui”!
Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem abotoar os nossos sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou então, uma fatia maior.
As avós usam óculos e, às vezes, até conseguem tirar os dentes.
Quando nos contam histórias, nunca pulam pedaços e não se importam de contar a mesma história várias vezes.
As avós são as únicas pessoas grandes que sempre têm tempo para nós.
Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós.
Toda a gente deve fazer o possível por ter uma avó, ainda mais se não tiver televisão”.
Essa é a minha.
Vó Maria Pessato Rossi. 90 anos.
Escrito por LuLu domingo, 27 de Julho de 2008
_________________________________________________________
Foto By LuLu……………………………………………………………………………………………………………
A Criança Encantada
A criança tinha sete anos de idade. Mal chegava à casa da avó e já era arrastada pra uma tia benzedeira. Magrela e com um cabelão sempre trançado, achava graça e fazia a vontade da avó.
A tia benzedeira era irmã da avó. Irmã mais nova. Tia Malvina. Rezava, benzia e tirava quebranto. Lá ia ela.
A casa simples tinha um quintal, pomar, horta, galinheiro e um cachorro vira-lata, que sempre latia quando chegavam. A senhora o acalmava no colo. Faziam sala uns minutinhos e o ritual começava. Iam logo pra fora, pôr-se debaixo da videira, a criança de costas pra benzedeira, começar a rezadeira. Murmúrios ininteligíveis. Ladainha de missa cantada.
A tia-avó, uma senhora risonha e alegre sem exageros, ao contrário da outras tias. Cabelos arruivados tingidos, mãos calejadas da lida, unhas pintadas de rosa, galho de arruda em riste. Os olhos semi-cerrados, de olho nos da criança furtivos, atentos a cada detalhe.
Era um misto de fé e teatro. Um quê de cantiga de roda. A criança era embalada na reza. De costas, de frente e de lado. Brincava de gente grande. Voltava pra casa encantada.
Escrito por LuLu Sábado , 11 de Junho de 2005
_____________________________________________
Sobre nòs..
Viva!!! Nasceu a minha irmã!!! Com apenas 10 meses de vida sinto a sua presença já desde o momento de sua chegada do hospital. Pra mim é delicioso ainda estar engatinhando e já ter uma irmã. Todos os anos ficamos com a mesma idade por quase três meses. Somos quase gêmeas, como costumamos brincar! hehehehehehe… Num primeiro momento ficamos separadas, você com a mamãe, eu com papai. Eu fiquei doente, uma gripe forte e a sua condiçao de prematura precisava ser protegida. Quase não nos víamos. Em quartos separados, mas almas unidas, te ouvia do meu berço e ficava a imaginar tua fragilidade, pelo chorinho. Que sensação maravilhosa ter você na minha vida. Somos duas em uma. Duas vidas se percebendo, se cuidando, se amando. Primeira descoberta: Com você, não estou mais sozinha na minha caminhada.
Inicio meus passos. Você constantemente ao meu lado, caminhando comigo. Parece querer como eu, correr o mundo. Companheira fiel, nunca por obrigação, sempre por afinidade sincera. Rimos, choramos, brincamos, descortinamos, brigamos, aprendemos, medimos, criamos… Somos todos os verbos afins de compartilhar. A nossa mã, então, me ensinou desde cedo a cuidar da irmãzinha mais nova que chegara. Tomar conta e ter cuidado, proteger e carinhar. Cuidar de você representa ter vida ao meu lado, estar atenta ao seu mundo no meu, partilhar das suas alegrias e dores de crescimento, mesclar minha vida com a sua. Segunda descoberta: Com você, dividir é igual a somar.
Continuamos crescendo juntas. Cheias de semelhanças e diferenças deliciosamente intrigantes, provamos o gostinho dos opostos que atraem, ao menos entre irmãs. Pelas diferenças fomos a preta e a branca, a Mônica e a Magali, a falante e a calada, a extrovertida e a tímida… Parecemos diferentes fisicamente, diferentes emocionalmente, mas somos, ainda assim, quase iguais na essência. Esse pêndulo que pulsa com a nossa energia não revela, ao menos pra mim, competitividade e sim experiências complementares. Nos atraímos pelas mesmas coisas com visões diferentes. Nos atraímos por coisas diferentes pelas mesmas razões. Permanecemos juntas com muito amor, com alegria, com carinho, diálogo, ternura, palavras doces, gestos meigos, laços fortes, passos firmes. Terceira descoberta: você é uma grande parceira da dança da vida.
Foto by Aninha ………………………………………………………………….
Escrito por LuLu Terça-feira , 27 de Junho de 2006
______________________________________________________________
Sobre nòs..
36 anos… Muito mais bem vividos do que os meus 40 anos.
Geminiana vivaz, alegre, de uma força proveniente da grande ousadia que desde cedo tomou conta de sua alma e a fez buscar furiosamente a experiencia da liberdade. Maliciosa e astuta, plena de uma inteligencia que sò a selva da vida dà. Foi precoce em seu amadurecimento, na ansia de acompanhar a mim e a minha irma do meio nas nossas aventuras e desventuras. A caçulinha aprendeu a se defender muito bem, e me ensinou desde cedo a importancia de conquistar, de dividir e de compartilhar. Como dizia o poeta Augusto dos Anjos: “O homem que nesta terra miserável vive entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera”. POis entao, essa fera tem muito ainda a me ensinar, das defesas, manhas e làbias… e com toda a esperteza que lhe assiste sò nao me toma como irma mais nova e… manda em mim, porque a minha teimosia nao permite.
Te amo, Lucila.
Escrito por LuLu Terça-feira , 27 de Maio de 2008
________________________________________________
D N Alma…
Eu tinha 17 pra 18 anos. Haviamos ganhado nossa segunda bicicleta da famìlia, grande, selim alto, com marchas. Minhas irmas, que ja sabiam andar, a desfrutavam hà mais de um mes e eu era excluìda por nao saber ainda. Nao sei ao certo porque eu nao sabia até aquela idade, mas eu me justificava pelo fato de ter tido reumatismo infecçioso quando era criança, e nao haver aprendido, quando tivemos nossa primeira bicicleta de rodinhas.
Resolvi, entao, aprender. Como eu era jà grande e alta sò meu pai poderia me segurar. Numa tarde de domingo là fomos nòs pra rampa do final do prédio da 210 sul, onde moràvamos, que de cima da bicicleta parecia alta e ìngrime tal qual uma montanha. Eu que estava bem resolvida, quase vacilei, mas meu pai sem me deixar pensar muito começou a me empurrar dizendo: pedala, vai! E me deixei levar. Em poucos minutinhos ele me soltou, mesmo eu tendo dito, cheia de medos: – Nao me solta sem me avisar, ok?… Quando dei por mim estava pedalando sozinha. Pedalei até o final da rampa mas caì logo em seguida, jogando a bicicleta longe sem me machucar. Me senti frustrada. Me recordo que provava ainda um misto de vergonha e de raiva, me sentindo traìda, mas havia aprendido.
Hoje.. Me veio à memòria esse momento e com os olhos de adulta, como num rito de passagem, compreendi a sua importancia: foi meu pai quem me ensinou a andar de bicicleta.
Ontem… 30 de maio foi seu aniversàrio.
Parabéns, pai.
Escrito por LuLu Sábado , 31 de Maio de 2008
_________________________________







Poxa vc escreveu tudo que eu ia dizer de vc!chorei lendo seus comentários!também acho que realmente somos muito opostas e ao mesmo tempo muito parecidas em muitas coisas.mas pra mim somos que nem caf’;e com leite;pao com manteiga;queijo com goiabadafeijão com arroz…muito contrários mas deliciosos juntos,perfeitas combinações.Te amo muito!um beijão. Aninha.
O meu é nokia… saudades… bjs!
Oi Luiza!!! É muito lindo ver o carinho que você tem pela sua familia
Parabéns…..
Deus, em sua infinita sabedoria, criou a família, para que os seres humanos tivessem um lugar de apoio, de encorajamento mútuo, consolo nas horas difíceis. Enfim, um espaço para rir, chorar e sonhar…